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Santa ignorância

5 de Abril de 2009 por Nuno Ramos de Almeida

Confesso que leio religiosamente a Terceira Noite. Gosto da escrita de Rui Bebiano e não concordo com quase nada do que ele pensa. São as condições para um vício inteligente. Mas declaro-me em vias de vacinação. Raramente li um post tão preconceituoso. Criminalizar o enriquecimento ilícito não significa julgar duas vezes o mesmo crime. Pretende-se, como existe em muitos países da Europa e nos Estados Unidos, criar um mecanismo para conseguir julgar criminosos que de outra maneira seria muito difíceis  de apanhar. Os mecanismos da criminalidade económica são muitas vezes impossíveis de provar, o crime fiscal e o enriquecimento ilícito deixam traços que são mais duráveis. Não é por acaso que nos EUA, Al Capone foi apanhado por crime fiscal. Esse era possível de provar, os outros necessitavam testemunhas ressuscitadas e a descoberta de factos enterrados. Ao contrário que diz Bebiano, não estamos perante uma justiça de classe, mas uma alteração jurídica com vista a permitir que a justiça combata os crimes financeiro e de colarinho branco. O anti-comunismo não desculpa a ignorância.

Comentários

Comentário de vítor gil cardeira
Data: 5 de Abril de 2009, 22:18

Mas se é ilícito não é já crime? Para quê criminalizar outra vez?

Comentário de Luis Moreira
Data: 5 de Abril de 2009, 22:28

Em termos fiscais não se percebe, se não pela falta de vontade, porque não se taxa a esses filhos da puta 42% do que não declararam…

Comentário de Nuno Ramos de Almeida
Data: 5 de Abril de 2009, 22:31

Não consigo perceber onde retiram que se criminaliza outra vez. Significa apenas que determinados factos podem ser usados como prova para se provar os ilícitos. Nada mais do que isso. Nada é condenado duas vezes.

Comentário de Algarviu
Data: 6 de Abril de 2009, 14:00

Nuno,
esclareça-me uma dúvida: um tal senhor “Rogério Pereira” (ou será “Rogério da Costa”? ou simplesmente “da”?) trata-o por
“Nuno Almeida”. Mas v. insiste em se auto designar por “Nuno Ramos de Almeida”…

Comentário de Nuno Ramos de Almeida
Data: 6 de Abril de 2009, 14:12

Algarviu,
De quem é que você está a falar?

Comentário de Algarviu
Data: 6 de Abril de 2009, 14:29

Portugal, diz um tal de Nuno Almeida, a quem o zé povinho terá passado procuração (no meu caso, será mais um caso de gestão de negócios), está solidário com João Miguel Tavares. De que injustiça, questiono-me, estará este a ser alvo?

E depois nós é que somos os da causa causas fracturantes – é mas é comer gelados com a testa.

in Jugular, 04/04/09

Acho a sua resposta elucidativa… Também não me parece flor que se cheire o “da”. É assim que ele se chama, não ?

Comentário de Anónimo
Data: 6 de Abril de 2009, 19:19

O anti-comunismo não desculpa a ignorância. Mas os vícios intelectuais, o pensamento acrítico, toldam o discernimento. Rui Bebiano tinha interesse quando escrevia sobre o Dom João V, a guerra e essas coisas. Quando começou a remexer nos seus fantasmas púberes e em toda a riqueza do seu id (e isto não é irónico, sublinho: acho que o id de Rui Bebiano tem realmente muita fruta, como se vê pelo que escreve), aventurou-se a passar por gajo amargo e com fel para distribuir pelas ruas. É um professor doutor de Coimbra, por amor de Deus, e à maneira antiga (concerteza).

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