E se mudássemos tudo?

414px-hammer_and_sicklesvg

A revista Alternatives Economiques faz este desafio aos seus leitores. Nas suas páginas apresentam um conjunto de políticas alternativas económicas  que em conjunto transformariam o planeta. Seriam uma espécie de reformas revolucionárias que funcionariam para aproveitar a crise para mudar o paradigma económico e político. O mais extraordinário é que se trata de pequenas alterações, mas que em conjunto fariam uma autêntica revolução.

1. E se metade dos membros do conselho de administração das empresas fossem representantes dos trabalhadores? A medida já existe na Alemanha em que metade dos membros dos CA, das empresas com mais de 2000 pessoas, são eleitos pelos empregados.

2. E se fosse estabelecido um salário máximo?

3. E se fosse suprimido o direito de herança? A proposta é defendida por homens , como o milionário Warren Buffet que defende que “não se pode levar às olimpiadas os filhos dos campeões olímpicos”, da mesma maneira não devem gerir as empresas os filhos dos proprietários.

4. E se todos os assalariados fossem sindicalizados?

5. E se fossem taxados a 80% os salários muito altos? A proposta foi levada à prática por Franklin D. Roosevelt na sequência da grande depressão. Hoje, quando o fosso entre os salários mais altos e mais baixos cresceu exponencialmente, podia ser reaproveitada. Em França, nos últimos 30 anos , essa diferença passou de 30 vezes para 500 vezes.

6. E se fosse criada uma verdadeira “segurança social profissional”?

Ver o resto das propostas aqui.

About Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

22 Responses to E se mudássemos tudo?

  1. Luis Moreira says:

    O 3 não pode ser colocado assim.A ser assim todos podiam ser gestores menos os filhos dos proprietários.Mas julgo que eles já perceberam isso.Há cada vez mais exemplos.Mas é seguro que deveria haver um representante dos trabalhadores na administração.Não sei se o comprariam com prémios e merdas dessas mas a verdade é que com a mobilidade que existe hoje no capital corre-se o risco do BCP.Os administradores já não representam ninguem a não ser uns off shores manhosos. Mas o grande problema é a gestão de curto prazo em prejuízo do longo prazo.Rebenta-se com a empresa para “criar riquesa para o accionista”!

  2. Ana Paula says:

    Obrigado pela referência, Nuno.

  3. Filipe Moura says:

    Discordo do 3, mas isso tem mais a ver com o meu conceito de propriedade. Dentro do meu conceito de propriedade (que não inclui o trabalho de ninguém – somente bens, desde que ganhos legitimamente), o conceito de herança é legítimo e eu defendo-o. Claro que o que eu defendo não se aplica às empresas; nem sequer a casas para alugar :) .

    Não sei o que queres dizer com o 6. Concordo totalmente com o 1 (defendo-o há muito tempo), o 2, o 4 (com sindicatos únicos e totalmente independentes dos partidos) e o 5.

  4. ramalho says:

    Põe-te a pau que o xico da tasca já deve estar a afiar a moca…

  5. maria monteiro says:

    Eu tive muita sorte – quando entrei em julho de 1977 para a Covina- Companhia Vidreira Nacional, tive uma entrevista onde estavam presentes : um membro da comissão de trabalhadores, o presidente eleito pelos trabalhadores (eng. Carvalhão Duarte) e o presidente colocado pelo Estado. Foram anos muito gratificantes, de aprendizagem, de entreajuda, de amizade,…Mantive-me até dezembro 2006 (ex-Covina depois Saint-Gobain Glass Portugal) mas as pessoas foram mudando porque a ambição e o desejo de trepar a todo o vapor é inimiga do valor

  6. Pingback: Blockhead Revisited « O Insurgente

  7. maria monteiro says:

    http://www.poodwaddle.com/clocks2pw.htm
    em vez de pregar a caridade devemos exigir a justiça social. Bora lá senhores do dinheiro é tempo de repartirem toda a vossa riqueza (banqueiros, empresários, senhores da Igreja,…) Sugiro a leitura do livro “O Vendedor de Sonhos” do Augusto Cury

  8. Paulo Ribeiro says:

    pois é meu caro, o ocidente até pode querer e querer muito, o diabo é que sem convencer os mais importantes não sei como tal será possivel, isto é, por ordem decrescente de importância: a china, a russia, a india, o brazil e todos os outros ali à porta da emergência e com gula pelas outrora apeteciveis economias de mercado libertino.

  9. Chico da Tasca says:

    Quer dizer, eu ando a trabalhar, junto algum e não o posso deixar aos que eu amo, tenho de o entregar ao Komité Central !

    O dinheiro que é meu, ganho com o suor do meu rosto deixo-o a quem o quero. Aliás, violar esse principio, assim como o do direito à propriedade, seria motivo mais do que suficiente para muito boa gente sacar da caçadeira, ou pegar fogo às sedes dos comunas !

    Os direitos individuais e aquilo que cada um alcança não pode ser espezinhado e muito menos roubado por meia dúzia de parasitas.

    De resto, eu conheço poucos comunistas que trabalhem, a maioria vive do Erário Público em tachos e tachalhadas. Largaram o trabalho assim que puderam. Veja-se o Jerónimo e a pandilha que o rodeia.

    Como seria de prever, o imbecil do Filipe Moura, uma amiba bem conhecida destes meios saltou logo a salivar contra os senhorios e o arrendamento.

    Esse senhor esquece-se que os senhorios foram Roubados, Espoliados dos seus rendimentos. Viram as suas propriedades e os seus rendimentos serem nacionalizados sem indemnização.

    Esse Filipe Moura e os que defendem o que fizeram aos senhorios, deviam ver os seus rendimentos roubados em 80 ou 90 % para darem aos vizinhos de baixo, para saberem o que custa, em termos financeiros e psicológicos.

    Vocês, os comunas, são mesmo uma das piores escórias que o 25 de abril nos deixou de legado !

  10. Chico da Tasca says:

    Comuna bom é um comuna espetado num pau.

    Foi pena vocês não terem levado as coisas ao limite no Verão Quente. Tinham-se clarificado as coisas como elas deviam de ter sido clarificadas e tinha-se poupado este país ao terrorismo de processos que é vossa caracteristica. Encolheram-se, e hoje andam a minar a Democracia e o País e a enchê-la de entulho ideologico.

    Vivam os Direitos e as Liberdades Individuais !

    Morte ao Totalitarismo, ao Colectivismo e ao Comunismo !

  11. Chico da Tasca says:

    Maria Monteiro

    se queres ter dinheiro vai trabalhar. Usa a cabeça e os braços. Roubar é feio, mas se queres roubar não o pretendas fazer no conforto da impunidade legal; corre riscos e vai roubar para a estrada, sujeitando-te ao que te possa acontecer.

  12. Chico da Tasca,
    É difícil surpreender. O nível do costume. A abolição do direito de herança, não é a respeito dos bens pessoais, apenas incide sobre herança de vastos patrimónios empresariais. Era a isso que o multi-milionário Warren Buffet, pouco conhecido como comunista ,se referia.
    O resto do texto, é básico e não vale nenhuma resposta.

  13. jpt says:

    “4. E se todos os assalariados fossem sindicalizados?”

    E que tal se os sindicatos representassem verdadeiramente os assalariados? E que tal se os sindicatos perguntassem aos assalariados o que eles querem, em vez de se comportarem paternalisticamente como orientadores espirituais deles?

    E que tal se nos preocupassemos mais com os pobres e menos com os ricos?

    jptelo

  14. Pinto says:

    E se a sociedade fosse a idealizada por Thomas More em Utopia?
    Era uma ditadura.

    E se algum candidato a governante jurasse aplicar as medidas acima transcritas?
    Havia estudado pelos livros de Estaline.

    Dizem que o neo-liberalismo morreu. Quiçá. Mas o comunismo está putrefacto. E ainda há quem o queira reanimar.

  15. Paulo Ribeiro says:

    após o fim do “estado-novo”, regime capitalista autoritário e antiliberal, nacionalista e anticomunista que havia sobrevivido à segunda guerra, a militância sindical com forte tradição nas indústrias metalúrgicas, de vidro e nas tecelagens, teria uma percentagem superior a 40%. existindo autores a estimar que a sindicalização seria de cerca de 30% do total e que, provavelmente, teria sido mais elevada no final do regime corporativo, quando os sindicatos oficiais dos trabalhadores e do patronato obtiveram autonomia e legitimidade para negociar. contudo, o sindicalismo português manteve-se sempre amarrado a estratégias de resistência e de defesa das regalias conquistadas pelos trabalhadores no pós-25 de abril, e não tomando a dianteira nos processos, foram sendo ultrapassados pelas circunstâncias e perderam protagonismo, quer nos processos negociais, quer junto dos seus associados, pelo que, hoje, a militância sindical existe somente em grandes empresas (precisamente aquelas que entram neste momento em processos massivos de despedimentos) e em grande parte na administração pública, mas no geral, cifra-se já entre os 15% e os 23% de toda a população activa e a diminuir sempre, todos os anos. porquê amigos? em termos de modelo de relações laborais, e ao contrário de outros países, portugal é ainda profundamente afectado por profundas desigualdades e clivagens que estão presentes na formação social portuguesa, quer em termos socio-económicos e de recursos culturais e educacionais. e porque não mudamos? alguns posts neste blog respondem cabalmente a isso! estamos em portugal, quase sempre, no que se refere às orientações subjectivas, perante culturas de classe marcadas pelo ressentimento, aspectos estes que estão na base de atitudes de desconfiança, muitas vezes de recorte maniqueísta, que levam à rejeição de projectos de mudança e de inovação (veja-se o caso do Magalhães). daí que, a participação dos parceiros sociais e dos trabalhadores nos processos de mudança organizacional e inovação tecnológica em curso (plano tecnológico) seja quase nulo. o que eu digo, sempre disse e direi, e deus nosso senhor também, é que quem não junta… espalha! bastava que não espalhasse tanto, não é por mim…

  16. miguel dias says:

    Filipe Moura
    quando herdar (se) uma casa arrendada vai concerteza querer oferece-la aos inquilinos.
    N. Ramos de Almeida
    Quanto e’ vastos. A tasca da esquina, a pequeno ou media empresa, ou as accoes de uma multinacional.
    Todas estas medidas nao passam de paliativos ao capitalismo com efeitos mais perversos que o dito. Medidazinhas avulsas. Ao menos sejam coerentes como o Vidal, dos poucos capaz de ter um discurso coerentemente intransigente, ou tudo ou nada, na ponta das baionetas (ainda que a arma dele seja o pincel ou coisa que o valha).

  17. Nuno Ramos de Almeida says:

    Miguel Dias,
    Não percebi nada do seu comentário. O artigo da revista não se limita a estas medidas. O interesse destas pequenas medidas é que elas têm uma lógica subversora, traduzem uma lógica contraditória com o sistema existente. É um pouco como a duplicidade de poderes em vésperas de Outubro. As baionetas são foclore. Ainda bem que gosta, ficam muito bem em cinema.

  18. miguel dias says:

    N.Ramos de Almeida,
    as baionetas sao de facto folclore desde que náo tenhamos nenhuma espetada na barriga.
    Não perceber o meu comentário é coisa de somenos, eu próprio tenho alguma dificuldade.
    Mais grave é que não perceba o alcance destas “pequenas medidas e da sua lógica subversora”, um tanto ou quanto folclóricas diria eu.

  19. O Silva says:

    “E se metade dos membros do conselho de administração das empresas fossem representantes dos trabalhadores? A medida já existe na Alemanha em que metade dos membros dos CA, das empresas com mais de 2000 pessoas, são eleitos pelos empregados.”

    Quantas empresas com mais de 2000 trabalhadores existem neste país!? O tecido empresarial português é constituido essencialmente por Micro e PMEs. Na minha empresa mando eu…

  20. Nuno Ramos de Almeida says:

    O Silva, daquilo que se lê no artigo a ideia não é nacionalizar as PMES , mas obrigar as grandes empresas a sairem da lógica da economia do casino e concentrarem-se na produção e preocuparem-se com a manutenção dos postos de trabalho. Várias medidas são nesse sentido. Eu apenas explicitei as do primeiro capítulo do artigo. Existem outras no domínio da globalização financeira, do comércio internacional e da economia com preocupações ambientais. Todas separadas não fazem uma revolução, mas todas juntas conseguem fazer alterações importantes que criam uma ruptura nas actuas práticas económicas e políticas.

  21. maria monteiro says:

    Chico da Tasca,
    «SE PODES OLHAR, VÊ.
    SE PODES VER, REPARA»
    ….e a sua visão do mundo mudará para sempre
    Livro dos conselhos (José Saramago-Ensaio sobre a Cegueira)

  22. maria monteiro says:

    Chico da Tasca,
    aconselho-o a pedir uma “licença sabática” para (re)pensar todo o seu confuso pensamento acerca do 25 de abril e da sua vida ->até parece que é um ditador [só lhe faltando o poder]…

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Pode usar estas tags HTML e atributos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>