Quando duas doenças se aliam

morte

A berraria de repúdio à última investida papal contra os preservativos suscitou um eco de balidos a desculpar a bizantina ideia de que tais dispositivos até podem piorar a epidemia da SIDA em África. Argumentos? Que a Igreja Católica tem feito muito de positivo por aquelas bandas; que se trata de uma instituição regida por princípios milenares insondáveis pela nossa limitada inteligência de ateus militantes; que o Papa só fala aos fiéis e que mesmo estes pouco lhe ligarão na prática; que a recusa da contracepção artificial fundamenta-se em valores que atribuem à pessoa mais dignidade e responsabilidade. E outras balelas piedosas.
O pior é que por vezes o cantochão medieval do Vaticano consegue influenciar o poder em países maioritariamente católicos, até longe de África. É só ver o que se passou nas Filipinas, quando as autoridades locais decidiram levar a beatice ao ponto de dificultar à população o acesso a métodos contraceptivos (isto sem esquecer casos em que gente de responsabilidade na mesma Igreja se põe a propagar aldrabices a propósito das odiadas camisinhas).
É claro que Bento XVI não podia ter dito outra coisa – embora se ponha a hipótese de ter sido melhor ficar caladito sobre o tema. É claro que a Igreja continua a ter uma visão da sexualidade que parece aplicável mais a anjos do que a pobres seres humanos. Mas já se sabe bem que nem sequer o suposto exemplo do Uganda lhes dá qualquer razão. Demonizar o preservativo é facilitar o caminho à SIDA. O resto é treta.

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