Câmara corporativa

Entre o artigo de Marinho Pinto há dias e o de Miguel Sousa Tavares anteontem sobre o caso Freeport existe em comum (para além de certos paralelos socio-culturais entre os seus autores que por pudor resisto a comentar) uma mesma reacção corporativa, do advogado face à magistratura, que me parece perigosamente próxima da cegueira – um tipo de reacção que permite, por exemplo, apresentar o impoluto cidadão Jorge Nuno Pinto da Costa como vítima da sanha inquisitorial da magistratura, quem sabe se não a soldo dos clubes da capital (outra cabala), em vez de olharem com um mínimo de lucidez e distância para a espécie de pessoa que Pinto da Costa de facto é e para o que ele representa em Portugal.

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

12 respostas a Câmara corporativa

  1. Carlos Vidal diz:

    Miguel Sousa Tavares é advogado?
    Além de Prémio Nobel da Literatura (não ganhou ainda?), também é advogado?
    E eu a pensar que ele era professor…………….

  2. Não se gosta de olhar com lucidez e distância para ninguém, aqui no burgo.
    E pior, há a estúpida noção que não se pode dizer mal de ninguém. Não se pode não gostar, nem dizer mal que é logo tudo uma cabala.

  3. Antónimo diz:

    Nos últimos anos, a defesa das liberdade cívicas tornou-se chão que deu uva. O afastamento de muitos comentadores dos jornais veio tornar a defesa dos direitos, liberdades e garantias numa terra de ninguém.

    Acredito que Marinho Pinto – e os advogados – tem o dever de defender a presunção de inocência e todas essas coisas que se parecem ter tornado letra morta.

    Gostava que Sócrates fosse com os porcos – como merece – por causa das suas políticas e não por um caso que parece mal contado e que ele também tem tentado usar a seu favor.

  4. CAA diz:

    Confusão!
    De pessoas, de dimensões, de conceitos, de categorias…

  5. António Figueira diz:

    Caro CAA,
    Se as “pessoas”, “dimensões”, “conceitos” ou “categorias” o confundem, pode sempre tentar explicar porquê.
    Cordialmente, AF

  6. miguel dias diz:

    O único critério com que se olha para o pinto da costa é o do sucesso: ele é impoluto porque ganha e o resto é conversa de invejosos. O que pinto da costa representa é a lógica de que para se ser bem sucedido, basta ter sucesso.
    acha, porventura, que sem crise, pleno emprego, a vidinha a correr bem a toda a gente, haveria caso freeport?

  7. Algarviu diz:

    Olhar com um mínimo de lucidez?! A nossa sociedade foi, e continua a ser, vítima de mau olhado! Só pode ser. Claro que o liberalismo, seja ele proto, clássico ou neo, advoga que o Estado não deve interferir na maneira como se olha. Mas as entidades reguladoras deviam actuar neste caso particular de mau olhado!

  8. António Figueira diz:

    Miguel Dias,
    Na América Latina, elege-se gente na lógica do “rouba mas faz”; essa lógica, cá, já chegou ao futebol e ao poder local; é um dever de cidadania impedi-la de passar daí.

  9. David Fernandes diz:

    Caro António Figueira

    Talvez seja por não ter lido os artigos que refere, o facto é que não sei “a espécie de pessoa que Pinto da Costa de facto é e para o que ele representa em Portugal. ”

    Ou talvez seja pelo simples facto de o não conhecer, nem bem nem mal.

    Talvez o António me possa esclarecer?!?

  10. José Ferreira diz:

    Se for honesto claro que pode esclarecê-lo
    Pinto da Costa é o Presidente do Futebol Clube do Porto
    Bi-campeão europeu, campeão da Taça Uefa, bi-campeão mundial de clubes isto externamente
    Internamente é o sufoco
    Campeão nacional 30 vezes (+-), Taça de Portugal 40 vezes (+-), Supertaças 25 vezes (+-) etc etc etc

    Campeão Nacional no lançamento da dor de corno

  11. miguel dias diz:

    António Figueira, a lógica não chegou cá. Sempre esteve e terá sido exportada para a América Latina.
    Por outro lado, não é verdade que se limite ao futebol e às autarquias, que a meu ver têm costas largas por serem mais visíveis. O exemplo vem de cima e com implicações bem mais graves.

  12. M. Abrantes diz:

    Para mim, cidadão comum, a culpa de Pinto da Costa é a que lhe for imputada pelos tribunais civis. O resto é presunção.

Os comentários estão fechados.