O Auto-Cidadão

O auto-cidadão pesa uma tonelada e ocupa 4 metros quadrados, precisa de espaço.
O auto-cidadão tem fome e sede. Em Portugal a sua fome é de um terço do défice comercial.
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O auto-cidadão é furioso, e morrem mais que 2 pessoas por dia às mãos de cidadãos-automóvel.
O auto-cidadão precisa de espaço, muito espaço. Em Lisboa há 30% de auto-cidadãos, mas a maior parte do espaço público, passeios incluídos, é seu.
O auto-cidadão é egoísta,e todos os dias atrapalha os outros auto-cidadãos, irrita-se, discute com eles, mas, apesar de tudo, tem-lhes respeito.

Nada enfurece mais o auto-cidadão do que ver qualquer coisa que não outros auto-cidadãos ocupar o espaço que é dele, que foi construído para ele. Atrasar o seu movimento é impedir a mobilidade, é atrasar o próprio progresso. O seu movimento, perigoso, pesado, exigente, açambarcador, é um direito.

O seu direito de ocupar e utilizar espaço está acima de qualquer outro, seja ele o de manifestação ou um evento de fim de semana.

O auto-cidadão recusa-se a ver os limites dos seus direitos e recusa-se a aceitar que haja na sociedade quem não seja auto-cidadão. E que essa maioria também tem direitos.

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