Estranhos reclamos (8)

Sérgio Grilo, o actor do já célebre anúncio da Antena 1 escreveu ao 5 dias: «Começo por dizer que no dia de rodagem desta publicidade não estava presente nenhum represent. politico do governo, ou de qualquer outro partido politico, nem me foi dada indicação pelo realizador ou membro da agência criativa com o objectivo de fazer passar a ideia que o direito á manifestação é ilegítimo.» Depois, conclui: «Assim afirmo que não me revejo, na posição das pessoas que vêm neste spot, uma campanha contra si e contra o seu direito á manifestação»
Continuamos a atribuir a este evento uma importância e uma premeditação exageradas. O spot não é um atentado a direito algum. É apenas uma graçola parva. Acho mesmo que só um imbecil se lembraria de aprovar uma tal coisa, pois o resultado era mais do que previsível: polémica imediata e obra para o lixo, com o prejuízo consequente.
Ridicularizar as manifestações, apresentando-as ao espectador como uma ofensa à sua comodidade nem sequer chega a ser uma ideia, quanto mais uma conspiração. É só pateta.

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9 Responses to Estranhos reclamos (8)

  1. toulixado diz:

    De patetice em patetice o macaco foi ao ** à mãe! Se não é assim é parecido…

  2. Chico da Tasca diz:

    O que é certo é que o spot incomodou as hostes, muito mais do que a manif incomodou os que com manifs ou sem elas chegam a horas ao trabalho, de forma a poderem sustentar, com os seus impostos, os profissiinais dos Direitos Adquiridos, das Progressões Automáticas e do Direito à Indignação.

    Mas, não sendo o spot um portento, é um mero spot igual a tantos outros, é, ainda assim, muito menos imbecil, que as reacções estalinistas e censórias dos pseudo-progressistas, travestidos de democratas, que andam para aí a postar em blogues de esquerda, ou nos meandros trostkistas e estalinistas da AR.

    Para a posteridade fica-se a saber que : é crime lesa democracia dizer mal de uma manif, ou queixarmo-nos dela; é um acto progressista censurar toda e qualquer opinião que caiba num dos items anteriores.

    E os “progressistas” e “verdadeiros democratas” lá conseguiram fazer aquilo que o Salazar fazia quando algo não lhe agradava : censurá-lo.

  3. discomplex diz:

    Finalmente ao fim de demasiados dias a ler demasiados posts sobre este assunto em demasiados blogs… alguém diz alguma coisa que faça mesmo sentido: subscrevo muitas das críticas que têm sido produzidas, mas só quem nunca trabalhou em publicidade pode não ver a patetice da coisa e a mais do que provável não intervenção de nenhum poder divino-partidário na sua concepção… uma boa ideia publicitária na cabeça de um qualquer copywriter que não se lembrou de todo um mundo lá fora… infeliz no mínimo digo eu… e no máximo muito infeliz… pode ser que na próxima manif este coitado lá esteja connosco a reclamar mais direitos laborais depois de ter sido despedido com ‘justa’ causa!

  4. Camelo no buraco da agulha? diz:

    Afinal, onde está a tão (con)sagrada “liberdade de expressão”?
    Do criativo?
    Da agência?
    Atestado de menoridade a quem assim exerce uma profissão?

    – Premeditação exagerada, de quê? Como assim?
    – Graçola parva? Essa agora… vamos a votos?
    – Só um imbecil? Olha quem o diz… parece ofensivo.
    – Ofensa à comodidade? Só de “poeta”… ou antes, pateta!

  5. Paulo Ribeiro diz:

    eu diria mais… pimba! na mouxe!

  6. Luis Rainha diz:

    Camelo,
    Por fim, um comentador com um nick bem escolhido.

  7. Carlos Fonseca diz:

    Julgo oportuno formular duas perguntas simples:
    – Quem tomou a decisão superior de encomendar o ‘spot’ com a mensagem que o caracteriza?
    – Qual o objectivo da mensagem?
    Creio que, respondidas estas questões com verdade, todos ficaríamos mais esclarecidos.
    Quanto à ausência de responsáveis máximos na preparação e realização de filmes publicitários, não resisto a declarar que não é imperativa, nem normal, a presença dos ditos, seja na concepção, seja na execução de qualquer ‘spot’.
    Alguém é capaz de dar um só exemplo de participação directa de ‘Chairmans’ ou ‘CEO’s’ da Procter & Gamble ou da Unilever na produção ‘spots’ do ‘Fairy’ ou do ‘Skip’?
    O único caso, e por evidente vaidade pessoal, é a participação de Alberto da Ponte em recente anúncio da ‘Sagres’. Ainda assim, o Ponte desempenhou o papel do Sérgio, ou da Eduarda Maio, do ‘spot’ anti-manifs.

  8. Luis Rainha diz:

    Não acredito, sabendo em que país estamos, que ninguém da administração da estação tenha aprovado aquilo. O problema não é o objectivo da coisa, que era apenas dar a ideia de laços reforçados de empatia entra a Antena 1 e quem a ouve. O problema foi terem optado por uma graça estapafúrdia e escusada, que só veio dar uma imagem lambebotista à estação e condenou o spot ao caixote do lixo.

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