Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto Ocupada


A FBAUP foi ocupada, de madrugada, pelos estudantes. Criaram um blog que está em contínua actualização e pode-se falar com os alunos pelo Skype. O documento votado e aprovado na Assembleia Geral de Estudantes é este:

Este acção insere-se na luta que começou no dia 24 de Março com uma manifestação e invasão da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e a criação do Movimento “24 de Março” que conta com estudantes de várias universidades dentro e fora da UP.
Tendo planeado outro protesto para o dia de amanhã, dia 1 de Abril conhecido como o dia das petas ou mentiras, em frente à Reitoria da Universidade do Porto com o tema “Mentira do dia: Acção Social”, os alunos decidiram ocupar pacificamente a FBAUP para organizar a manifestação, produzir materiais e também discutir a situação estudantil e do país.

As reivindicações :

1) A título urgente e de forma excepcional, suspender a cobrança de propinas a estudantes cuja continuidade da frequência do ensino superior se encontre em risco, dada a conjuntura socio-económica;

2) A constituição imediata de uma comissão paritária (estudantes e docentes) empossada pelo Conselho Directivo que tenha como missão proceder à identificação dos principais problemas levantados com a aplicação do Processo de Bolonha e a consequente formulação de um conjunto de propostas para a operacionalização ao nível administrativo, lectivo e pedagógico dos principais bloqueios que vêm sendo denunciados pela comunidade académica;

3) Acautelamento, por via de um requerimento ao Conselho Directivo da Reitoria da UP, da não diminuição da representação relativa dos estudantes nos órgãos de decisão das Faculdades e da Universidade;

4) Tendo em conta que vários estudantes são obrigados a pagar valores elevados pela frequência de poucas cadeiras, propomos que o pagamento das propinas seja efectuado em relação ao valor dos créditos das cadeiras em que o aluno está inscrito no respectivo ano lectivo (sendo aceite um pequeno valor de base para despesas de funcionamento geral);

5) A concessão de entrevistas, da parte dos Serviços de Acção Social da Universidade do Porto, destinadas a avaliar casos de estudantes em situações de precariedade financeira, tendo em vista a atribuição de vales de refeição nas cantinas dos SASUP, nos casos em que se justifique.

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9 respostas a Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto Ocupada

  1. M. Abrantes diz:

    Fechar uma escola para protestar contra as condições do seu funcionamento, pode ter tanto sentido como deixar de respirar para protestar contra a poluição. Revela uma total falta de entendimento do papel e do simbolismo de uma escola numa sociedade democrática moderna. Tem que haver melhores maneiras de chamar a atenção dos outros do que estas bolorentas tácticas ao estilo do PREC.

  2. Manuel Lopes da Cunha diz:

    Enquanto aluno do Ensino Superior que fui (entre 2003 e 2008) uma das coisas que mais me chocou foi a “velha” questão da Acção Social e da autentica FRAUDE que muitos, mesmo muitos, dos meus colegas faziam aos Serviços Sociais da Universidade. Gente com bons carros, a levar uma vida “folgada” (com grandes jantaradas, idas a bares e a discotecas, casa alugada ao lado da Universidade, etc) dirigia-se aos Serviços Sociais da Universidade, apresentava a declaração de rendimentos (falsa, imagino eu) dos papás e depois era a total VERGONHA: propinas pagas pelo Estado a que muitas vezes se juntavam bolsas em dinheiro que podiam ir de 100 até, se não me engano, 450 euros por mês!!!!!

    Felizmente nunca tive necessidade de recorrer à ajuda estatal para a educação e penso que terá sido esse ponto (e o facto de não querer arranjar problemas com um problema que não me dizia directamente respeito, isto é não me prejudicava directamente) que me levou a estar calado durante os meus anos de estudante universitário e a não denunciar a fraude que uma percentagem razoável dos meus colegas cometia.

    Bem sei que há muita gente que faz verdadeiros sacrifícios para por os filhos a estudar. Cheguei a ter colegas que passaram necessidades e que não tiveram direito a bolsa…Enfim, uma vergonha…
    A pergunta que aqui deixo é, portanto a seguinte: Porque carga de água é que as Associações de Estudantes não começam por denunciar os aldrabões dos colegas antes de criticarem o Estado?
    Enquanto isto continuar assim não vamos a lado nenhum…Só tenho pena de quem sai prejudicado com isto…

  3. Carlos Vidal diz:

    O cancro que é Bolonha está a rebentar um pouco por todo o lado. Ainda lentamente, muito lentamente, quase imperceptivelmente.

  4. Obrigado pelo apoio!
    http://ocupacaobelasartes.blogspot.com/2009/04/hoje-aprendemos-lutar.html

    Sr. Abrantes, uma nota: Ficamos felizes que compare a situação do Ensino Superior à situação preocupante da poluição.

  5. Manuel Lopes da Cunha diz:

    Ocupação FBAUP,

    E quanto à situação de que falei, vão fazer alguma coisa?Ou vão a continuar a fingir que não se passa nada e ignorar o PRINCIPAL problema dos Serviços Sociais das Universidades?

  6. Fábio Dionísio diz:

    Caros (e especialmente para o Carlos vidal),
    sou estudante de Pintura do curso de artes visuais da Universidade de Évora e estive presente nos protestos de 24 de Março ajudando na organização da manif eborense. Conseguimos pouca adesão da parte dos colegas (o que parece acontecer também agora com os colegas das belas-artes do Porto, o que revela estarmos ainda muito longe de reunir as condições necessárias a um combate que terá que ser progressivo, continuo e bem estruturado contra o “cancro” de “Bolonha”, do RJIES, das universidades transformadas em Fundações de Direito Privado (a caminho da privatização total…), das Propinas (que atingem já valores elitizantes) dos interesses do capital dentro das universidades (principal ataque a democracia dentro das universidades), etc. É necessária a ajuda de todos, e principalmente dos professores universitários como o Carlos Vidal, para ganharmos mais razão e força: por uma escola Pública e Democrática. Todo apoio aos Colegas das Belas Artes do Porto. Em frente!

  7. Tiago Mota Saraiva diz:

    Manuel Lopes da Cunha, admito que existam injustiças na distribuição das bolsas. Mas é “pidesca” a ideia de serem os alunos e AE’s a controlar quem é que deve ter benefícios sociais ou não.
    Como é que se faria?
    Aluno que chega à faculdade de carro, participação aos Serviços Sociais…
    Aluno que vai jantar fora, participação aos Serviços Sociais…
    Aluno que compra mais de 2 maços de cigarro por dia, participação aos Serviços Sociais…
    Desculpe a violência da resposta mas estou farto de ouvir esta argumentação que parece culpar as organizações de estudantes das deficiências dos nosso ridículo sistema fiscal.

  8. Manuel Lopes da Cunha diz:

    Tiago Mota Saraiva,

    Aluno que consegue enganar os Serviços Sociais e que é motivo de conversa dos colegas por estar a cometer uma fraude, deve passar de motivo de conversa para motivo para denúncia…Se o Tiago assistir a um atropelamento e souber quem é o culpado vai ficar calado? A comparação pode parecer estúpida, mas o que é facto é que deve perder-se o ainda mais estúpido hábito do “porreiro pá” e do “deixa andar”…Há alguma justificação válida para estes casos não serem denúnciados? Será que só não se denunciam por ser feio “chibar”? É uma questão de pensar qual das coisas é mais importante: corrigir uma situação injusta ou “proteger” um colega burlão.
    O que eu defendo (e que infelizmente não fiz enquanto estudante) é que quem beneficia ilegalmente dos apoios estatais deve ser denunciado. E os estudantes conseguem fácilmente saber quem está a burlar o Estado, sem ser necessário andar a contar maços de tabaco fumados (eu, enquanto estudante sempre soube quem na minha turma recebia indevidamente apoios…muitos quase se gabavam disso!!!!)…

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