A culpa, afinal, é dos (im)pressionáveis

“A procuradora-geral adjunta Maria José Morgado defendeu, em declarações ao Rádio Clube, que desconhece pressões sobre os procuradores do Ministério Público (MP) e que, na sua opinião, os magistrados corajosos não são pressionáveis. ‘Nenhum magistrado que é corajoso é pressionável. Temos um estatuto do Ministério Público que é bom e não é fácil pressionar um magistrado’, disse Maria José Morgado.”

Na linha desta lógica revolucionária, proponho também o arquivamento dos processos de corrupção no futebol: nenhum árbitro honesto pode ser corrompido. What the hell, let’s be daring: arquivem-se todos os processos de corrupção “tout court”.

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5 respostas a A culpa, afinal, é dos (im)pressionáveis

  1. Pedro diz:

    morgada, non sequitur.

  2. António Figueira diz:

    Toda a gente é pressionável, nem toda a gente é pressionada, toda a gente é corrompível, nem toda a gente é corrupta; dito isto, não me parece que os magistrados do MP se assemelhem (felizmente) aos árbitros de futebol; melhor, precisamos mesmo dos magistrados do MP para nos vermos livres de alguns árbitros de futebol.

  3. Caro António, longe de mim comparar a probidade dos magistrados do MP e árbitros de futebol: o que está em causa não é saber se uns e outros são pressionáveis, mas sim se houve ou não tentativas de os pressionar – caso em que não poderá deixar de se abrir inquérito, em vez de se assobiar para o ar. Que a procuradora-geral adjunta venha dizer que “desconhece pressões sobre os procuradores do Ministério Público” (quando os dois procuradores responsáveis pelo caso Freeport se queixam de terem sido pressionados para arquivar o processo) e que “os magistrados corajosos não são pressionáveis”, é atirar com a bola para fora – e só por isso sugeria que, a estender-se esta lógica, por ex., ao futebol, deixaríamos de investigar se há ou não tentativas de corrupção por parte dos dirigentes desportivos, para anunciarmos simplesmente, num espírito de wishful thinking, a incorruptibilidade dos árbitros (pelo menos dos que são honestos). Se isto não ficou claro no post, provavelmente o post não era claro. 🙂

    Pedro, o non sequitur foi usado como expediente cómico, para frisar o absurdo da lógica da procuradora adjunta, mas se calhar tem razão, é melhor deixar as graças para a Maria José Morgado.

  4. Tem piada o Figueira ter vindo disfarçado o facto de misturares alhos (pressão) com bugalhos (corrupção), Morgada de V. Chega a ser comovente.

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