novos pobres

A SIC resolveu fazer um debate sobre a crise, e os chamados novos pobres. Desempregado há quase dois meses escuto atentamente as histórias onde cada vez mais me revejo. Escuto e ponho me a pensar no que tem sido a procura de emprego nestes últimos tempos e a dificuldade de viver o quotidiano!
Cansa-me o olhar “psiquiatrizante” da crise devido à presença de um psiquiatra – especialista no tema – mas que reforça esse olhar personalista e individual da crise, esquecendo as raizes bem mais estruturais da referida crise em que vamos vivendo.
Cansa-me este olhar centrado no individuo e tão descentrado do ser social que somos todos nós!

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

6 respostas a novos pobres

  1. ezequiel diz:

    Tens toda a razão, Paulo Jorge.

    “Cansa-me este olhar centrado no individuo e tão descentrado do ser social que somos todos nós!”

  2. A mim não me cansa, só; enoja-me já este olhar centrado no individuo quando este olhar corroí de tal modo o próprio individuo que a sociedade se transformou toda ela num doente crónico.

  3. Filinto diz:

    É tão centrado no indivíduo, tão subjectivo, tão subjectivo, que não nos diz nada.

  4. Paulo Jorge Vieira diz:

    não sei. acho que nos diz que o ‘unico’ culpado da crise é: o individuo que se sobre-endividou; o individuo que escolheu mal a empresa onde trabalhou porque não percebeu que esta nao tinha futuro; o individuo que não é brilhante no uso da cunha para estar na “segurança” do funcionalismo publico ou dos “jobs for the boys”.

  5. Filinto diz:

    Desconfio sempre que esses programas que falam de coisas sérias tentando por o ar blasé e “mostrar o outro lado” ou “os novos” isto e aquilo. Por vezes, não adianta nada dourar a pílula.

  6. rosinha diz:

    CITANDO PAULO JORGE VIEIRA…” acho que nos diz que o ‘unico’ culpado da crise é o individuo ,que se sobre-endividou; o individuo que escolheu mal a empresa onde trabalhou porque não percebeu que esta nao tinha futuro; o individuo que não é brilhante no uso da cunha para estar na “segurança” do funcionalismo publico ou dos “jobs for the boys”.
    100% de acordo com essa apreciação.
    Também eu, desempregada, (não há dois meses mas há quase 2 anos) me revejo em “algumas” situações. Espero sinceramente, não chegar a todas as que ali foram descritas, nelas incluo as referidas por Isabel Jonet, a Senhora que comanda a Indústria da Fome…Sim, a fome, a pobreza e as dificuldades dos indivíduos que passaram a “alimentar” um Banco. Choca-me , ver, ouvir esta mulher! Ela representa um Banco que se diz alimentar, mas não passa de uma máquina própria de uma estrutura que apenas existe e é alimentado pela fome dos outros…E Alimenta depois uma máquina de gente caridosa, pois claro! A RAZÃO de existir um Banco Solidário no País, é uma vergonha, que me faz corar!
    O prof.Bruto da Costa faz uma análise sociológica brilhante desta Indústria, pelo que me dispenso de tecer mais comentários.
    Gostaria só de acrescentar que não vi o programa todo. Mudei de canal.
    Aquela gente deprime-me! O psiquiatra e os outros..(salvo a prestação, na parte que vi do Dr.Fernando Ulrich).Afinal os desempregados parece que vão começar deprimidos e acabar loucos, sobretudo os mais velhos , cuja situação de Desemprego é de Longa Duração. É comparado às pilhas que duram, duram e nunca mais acabam, afinal este Desemprego é um Posto.
    De facto o Desempregado não passa de uma espécie que vegeta na sociedade, se alimenta dela, alimentando a sua preguiça, e só traz encargos adicionais ao País. Não trabalha porque não quer (até há trabalho, não há é empregos…), e há muitas matas nacionais e privadas para limpar !E valetas nas estradas, e ruas para varrer. Assim, como cuidar dos velhos e das crianças ( emprego social, tão valioso para a sociedade), etc. e tal!…
    Depois de contribuir para a Seg.Social e PAGAR impostos durante 35 anos , e ser forçada ao Desemprego, porque encerrou a empresa onde eu trabalhava, pareço ser aos 55 anos uma criminosa, com apresentações obrigatórias, quinzenais, à Segurança Social…E o mercado de trabalho, evidentemente exclui-me!…

Os comentários estão fechados.