O que tem a ver com isso?

No seu blogue Causa Nossa, Vital Moreira mantém un Diário de Campanha, ou seja, um dário da sua campanha ao Parlamento Europeu, onde assinala a quadragésima vez (e por aí fora) que apresenta publicamente a sua candidatura pelo Partido Socialista. Pratica aí uma autopromoção sistemática, o blogue é seu, não vejo nisso nada de importante nem interessante. Não estou interessado na sua lista, por isso pode falar dela e de si milhentas vezes. Mas o que me causa maiores problemas é quando intenta dissertar sobre as questões relativas às listas de outros partidos. Por exemplo, decidiu há dias sublinhar que o PSD ainda não tem cabeça de lista e especular sobre isso. Suponhamos que nem o PCP nem o BE tinham listas (mas têm). O que se passa nas escolhas dos outros partidos diz respeito a Vital Moreira?? Quer apressá-las ou “lutar” apenas se  conhecer os oponentes com antecedência?
Tem Vital Moreira alguma coisa a ver com os timings e as escolhas dos adversários?, ou julga o professor de Coimbra que, mal foi ouvido o seu nome, os “exércitos inimigos” desbarataram de imediato?

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21 respostas a O que tem a ver com isso?

  1. Tiago Mota Saraiva diz:

    Na “mouche”.
    O que interessa a política ou o posicionamento do PS dentro da União Europeia? O que preocupa Vital são os outros.
    E já reparaste que parece que Vital vai sozinho para a Europa. De acordo com o Público de hoje, o designado representante dos Açores, não quer integrar as listas do PS para o Parlamento Europeu.
    De resto apenas Elisa Ferreira disse que fazia companhia a Vital, caso o povo a desprestigiasse, elegendo-a para vereadora da Câmara Municipal do Porto.

  2. Eu não ouvi ainda nada dito pelo Vital Moreira, mas aceito que ele saiba que uma eleição é um confronto entre 2 e/ou vários. Como creio ser evidente a identificação do oponente é um factor critico num confronto. Tomemos como exemplo uma partida de futebol (está na moda) entre duas equipas definidas, eu sou o treinador de uma a outra não sei quem quem vai ser ser, mas não é irrelevante se for o Mourinho ou o Cajuda porwue cada um deles olha para o confronto de forma diferente e vai posicionar os elementos, articular os movimentos e utilizar as vantagens de desvantagens que tem de forma diversa, certo?. Compreendo assim a dificuldade de esgrimir contra quem não se sabe quem é.

  3. Carlos Vidal diz:

    Então, caro Rogério Fragoso, parece que está a dar a boa táctica para os partidos da oposição ao PS, não é verdade?

  4. mdsol diz:

    1) Sendo o blog do V.M. o que eu acharia motivo de realce era se ele fizesse campanha por outro partido.

    2) Porque é que os outros podem ter uma táctica (subentende-se que o silêncio fará parte de qualquer coisa desse jaez) e o VM não pode? (nomeadamente argumentando a partir do silêncio dos outros)

    3) Concorrer a uma eleição não tem nada a ver com competir num jogo de futebol. A única semelhança está na presença do elemento agonista. Tudo o resto é de natureza radicalmente diferente. Por isso, as analogias tendem a ser amigas de Peniche…

    Mas isto sou eu aqui a falar que sei muito pouco…

    :))

  5. Carlos Vidal diz:

    caro mdsol,
    Concordo com o seu comentário em um ou dois pontos.
    E até acho que Vital Moreira deveria falar mais de si no seu blogue do que dos outros enquanto ausentes. Por exemplo, em nenhum momento da história da democracia portuguesa eu vi ser motivo de campanha dos partidos em jogo saber se o outro partido, A ou B ou C, vai apresentar fulano ou beltrano como cabeça de lista por Coimbra, Viseu, Funchal, etc. Isso tem sido principalmente tema para jornalistas e analistas, e não para candidatos. Nunca vi que o combate entre PS, PCP ou PP, etc, por muito pobre que seja, passasse por saber quem é que vai por Viseu ou Faro – ou um partido dizer do outro que tem cabeça de lista por Faro, mas não tem por Viseu, e isso quer dizer que …….. Isto é ridículo, é mais pobre do que a pobreza que já reina na política em tempo de eleições.

    Até agora Vital Moreira fala mais da ausência de candidato PSD do que dele próprio, por isso meu caro mdsol, acho que Vital deveria era falar ainda mais dele e do seu PS. E o seu (dele) Causa Nossa poderia servir para isso mesmo, porque não?

    O que é que os outros partidos têm a ver com a preocupação de Vital quando diz mais ou menos isto “é inaceitável eu ainda não conhecer os meus adversários todos”. Ora, se ele está precupado com isto, isto é só problema dele e de mais ninguém. Não é claro?

  6. Não percebo qual o problema de Vital Moreira comentar quem quiser. Só faltava que não o pudesse fazer à vontade no seu próprio blog! O facto de ser candidato ao PE diminui de algum modo a sua legitimidade de comentador das campanhas alheias? A haver alguém que pudesse achar inconveniente seria o próprio Vital Moreira, eventualmente…

  7. mdsol diz:

    Obrigada pela resposta. Ah! e sou a e não o. Mas o Carlos Vidal não é obrigado a deduzir a partir de um “nickname” :))

    Só como argumentação: eu poderia concluir que o VM é inovador; que nos “outros momentos” não havia blogs, ou tinham pouco significado ou, ainda, os candidatos não eram autores. Pode-se admitir que este tipo de abordagem tem a ver com o facto de se realizar no blog e não substituir outras abordagens mais canónicas ou ortodoxas, chamemos-lhes assim. Podem-se fazer muitas críticas a VM. Não me parecem justas as que lhe atribuem discurso pobre ou actuação ligeira. Se há coisa que ele tem é um discurso rico, concorde-se ou não com ele.
    E não me alongo mais porque não tenho nada a ver com a candidatura do VM, nem sou do PS nem …
    :)))

  8. Pi-Erre diz:

    “Se há coisa que ele tem é um discurso rico, concorde-se ou não com ele.”

    Bem, vou ali e já venho. Adeeeeeuuuuuuuuuus…

  9. Carlos Vidal diz:

    Tiago Azevedo Fernandes, Vital M. pode comentar o que quiser e quando quiser, obviamente. Só uma nuance: acha que o PS ou o partido X devem determinar quando é que o PSD ou o partido Y apresentam ou não as suas candidaturas: já agora também definiam o candidato, não???
    Desde quando é que um partido apresenta a sua candidatura a mando de outro partido e no calendário pretendido pelo outro???

    De resto, concordo com Pi-Erre, se Vital tem um discurso rico, eu também vou ali e já venho………………

  10. É evidente para todos, penso eu, que nenhum partido determina os tempos dos outros partidos a não ser pela “pressão política” legítima. E, quando muito, é isso que VM está a fazer. Porque razão isso é criticável? (Se bem que a crítica seja igualmente legítima, entenda-se. 🙂 )

  11. Paulo Ribeiro diz:

    humm…! ó malta radical! calma… muita calma. é um doutor de coimbra, meu deus! quer dizer, pode falar de tudo e na práctica fazer de tudo, ok!? sim eu sei que no exacto momento do anúncio deste candidato, o mundo quase parou e vexas e as vossas cabeças radicais deram uma espécie de nó. o resto é espuma… de raiva! olhem p’ra vocês: Grrr!xXS#$@0, o gajo é do melhor c……! sabem que mais, três vivas à social-democracia! viva!viva!vivaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

  12. miguel dias diz:

    Vidal, estranho que, quem como tu, tão visceralmente crítico da democracia parlamentar, não perceba o alcance da coisa. Para VM o “debate” não é com o pc ou o be (a quem eventualmente atirará um osso, sendo ele próprio um osso), que representam interesses muito divergentes. Quem compete na esfera de interesses que ele representa é o psd, e portanto o debate não interessa que seja “político”. Será sempre uma questão de performance, entre quem representa melhor. Ora, se os holofotes o iluminaram, neste momento a luz é tanta que o homem não consegue ver, até porque por enquanto não há ninguém para ver. Por isso compreende-se o desespero por encontrar alguém com quem se comparar. Fala para as paredes e ninguém o ouve (só tu pelos vistos), porque sem adversário, não há assunto que interesse aos “interesses”, na precisa medida em que para estes ainda não há escolha a fazer.
    Não sei se a minha Manela, ainda não escolheu porque não sabe quem, ou se (hipótese que reputo como mais interessante) anda a ler Mao, Guevara, Ho Chi Min e Amílcar, tal a excelência da táctica digna de figurar dos manuais de guerrilha :desgastar o adversário mais bem equipado, dando-lhe a iniciativa na terra de ninguém- ou mais precisamente no território da esquerda-, para depois desferir um golpe certeiro.
    ps- e a pergunta em baixo do teu (nosso, se não levares a mal) Badiou, não tem resposta?

  13. Carlos Vidal diz:

    “o gajo é do melhor”
    Veremos, Paulo Ribeiro, veremos, as eleições estão aí.
    Em todos, mas mesmo em todos os aspectos, Ilda Figueiredo ou Miguel Portas são muito mais capazes.

    Além do mais, não sei como é que o eleitorado reage à subserviência – àquele que trabalha desumanamente para agradar a um “chefe” que, no momento, tem poder: Vital Moreira é disso um paradigma, e o eleitorado não deve gostar desse tipo de situação acrítica (para não dizer pior, pois nem tudo se pode dizer).

  14. mdsol diz:

    Então Pi- Erre a Carlos Vidal vão ali, mas mas venham mesmo logo porque é um prazer ler o que escrevem.
    Carlos Vidal, cuidado com as consoantes do sobrenome… Não troque mesmo nenhuma rsrsr
    :))))

  15. Carlos Vidal diz:

    Caríssimo miguel, a pergunta do nosso Alain tem resposta, e o próprio achando-a a mais importante das questões (e das mais difíceis) apontou uma via de resposta que, se me permites, sintetizo (por agora, para depois voltar ao assunto) – trata-se de considerar o século XX como o século do fracasso não do comunismo, mas da figura chamada “partido” (partido político em geral). Em seu lugar teremos agora os novos movimentos, movimentos que não se confinam aos interesses dos seus representantes, nem aspiram ocupar o espaço do Estado (como último foco) – ou seja, o movimento, afastando-se dos interesses particulares, é igualitário e configura-se “longe” do Estado: tem de inventar novos processos de intervenção: Mao inventou a “guerra prolongada”, os zapatistas a “negociação armada prolongada”, etc. A política ou é invenção ou não é política. Mas, voltarei a estas questões.

  16. miguel dias diz:

    mdsol:
    como vês o Vidal foi ali levar o partido para voltar com o movimento.
    vidal:
    sem me querer antecipar aos teus timings, mas antecipando, para que servem movimentos que não querem ocupar o lugar do Estado?
    (responde quanto e se te der jeito, que entretanto eu vou-me entretendo com o Badiou, que muita falta me tem feito e que muito grato te estou por o teres referenciado).

  17. almajecta diz:

    Grande postagem Carlos grande postagem.
    O homem quer confronto para tentar organizar a bricolage de ideias que levará na mala de cartão para Bruxelas. Deixa lá que as raparigas vão ajudá-lo, quando levar com o primeiro embate do Lobbie ing. E depois há sempre uns restaurantes Vietnamitas e tal.
    O que o Michael quer dizer é que a indústria e a dos moldes da zona centro ainda representa qualquer coisa. Quanto á luz vinda de baixo o STILL, olhar para o light Bounce em 2D é diferente de estar diante dela, nem o Fausto, esse mesmo, o das músicas no Metro. Aqui também se aplica aquela do real pagamento ( não em papel azul de 25 linhas ) como é evidente.
    Oh! Depois da indústria da cultura a indústria do entretenimento e da ecologia via ETAR.
    Michael com efeito…
    Parece impossível.

  18. O “social-democrata” TAF, na sua sanha anti-MFL, já nem desdenha vir em defesa do VM.
    Pobre PSD!

  19. Caro comentador “Bué da Fixe”

    Pior! Até Elisa Ferreira defendo no Porto, no Delito de Opinião… 😉
    Como é público, tudo o que eu digo e faço faz parte duma monstruosa cabala contra MFL.

  20. almajecta diz:

    Qual diário qual quê, o homem está a lutar contra moinhos de vento, talvez contra as constituições da Bielo Russia e da Ukrania a integrar em breve a UE, e está de olho tambem na Tymoshenko.

  21. almajecta diz:

    continua a faltar-lhe a atitude fundamental de interrelacionar investigação com prática profissional política, não basta fazer de alter ego doutoral, nos media e afins do nosso bom e grande 1º ministro.

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