Literatura de fusão

No caso Dreyfus à portuguesa, o capitão e o seu algoz, Dreyfus e Esterhazy, a vítima e o tratante, são uma e a mesma pessoa e o anti-semitismo de antigamente é substituído por uma nova sanha persecutória, misteriosamente dirigida agora contra os indivíduos oriundos da Beira Baixa. Nesta cabala entram também potências estrangeiras, e o Serious Fraud Office faz as vezes do Hohenzollern que retorce os bigodes enquanto planeia a sua blitzkrieg. Zola, por seu lado, sofre de delusions of grandeur na sua Paris sur le Tage, mas ainda se aguarda que um dia acorde para a realidade e produza as grandes obras que se associam ao seu nome.

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SEXTA | António Figueira
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2 respostas a Literatura de fusão

  1. Camelo no buraco da agulha? diz:

    Nem outra cousa seria de esperar… Já nem com Zola a cousa se safa: mais lhe valera que continuasse dormindo (en paix)…

    R.I.P. http://www.youtube.com/watch?v=j_lbiuvVHjY

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