ATENÇÃO: A chantagem “P.Socialista” já está em marcha para Lisboa

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(Straub/Huillet)

Circula agora uma petição, diz-se que encabeçada por 170 personalidades, liderada pelo presidente de uma tal Associação Política Renovação Comunista, para que a esquerda junte “forças” e conquiste a Câmara Municipal de Lisboa.
O erro para a esquerda se morder este isco é ou deverá ser total: pois não se trataria (e espero que nada disto sinceramente aconteça) de uma vitória de nada nem de esquerda alguma, obviamente, mas sim, apenas e apenas isso, de uma vitória do Partido autodenominado Socialista, servindo-se para deitar fora, e usando como bengala indiferenciada, as forças vivas da esquerda portuguesa e de Lisboa em particular, ou seja, o descartável (para o dito PS) eleitorado do Partido Comunista Português e do Bloco de Esquerda. A lição a retirar de asneiras deste tipo é aliás sempre a mesma: de cada vez que o PCP ou o BE (ou partidos afins por essa Europa fora) favoreçam uma acção vitoriosa do Partido autodenominado Socialista, PCP e BE perderão sempre, sempre, espaço, representatividade e campo de acção a médio e longo prazo nesse mesmo território que julgaram “conquistar” ou “ajudar a conquistar”. E isto repete-se desde há muito: o campo do PS tende a fazer sempre chantagem à esquerda com o velho “vem aí a direita”, fazendo emergir uma espécie de culpa antecipada da esquerda para que de mão aberta trabalhe para a vitória do PS, seus chefes e respectiva galáxia. Assim foi há muito tempo com Mário Soares contra Freitas do Amaral, uma dramatização sem nexo de actuais aliados.
Lê-se sobre esta questão lisbonense no site do “Público”:
O promotor da petição estimou que o eleitorado lisboeta esteja dividido em três, repartindo-se cada terço entre a direita, o PS e a esquerda. “Pode haver um pequeno golpe de asa em que haja uma percentagem a mais que crie uma situação de voltar a colocar uma pessoa como Pedro Santana Lopes [candidato do PSD] à frente da Câmara de Lisboa”, afirmou Paulo Fidalgo, sublinhando que “uma fragmentação da esquerda pode significar arriscar uma derrota” nas eleições.
Sinceramente, se acontecer o que este Paulo Fidalgo “ameaça”, qual é o problema? Não voto em Lisboa, trabalho em Lisboa, mas se votasse em Lisboa e tivesse de escolher apenas entre António Costa e Santana Lopes, claro que não escolheria. A minha abstenção crítica e livre de chantagem estaria mais do que garantida. Espero portanto que exista de facto esquerda em Lisboa, pois o problema de António Costa (ou do PS de Lisboa, com ou sem A. Costa) e de Pedro Santana Lopes, é um problema do PS e do PSD, é um problema deles.

Não é um problema que a esquerda tenha que resolver.

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