A Poesia de Angelito

O jogo estava paralisado e definitivamente centrado numa disputa entre canelas e lambadas.
Mas eis que, doze minutos depois de se ter iniciado no relvado, Ángel Di Maria resolve tomar partido da bola e acelerar para a baliza de uma forma irreversível. No dia em que se celebrava a poesia, era através de um menino da terra de Borges que se preparava a estrofe certa para o momento artístico. Deixando para trás duas dezenas dos seus colegas de profissão, Angelito rimava com a bola e recentrava o jogo no universo poético. Sabia-se que seria chegado o momento do golo, caso não tivesse aparecido no drible final (um clássico colocar a bola por um lado passando pelo outro) a barriga avançada de um companheiro de trabalho, roubando-lhe a possibilidade de fazer poesia pelos seus próprios pés. O árbitro, que até então havia permitido todas as barbáries a quem não queria jogar à bola, resolveu juntar-se à arte e, num momento de rigor estético, punir este dislate.

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6 respostas a A Poesia de Angelito

  1. António Figueira diz:

    Acho injusto. Poeta não foi o Angelito, foi o Lucílio – e, se calhar, até mais barato (com a mania de contratar estrangeiros, não dão a devida atenção aos artistas nacionais, mas são eles que ganham campeonatos – e taças).

  2. Tiago Mota Saraiva diz:

    Discordo, caro António. Lucílio quanto muito é pateta e não poeta. Falta-lhe carisma, toque de bola e não tem anjo no nome. O que se ouviu foi o apito de Deus.

  3. portela menos 1 diz:

    este Ángel Di Maria acaba por ser um dos idiotas deste jogo, ao reclamar, levantando os braços, um penalty que NÃO EXISTIU!

  4. Se queres poesia naquele jogo, tens antes o penálti marcado pelo Óscar Cardozo. Lindo. Espectacular. O Cardozo marca sempre contra o Sporting, e continuo a achá-lo o jogador mais mal aproveitado do Benfica. De resto o Benfica roubou-nos um milhão de euros (era isso que estava em jogo, bem mais do que o prestígio desportivo). Mas desde o roubo do Eusébio que sabemos como o Benfica é.

  5. Tiago Mota Saraiva diz:

    Filipe concordo com a primeira parte do teu comentário sobre o Cardozo. Com a segunda parte não concordo nada.
    O que o futebol tem de fantástico é que respira mais alto que o capital, mesmo depois de Ligas dos Milhões e afins. No Benfica-Sporting deste fim de semana, jogava-se bem mais do que o milhão de euros de que falas.
    Um abraço!

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