Entre o artigo de Marinho Pinto há dias e o de Miguel Sousa Tavares anteontem sobre o caso Freeport existe em comum (para além de certos paralelos socio-culturais entre os seus autores que por pudor resisto a comentar) uma mesma reacção corporativa, do advogado face à magistratura, que me parece perigosamente próxima da cegueira – um tipo de reacção que permite, por exemplo, apresentar o impoluto cidadão Jorge Nuno Pinto da Costa como vítima da sanha inquisitorial da magistratura, quem sabe se não a soldo dos clubes da capital (outra cabala), em vez de olharem com um mínimo de lucidez e distância para a espécie de pessoa que Pinto da Costa de facto é e para o que ele representa em Portugal.




Miguel Sousa Tavares é advogado?
Além de Prémio Nobel da Literatura (não ganhou ainda?), também é advogado?
E eu a pensar que ele era professor…………….
Não se gosta de olhar com lucidez e distância para ninguém, aqui no burgo.
E pior, há a estúpida noção que não se pode dizer mal de ninguém. Não se pode não gostar, nem dizer mal que é logo tudo uma cabala.
Nos últimos anos, a defesa das liberdade cívicas tornou-se chão que deu uva. O afastamento de muitos comentadores dos jornais veio tornar a defesa dos direitos, liberdades e garantias numa terra de ninguém.
Acredito que Marinho Pinto – e os advogados – tem o dever de defender a presunção de inocência e todas essas coisas que se parecem ter tornado letra morta.
Gostava que Sócrates fosse com os porcos – como merece – por causa das suas políticas e não por um caso que parece mal contado e que ele também tem tentado usar a seu favor.
Confusão!
De pessoas, de dimensões, de conceitos, de categorias…
Caro CAA,
Se as “pessoas”, “dimensões”, “conceitos” ou “categorias” o confundem, pode sempre tentar explicar porquê.
Cordialmente, AF
O único critério com que se olha para o pinto da costa é o do sucesso: ele é impoluto porque ganha e o resto é conversa de invejosos. O que pinto da costa representa é a lógica de que para se ser bem sucedido, basta ter sucesso.
acha, porventura, que sem crise, pleno emprego, a vidinha a correr bem a toda a gente, haveria caso freeport?
Olhar com um mínimo de lucidez?! A nossa sociedade foi, e continua a ser, vítima de mau olhado! Só pode ser. Claro que o liberalismo, seja ele proto, clássico ou neo, advoga que o Estado não deve interferir na maneira como se olha. Mas as entidades reguladoras deviam actuar neste caso particular de mau olhado!
Miguel Dias,
Na América Latina, elege-se gente na lógica do “rouba mas faz”; essa lógica, cá, já chegou ao futebol e ao poder local; é um dever de cidadania impedi-la de passar daí.
Caro António Figueira
Talvez seja por não ter lido os artigos que refere, o facto é que não sei “a espécie de pessoa que Pinto da Costa de facto é e para o que ele representa em Portugal. ”
Ou talvez seja pelo simples facto de o não conhecer, nem bem nem mal.
Talvez o António me possa esclarecer?!?
Se for honesto claro que pode esclarecê-lo
Pinto da Costa é o Presidente do Futebol Clube do Porto
Bi-campeão europeu, campeão da Taça Uefa, bi-campeão mundial de clubes isto externamente
Internamente é o sufoco
Campeão nacional 30 vezes (+-), Taça de Portugal 40 vezes (+-), Supertaças 25 vezes (+-) etc etc etc
Campeão Nacional no lançamento da dor de corno
António Figueira, a lógica não chegou cá. Sempre esteve e terá sido exportada para a América Latina.
Por outro lado, não é verdade que se limite ao futebol e às autarquias, que a meu ver têm costas largas por serem mais visíveis. O exemplo vem de cima e com implicações bem mais graves.
Para mim, cidadão comum, a culpa de Pinto da Costa é a que lhe for imputada pelos tribunais civis. O resto é presunção.