“gays em mundos masculinos!”

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O Ricardo deu-me a dica. O Jornal de Notícias de ontem publicou duas páginas sobre polícias gays em que alguns dos nossos “agentes da autoridade” contam as suas histórias.
São histórias sofridas ainda que, tantas vezes, pareçam assumir uma “normalidade” nos quotidianos do seu trabalho o discurso está todo ele carregado de (hetero)normatividade. Algo que a metáfora do “Armário” de que falei ontem poderá dar dicas para explicar.
Mas a ironia está nas declarações dos sindicalistas. O mais “piqueno” dos sindicatos – Sindicato Unificado da PSP – pede ao Ministério da Aministração Interna que a não-discriminação nos estatutos internos da PSP. Parece-me adequado, cumpre a Constituição, e protege cidadãos e polícias da discriminação.
O contraponto é o representante dos Sindicato dos Profissionais da Polícia, António Ramos, que afirma: “Não me parece que na PSP exista [homossexualidade]. É um mundo muito masculino. Desconheço completamente”. Divertidas ou não, estas afirmações demonstram duas coisas: o modo como a homofobia/heterossexismo marca os quotidianos dos “agentes da lei” devido à sua invisibilidade; a falta de atenção – para não dizer mais – de alguns sindicalistas relativamente aos trabalhadores que supostamente representam (este senhor não deve ter ainda reparado na presença de mulheres na PSP).
Mas fico contente que o tema esteja a ser discutido com tanto atenção na revisão dos estatutos da PSP.

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8 respostas a “gays em mundos masculinos!”

  1. lili diz:

    Que vitoriano que é o sr. António Ramos.

  2. JMG diz:

    Ó Lili, anda por aqui? Conheço-a doutros sítios mais ruidosos, e até já me apeteceu dar-lhe o meu desvalioso apoio. Mas lá por onde anda a testosterona voa alto, a Gramática baixo e o insulto referve, daí que eu só espreite. Deixe-me fazer as honras desta casa onde sou intruso e refractário: os donos são comunistas, os temas interessantes, a prosa escorreita. Às vezes, acontece-lhes acertarem. Nas outras vezes, bem, este Mundo seria uma horrível maçada se todos fossem como eu, não é verdade?

  3. Paulo Jorge Vieira diz:

    Caro JMG
    Apenas para informar que nada me liga ao PCP exceptuando alguma amizades pessoais!

  4. lili diz:

    Não me lembro de si, não leve a mal, como o username, é composto por maiúsculas é-me mais difícil memorizar.
    Deve estar a falar da polémica que se gerou no Arrastão, por causa das directivas da D. Pulquéria. Algumas foram muito baixas, outras mais insidiosas, até uma campanha anti-lili se formou, lol, mas quase todas foram para me ofender, mas não são coisas daquelas que mandam abaixo.

  5. lili diz:

    Ah, já me esquecia, se há partido que detesto, como um todo, é o PCP, um dia destes tive uma pega com o dono do Água Lisa, blog que deixei de visitar, porque ele achou repugnante uma frase que a Maria Lamas disse numa última entrevista ao Fernando Dacosta, dizia ela que sentia que tudo tinha sido um logro, que deixava um mundo pior do que aquele em que tinha nascido; o dono do blog, um ex-militante do PCP, achou o pensamento dela repugnante.

  6. filipe canas diz:

    paulo,

    hoje saiu um artigo de opinião escrito por 4 generais sobre a possibilidade de gays serem militares.

    O primeiro parágrafo é logo para assustar. Começa asssim:

    “With the nation engaged in two wars and facing a number of potential adversaries, this is no time to weaken our military. Yet if gay rights activists and their allies have their way, grave harm will soon be inflicted on our all-volunteer force”.

    O resto é igualmente sinistro. Está aqui: http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2009/04/14/AR2009041402704.html

    Cumprimentos

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