Gosto de ti como se gosta do sol, e era bom
ficar ao sol todo o dia, mas queima.
Muitos outros se deitam ao sol, toda a espécie de corpos,
não tens tamanho para tanta gente.
Um dia vai-se abrir a porta doirada,
vamos caber, um a um.
Vais-me escolher especialmente, como todos os outros.
Podes ter mãos. Podias até, alguma vez, ter lábios,
dizer alguma coisa em língua, numa língua qualquer.
Naturalmente, a imaginação poética é só devaneio,
tilintar de talheres sem nada para comer,
um ar tão leve, para que serve respirar?
Para esquecer, escrevo um longo romance verdadeiro
e pícaro; tudo nele é real!, as pessoas dormem
e acordam e dormem, e fodem nos intervalos;
devoram-se animais; mas o melhor são os diálogos.
Entre existires e não existires antes não existires,
é mais inteiro, deixa menos dúvidas dentro do crânio,
ao lado dos ossos normais. Entre mulher e homem
o melhor é não teres mesmo por onde escolher,
vestir saia-casaco ou fato completo,
usar até, em dias de festa, as tuas peles virtuais.
António Franco Alexandre, “Aniversário” (excerto)
(Bela ideia, Paulo).




Sabe-me sempre tão bem ler a poesia que nunca fui capaz de escrever.
Obrigada!
Me Mataste, cariño!!! O Homem Mais Bo-ni-to Desta terra!!!
Eu gosto dele como gosto do sol, da chuva, trovoada, vento tudo junto.
Fica aqui tb o meu Post!
http://f-se.blogspot.com/2009/03/f-se-sombras-das-sequoias-so-crescem.html
Realmente!! É um desgosto olhar para esta caixa de comentários!!!
Percebemos bem como este POVO TEM UMA INCLINAÇÃO NATA PARA A BRUTEZA!!
Que desconcertante … ainda se empinicam todos a bradar cro-có-cós sobre o Camões y o Pessoa y o Herberto.
Enfim, digamos que assim ficou aferida a “classe” intelectual dos leitores do 5dias.