Quando duas doenças se aliam

morte

A berraria de repúdio à última investida papal contra os preservativos suscitou um eco de balidos a desculpar a bizantina ideia de que tais dispositivos até podem piorar a epidemia da SIDA em África. Argumentos? Que a Igreja Católica tem feito muito de positivo por aquelas bandas; que se trata de uma instituição regida por princípios milenares insondáveis pela nossa limitada inteligência de ateus militantes; que o Papa só fala aos fiéis e que mesmo estes pouco lhe ligarão na prática; que a recusa da contracepção artificial fundamenta-se em valores que atribuem à pessoa mais dignidade e responsabilidade. E outras balelas piedosas.
O pior é que por vezes o cantochão medieval do Vaticano consegue influenciar o poder em países maioritariamente católicos, até longe de África. É só ver o que se passou nas Filipinas, quando as autoridades locais decidiram levar a beatice ao ponto de dificultar à população o acesso a métodos contraceptivos (isto sem esquecer casos em que gente de responsabilidade na mesma Igreja se põe a propagar aldrabices a propósito das odiadas camisinhas).
É claro que Bento XVI não podia ter dito outra coisa – embora se ponha a hipótese de ter sido melhor ficar caladito sobre o tema. É claro que a Igreja continua a ter uma visão da sexualidade que parece aplicável mais a anjos do que a pobres seres humanos. Mas já se sabe bem que nem sequer o suposto exemplo do Uganda lhes dá qualquer razão. Demonizar o preservativo é facilitar o caminho à SIDA. O resto é treta.

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7 respostas a Quando duas doenças se aliam

  1. Viva. Espero que os nabos do teu novo site demorem mais um mesito a aprontar as coisas, já tinha saudades dos teus posts 🙂

    abraço,
    Nuno

  2. Luis Moreira diz:

    É mesmo.Sem preservativo corre-se o risco de contrair doenças.É uma questão de bom senso.E com uma saúde pública como a de África, sem esgotos,sem água tratada,sem médicos e sem medicamentos a única ajuda é a camisinha.O problema é que o Papa ainda não se apercebeu que o inferno é coisa terrena.Negar a estes desgraçados um pouco de afecto convidando-os à abstinência sexual é como pedir ao Papa que prescinda do automobile!Estraga-lhe os Prada!

  3. A igreja católica para que se envolva em véus de humildade futura (pedindo perdão pelos erros cometidos, daqui a 500 anos) tem que apontar hoje aos humanos novamente o caminho da salvação das almas castigando o corpo ao suplício da sida. Outras inquisições!

  4. maria monteiro diz:

    Sem o preservativo corre-se o risco de contrair doenças.
    Já é tempo de o Papa correr riscos …. que tal se se abstiver de usar o papamóvel?

  5. Luis Rainha diz:

    maria,
    Grande ideia.

  6. Pingback: cinco dias » E o preservativo do Papa?

  7. maria monteiro diz:

    Sinto vergonha desta ‘invasão santa’ que se está a fazer por esse mundo fora. Sou católica praticante e rezo pela CONVERSÃO da Igreja Católica ao Evangelho de Jesus Cristo.

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