A invenção do amor

No “dia mundial da poesia” um extracto de um dos mais belos poemas do século XX.

Em todas as esquinas da cidade
nas paredes dos bares à porta dos edifícios públicos nas
janelas dos autocarros
mesmo naquele muro arruinado por entre anúncios de
aparelhos de rádio e detergentes
na vitrine da pequena loja onde não entra ninguém
no átrio da estação de caminhos de ferro que foi o lar da
nossa esperança de fuga
um cartaz denuncia o nosso amor

Em letras enormes do tamanho
do medo da solidão da angústia
um cartaz denuncia que um homem e uma mulher`
se encontraram num bar de hotel
numa tarde de chuva
entre zunidos de conversa
e inventaram o amor com caracter de urgência
deixando cair dos ombros o fardo incómodo da monotonia
quotidiana

Daniel Filipe
(1925-1964)
in A Invenção do Amor e Outros Poemas
Lisboa, Presença, 1972

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3 respostas a A invenção do amor

  1. Pingback: cinco dias » A poesia está no blogue

  2. ehehehe Há 18 anos q n colocava os olhos nesse poema …
    Deixo aqui o meu Post sobre o Dia da Poesia. Gostava que tomasses conhecimento. Vale.
    http://f-se.blogspot.com/2009/03/f-se-sombras-das-sequoias-so-crescem.html

  3. Lília Tavares diz:

    Viva!
    Ontem escrevi uma nota na m/ página “Quem lê Sophia de Mello B. Andresen” no Facebook sobre “A Invenção do Amor”.
    Li-a quando tinha 15 anos.
    Proponho-lhe visitar a página.
    Com amizade,
    Lília Tavares

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