E se fossem meio-maratonar pró aeroporto?

E agora pergunto: com que direito é que alguém corta um via essencial no acesso à capital do país (a Ponte 25 de Abril) por causa de uma meia-maratona? Sim, digam-me. A ponte foi construída para os automóveis ou para atletas da treta de fim de semana? E não é verdade que a via alternativa [Ponte Vasco da Gama] fica aí a uns 30 Kms? A cada cidadão que foi obrigado a essa via alternativa, quem é que paga a despesa (e o tempo) extra? É mesmo obrigatório copiar todos os disparates que se fazem lá fora? Esta mania higiénico-nazi do mens sana in corpore sano não tem limites? Porque não no aeroporto da Portela? Não falta espaço. Mas, na Portela, não me cheira a que a coisa alguma vez se faça: é mais fácil o Estado dar cobertura a quem quer chatear milhares de cidadãos comuns desorganizados do que a quem quer interromper por umas horas os negócios de meia dúzia de companhias de aviação. Manda quem pode, obedece quem deve.

Sobre João Pedro Henriques

Jornalista
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29 Responses to E se fossem meio-maratonar pró aeroporto?

  1. Pedro diz:

    E porque não ir fazer manifestações para o aeroporto? Ou para os montes alentejanos onde não impedem ninguém?

    PS: Para que não hajam dúvidas, é um comentário irónico…

  2. Este artigo é a gozar, não é?
    Já dizia o Ricardo que eu levo tudo a sério, mas nem eu consigo levar a sério este artigo.
    Por muito ubíqua que seja, a cultura do cidadão-carro tem limites

  3. asvoltasqueistodá diz:

    não conheces? – gloriafacil.blogspot.com/2007/08/ecoterrorismo.html

  4. bloom diz:

    O inalienável direito ao disparate…

  5. Apoio, subscrevo e se fizessem um abaixo-assinado até encabeçava as assinaturas!

  6. pma diz:

    repito a pergunta do primeiro comentário…(com alguma ironia)

  7. Sérgio Pinto diz:

    asvoltasqueistodá,

    Exceptuando o título desproporcionado e absurdo, tenho certas dificuldades em discordar com o que o JPH escreve nesse post do Glória Fácil. Quer fazer o favor de explicar?

  8. helderega diz:

    Este acordou mal disposto ou é mesmo chato de nascença?

  9. Carlos Vidal diz:

    Como considero ridícula (e mais do que isso, mas mais não digo) a colecção de fotos do jogging de J Sócrates, que aqui tenho “trabalhado”, e como dispenso a ideia de “corpo são” em voga, gostando também de coisas como a imperfeição e uma certa sujidade, tenho de concordar com este post, felicitando (atrasado nalguns dias) o seu autor pela entrada neste blogue “belicoso” (segundo o Nuno, o que é verdade).

  10. asvoltasqueistodá diz:

    sérgio,

    quando se manda pra “puta que os pariu” uma quantidade de pessoas, o título é o menos, apesar de claramente desproporcionado…

    mas enfim, já se chama terrorista a tanta gente, mais uns menos uns não vão acabar com a banalização que a palavra tem sofrido ao longo dos últimos anos (décadas?)

    o comentário nem era para o jph, era para o joão branco

    como não o leio regularmente, não posso avançar com mais exemplos, nem me apetece fazer de inquisidor e andar a vasculhar blogs e jornais…mas das duas uma, ou o jph tem uma tendência para os insultos reles e há de ter mandado pro mesmo caminho muita gente, ou tem um amor ao milho que é obra!!!
    já viu a quantidade de notícias, bem mais tristes que aquela de silves, diariamente na comunicação social?

  11. Paulo Ribeiro diz:

    pssst! estão proibidos de levar a mal! ouviram!? qualquer coxo levará a mal este evento.

  12. João Branco diz:

    A via “alternativa” não é alternativa. Talvez o seja para o cidadão-automóvel

    A minha via preferencial

    A minha via “alternativa”

  13. António Figueira diz:

    Pior que as maratonas, que nos lixam os fins de semana, só as visitas oficiais, nos outros dias, que transformam Lisboa numa espécie de Ouagadougou, cheia de polícias, batedores, carros oficiais – e bichas infindas para o resto da malta.

  14. João Pedro Henriques diz:

    Toda a razão, António. Essas comitivas são mais um sinal da arrogância do Estado pra com o pobre cidadão comum. Sem ironias.

  15. Não me parece que tenha razão, João Pedro Henriques.
    Exceptuando o folclore habitual associado ao primeiro-ministro, penso que todas as oportunidades são boas para se tirar os carros das cidades, nem que seja por algumas horas.
    Lamento a palhaçada em que se tornou o Dia Europeu sem Carros. Lamento que não sejam criados mais faixas «bus». Lamento que nada se faça perante o selvagem estacionamento em cima dos passeios, das linhas «bus», das passadeiras, das paragens de autocarro.
    Lamento que se vá construir mais uma ponte sobre o Tejo que não é exclusivamente ferroviária e que vai permitir a entrada de mais uns quantos milhares na cidade.
    Lamento este «post».

  16. Sérgio Pinto diz:

    asvoltasqueistodá,

    Lamento, mas considero bem mais grave a destruição de propriedade alheia do que a utilização do palavreado com que o JPH se referiu aos criminosos. E não, não sou neoliberal nem nada dessas coisas (bem pelo contrário), mas acho absolutamente inadmissível que alguém que apoie a liberdade possa caucionar acções desse género. O 25 de Abril não foi feito para meia dúzia de saudosistas da URSS poderem andar de braço levantado uma vez por ano.

    O que me parece mesmo absurdo e contraprodutivo é a utilização do rótulo “terrorista” por ‘dá cá aquela palha’, ponto em que concordo consigo.

  17. phaedrus diz:

    Diz-se: “mens sana in corpore sano”.

  18. miguel dias diz:

    JPH, como se diz aqui no porto, vai a’ volta.

  19. lili diz:

    Como li algures, num comentário, ”O Alentejo é imenso”.

  20. Ibn Erriq diz:

    Na minha terra ainda se diz mais. “Vai à volta que a cadela está parida”

  21. M. Abrantes diz:

    É tradicional que as maratonas das grandes cidades, vistas nas tvs de todo o mundo, exibam uma boa parte daquilo que se considera os ex-líbris urbano/paisagísticos da cidade. Pode-se gostar ou não.

    Agora essa da mania higiénico-nazi foi mesmo louca. Uma bebedeira do aeroporto.

  22. LAM diz:

    E o “Rui”? Como se teria sentido o “Rui” parado mais uma vez no meio do trânsito e sem a voz da Eduarda Maio para lhe explicar que estavam a maratonar contra ele?

  23. LAM diz:

    Ainda por cima não se pode dizer que uma MEIA-maratona faça bem. Quanto muito faz benzinho. Ou se assume o “mens sana in corpore sano” (obrigado phaedrus) e se faz UMA maratona, como deve ser com todos os matadores, desmaios ataques cardíacos etc, ou isto é andar a brincar com o povo. É, como exemplo de sinal contrário, o adepto da feijoada andar a comer meias-doses. Não faz sentido.

  24. Coitado do autor deste post. Aliás é mesmo um pobre coitado. Quer andar de pópó ao domingo e fica sem saber como. Certamente queria ir a Lisboa para tommar uns copos com os amigos/as, ou então passar o dia na Costa……coitado ficou umas horitas sem saber o que fazer…..Dá cá uns nervos quando não se pode andar de pópó……ou esqueceu-se que na ponte ( atal que foi feita para passar carros) também passam lá comboios.

    Desculpa lá mas o teu direito à diferenca dá para bateres numa tecla errada. Tens de mudar de planet………..olha apanha o avião no aeroporto, pois lá não tinhas problemas.

  25. Bejense diz:

    Você é um idiota.

  26. Para “Bejense”:
    Antes um idiota do que um cobarde que assina insultos com pseudónimo.
    Para “José Xavier”:
    Já não me lembro da última vez que usei a Ponte 25 de Abril. Não faz parte do meu dia-a-dia

  27. LAM diz:

    Bejense,
    nem sei se se refere a mim, ao meu comentário.
    À cautela, e para quem a comentar só tem a dizer “você é um idiota” (o que é o mesmo que não dizer nada supondo que teria algo a dizer), permita que resuma a resposta a um “vá pró caralho”!
    Minimal como como convém, educado como se quer.

  28. Tiago diz:

    Caro João,

    O protestar por protestar parece-me bem. Afinal de contas vivemos numa sociedade democrática e temos todo esse direito. Claro que o direito ao protesto nos expõe também à crítica…
    Antes do seu post ter-se-á lembrado que podia:
    :: apanhar o comboio entre as duas margens?
    :: o barco Trafaria-Belém?
    :: o barco Cacilhas-Cais do Sodré?
    :: o barco do Seixal? e o do Barreiro?
    :: ou até mesmo o avião (e aí poderia ir visitar o aeroporto) até Faro e depois voltar até à Margem Sul?
    Enfim, a ponte 25 de Abril é uma das soluções de passagem e ficar encerrada por umas 4 horas a um Domingo de manhã não me parece assim tão escandaloso…

    Mas agora, a pérola do seu post: “interromper por umas horas os negócios de meia dúzia de companhias de aviação”!!
    Porquê a necessidade de bater nas companhias de aviação como os mauzões capitalistas e cheios de lucros? Que eu saiba lucros é uma coisa pouca vista neste sector!

    Se o aeroporto parasse não seriam também as pessoas que querem viajar os prejudicados? Em vez de ir para a Costa não poderiam ir para Cabo Verde. Não é o mesmo destino mas a situação sim…

    Para o próximo ano experimente participar na Meia-Maratona. Vai ver que vai gostar!

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