Sou um liberal contra a punheta

Uma das grandes falácias que marcaram o debate sobre o onanismo foi a de que se trata da decisão do homem e que, por isso, o Estado nada tem de se intrometer. Este raciocínio, errado como irei demonstrar de seguida, levou a que se associassem ao ‘Sim’ dois grandes grupos: os marialvas (porque se tratava do direito de todos os homens bater uma) e os liberais (que repudiam a intromissão do Estado/Sociedade nas decisões individuais de cada um).

Mesmo passado todo este tempo, considero que é de extrema importância repor alguma verdade ao debate. Será uma decisão verdadeiramente pessoal, sem interferência com qualquer outro? Não.

Como muita gente durante o debate pregou que o espermatozóide não é uma vida humana e que, por isso, não há assassínio, não me vou cansar a ‘picar’ este dogma de fé de quem é favoráve ao sim à punheta, vou ‘dar a volta’. Suponhamos que não há realmente uma vida no amável girino, que a vida é simplesmente potencial: virá no nascimento. Significa isto que a punheta não é um homicídio. No entanto, parece-me óbvio que é, pelo menos, uma privação de uma futura vida. Então a pergunta que se coloca é: qual é a diferença substancial entre matar e não permitir que se viva? Não há diferença.

Significa isto que a mão do homem vai ter repercussões: não vai permitir uma vida que é certa à partida. Pode então dizer-se que esta é apenas uma decisão do malandrão e que não afecta mais ninguém? Não.

Nota: A argumentação é uma singela homenagem ao Tiago do Corta-Fitas

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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14 respostas a Sou um liberal contra a punheta

  1. JP diz:

    Muito bem argumentado. Acho que é aqui que os padres vêm buscar os argumentos para defenderem que só se deve “mandar uma pinocada” quando é para procriar.

  2. Nuno Ramos de Almeida diz:

    JP,
    Se clicar no link vai ver que tem toda a razão.

  3. Morgada de V. diz:

    Nuno, every sperm is sacred.

  4. toulixado diz:

    Apetecia-me cortar a mão…

  5. Camelo no buraco da agulha? diz:

    À falta de tema… mais valia fazer gaiolas 🙂
    Agro-mentação? Homenagem (sim gela) só se for de pernas p’ró ar (meganemoH). Talvez devido ao adiantado da hora… A argumentação segue dentro de 5 dias (só assim te vale a pena?)

    http://forum-cidadania.blogspot.com/2008/04/s-assim-ser-poema.html

  6. Luis Rainha diz:

    Não sejas mau. O homem está mesmo convencido que aquele aborto disfarçado de pensamento é mesmo um argumento…

  7. Carlos Vidal diz:

    Li algures que esse tal Tiago tinha treze ou catorze ou dez anos de idade. Não sei onde o li, mas li – é correcto?

  8. Grunho diz:

    Além disso todo o óvulo devia ser fecundado para não se tornar numa “privação de uma futura vida”…

  9. Antónimo diz:

    João Gonçalves entre muitos elogios ao dito Tiago e sua argumentação disse que ele tinha vinte e poucos anos. os elogios devem ser por o blogue se chamar Prtugal dos Pequeninos e por isso promover a juventude.

    Agora, não percebo nem as laudas do Gonçalves aos argumentos (tantas vezes ouvidos) do tal moço nem as irritações daqui com uma conversa a destempo.

  10. jorge c. diz:

    Eu normalmente ponho a mão por baixo da coxa, deixo-a “adormecer” que é para dar a sensação de que é outra pessoa. Assim já não sou eu o assassino.

  11. pipi diz:

    E a masturbação feminina?,ahn ahn,fffffff .Esfreganço,nhamnham

  12. ezer diz:

    Há a probabilidade de 1/3 000 000 de assassinio,o que é residual.Com esta probabilidade equivale a levar com um vaso na cabeça ao passar na rua,digo eu!

  13. bloom diz:

    Jorge, se és dextro, experimenta com a esquerda. e vice-versa.

  14. Antónimo diz:

    Não andava por aí um comentário meu a isto?

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