MANIFESTO por uma vida política saudável e sem insultos (ao cuidado da CGTP – parte 2, conclusão)

vidasaudavel

(Sobre a instrumentalização dos sindicatos pelos comunistas:)

“Isso não é positivo, porque acho que as organizações sindicais devem fazer manifestações para defender os interesses dos seus associados e não para defender os interesses de partidos (…)”.

(António de Oliveira Salazar)

 

A política só em sentido deturpado se pode confundir com agitação estéril, referver de ódios, estadear de ambições pessoais ou de grupos para a conquista e usufruição de altos lugares”.

(José Sócrates)

 

(Breve nota: Ah, não adivinhava que J. Sócrates dominasse tão elegantemente o idioma pátrio)

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19 respostas a MANIFESTO por uma vida política saudável e sem insultos (ao cuidado da CGTP – parte 2, conclusão)

  1. Ó Carlos Vidal, até onde vai a cegueira desvairada. Ir buscar Salazar, para atacar Sócrates? É certo que está na moda hostilizar o segundo e tentar o branqueamento do primeiro, recorrendo a todos meios, mas é mesmo essa a sua intenção? E depois, esclareça-me, não é verdade que a CGTP é dominada completamente pelo PCP? E depois, diga-me, já alguma vez comparou os elegantes escritos de Salazar com os de Jerónimo de Sousa?

  2. nelio diz:

    realmente, hoje em dia pode-se escrever o que se quiser e manipular o que se quiser… goste-se ou não se goste da figura do j.s., compará-lo a salazar só em delírios. mas em democracia pode-se delirar.

  3. Carlos Vidal diz:

    Caro nelio, é verdade, só em delírios. E dizer que as 200 000 pessoas que se manifestaram na Avenida da Liberdade na passada semana foram manipuladas, mais os seu sindicatos, pelo PCP e BE? É um delírio democrático?? Então, viva a democracia socratista!

    Caro M. Loureiro, foi precisamente em Jerónimo de Sousa que me inspirei, pois ele sabe muito bem o que diz, ele e os militantes do PCP – quando há um protesto é normal a frente direita da política portuguesa (PS/PSD/PP) acusar de tudo os “comunistas”, tal como antes do 25 de Abril de 74, não é verdade?

  4. Paulo Ribeiro diz:

    meu jovem carlitos,

    vexa deverá ler melhor a cartilha. é que isto é coisa séria que não se presta assim tanto a brincadeirinha. a inter, hoje, tem apenas força para por na rua desempregados, militantes reformados do PCP e os próprios militantes activos. bom… até consta que algumas câmaras municipais, designadamente da margem sulderam tolerância de ponto para a malta se deslocar a lisboa. a dessindicalização é coisa muito séria meu caro. e é pena! espanta nos 200 000, é não terem sido para aí 400 000!

  5. Tudo não passa de uma “usufruição” (?).
    Coitado do idioma pátrio na boca de certos leitores da “Fenomenologia do Ser”, de Sartre…

  6. Carlos Vidal diz:

    Caro Bué da Fixe, a “usufruição” vem de um discurso do ditador que sabia escrever. O aspirante não sabe escrever.
    E mais: a palavra é interessante, releva de uma aglutinação entre usufruto e fruição, como é bem de ver. O discurso do ditador é de 1958, suponho.
    Esclarecido?

    Segundo Paulo Ribeiro (não, não pode ser o coreógrafo), a CGTP hoje não pode nada (faz apenas alinhar desempregados e militantes activos ou reformados do PCP). Muito bem. E quem pode? A UGT (que é uma parte do PS)? Sim? Não? Bom, se me disser não, é porque então ninguém hoje pode nada. Você, com o seu brilhante raciocínio acaba de matar o sindicalismo em Portugal e, que sei eu?, na Europa e no mundo.
    Olhe, já agora pense porque é que PCP e BE estão à beira dos 20% (o que, para mim, ainda é pouco, mas …………..).

  7. É verdade que antes do 25 de Abril quem era contra o regime era comunista, o que aliás era falso ou não haveria na oposição as divergências que já havia. Já na altura os comunistas reivindicavam que só eles eram de esquerda. Enfim, feitios! Depois do 25 de Abril, é verdade que foram os socialistas que travaram os comunistas, e com razão reconheço-o agora, embora na altura, com franqueza o digo, não estivesse certo disso. Mas passada essa tormenta não me recordo que tenha havido da parte dos socialistas, contra os comunistas, a campanha generalizada, de maldicência, de torpezas, de baixas insinuações, que actualmente se verifica contra os socialistas, o seu governo, e em particular o primeiro ministro, independentemente dos erros naturalmente cometidos (os comunistas também os cometem, não?).
    PS. Eu não duvido que o Jerónimo de Sousa saiba o que diz, mas não era a isso que eu me referia, como o Carlos Vidal fingiu não compreender.

  8. Carlos Vidal diz:

    M. Loureiro, grato pelo comentário, e ainda bem que toca no essencial. Quem era contra Salazar podia de facto ser comunista, social-democrata, monárquico, etc, etc. Mas a acusão standard era a que mais convinha ao regime, e essa era a de chamar “comunistas” a todos – porque o comunismo era pintado de papão, o maior papão, logo, todos “comunistas”.
    É o mesmo que Sócrates faz ou não é? A população manifesta-se segundo apelo de sindicatos manipulados por comunistas. Quando de inúmeras vezes em que é apupado em cerimónias públicas, quem é que Sócrates costuma acusar?? Quem??
    Quanto a Jerónimo de Sousa – vamos ver, ele não terá certamente editada no futuro uma obra completa como a de Cunhal, mas também não se propôs a isso. É um operário assumido, e assumiu o que Sócrates nunca assumiu – para que lhe serve a licenciatura da UNI? Nunca a Ordem de Engenheiros a reconheceu! Tirou uma licenciatura de uma forma que eu julgo …………. sem comentários. Mas é um licenciado, isso ninguém lhe tira. E tem a documentação legal, lá isso é verdade. Não sei é se ele se “orgulha” do seu passado “académico”. A questão aqui a considerar é que Jerónimo não tem licenciatura nem se preocupa com o assunto. Talvez não venha a ter “obras completas”, mas improvisa infinitamente melhor do que J Sócrates.

  9. Caro Carlos Vidal, estou mais do que esclarecido. E mais não digo porque, se há muito deixei de ser aluno, a verdade é que nunca mais vejo a hora de deixar de ser professor (de Português/Latim!) numa Faculdade… de Letras, imagine!
    Sempre a considerá-lo – e a agradecer-lhe, claro.

  10. O argumento ou falta dele é sempre o mesmo; 120 mil professores estão na rua a protestar, logo são manipulados pelos comunistas ou pelos sindicatos, 200 mil pessoas de diferentes categorias profissionais manifestam-se, logo são “desempregados, militantes ,e postos em Lisboa pelas câmaras do sul”, enfim, a inépcia política é tão grande que só lhes restam os argumentos salazaristas.

  11. Carlos Vidal diz:

    Oh Bué da Fixe, por quem é, muito bem!
    Você fala-me na qualidade de Professor de Português/Latim na Faculdade de Letras. Ora bem, e eu falo-lhe na qualidade de mero artista plástico e, com um pouco de esforço, humilde crítico de arte sempre ao seu dispor (como sabe). Pode mandar-me crucificar, sem falta!!
    De resto, juro-lhe que li a palavra num discurso de Salazar (ou foi de Sócrates?). Se tal o incomoda, quem sou eu! Vou já voltar para a minha obra plástica, porque de etimologia e/ou filologia apenas sei o suficiente para lhe dizer que de Bach, Vivaldi e barroco a grande violinista Anne-Sophie Mutter nada sabe, desastre total. Por razões filológicas, claro está.

    Entretanto, caro Adão Contreiras, é verdade, todos temos ouvidos, e quantas vezes ouvimos J Sócrates nomear os comunistas de cada vez que é apupado, no norte ou no sul??
    Sindicatos comunistas, professores comunistas, câmaras comunistas, etc. Por acaso, ainda não ouvi J Sócrates falar das maldades dos comunistas, tipo injecções atrás das orelhas e tal. Mas, se calhar, lá chegaremos.

  12. almajecta diz:

    Acabei mesmo agora de deglutir uma criancinha, e de momento estou no digestivo da vida política, sem insultos e estéticamente transnacional.
    Que conversa mais académica essa dos graus. Não é de admirar num país ainda mui provinciano, altamente tecnocrata e burocrata sendo que em 1928 Salazar foi um estadista e em 2008 Socrates é um semiota social dos mass media e do seu próprio partido,
    ” cerdo burgués, te voy a hacer llorar cerdito mio”.

  13. Ó Carlos Vidal, o que Sócrates tem feito é responder aos insultos, apontando o dedo a quem mais dá a cara, embora quem a dá tenha máscara, e não esteja sózinho. Para quê negar a evidência?Quanto aos operários assumidos, as licenciaturas que se têm ou não, os improvisos bons ou maus, as “obras completas” que se possam vir a ter ou não, deixemos isso, não caiamos no ridículo.

  14. Carlos Vidal diz:

    caro M. Loureiro, como se depreende do que aqui escrevi, não estou interessado nas habilitações literárias ou académicas de Jerónimo de Sousa, apenas disse que ele não as amplia de modo fraudulento. Nem tal para Jerónimo deve ser assunto. Coisa que me parece bem, e para mim também não é assunto – respondi apenas ao seu “desafio” acerca dos “elegantes” discursos de Jerónimo de Sousa. Disse-lhe por isso que são mais assertivos, incisivos e em tudo superiores ao que quer que escreva (?) J Sócrates. De resto, diz-me que J Sócrates passa muito tempo a responder a insultos. Louçã ou Jerónimo são abundantemente insultados e nunca os vi perderem muito tempo com isso. Quanto a Sócrates, não vejo onde estejam assim tantos insultos: a licenciatura foi um atrapalhada – os jornais noticiaram a trapalhada, não li insultos; as assinaturas e as casas da Guarda e as suas circuntâncias são uma trapalhada – foram noticiadas as trapalhadas, não li insultos. Poderia multiplicar isto por muitos exemplos. Não confunda a mensagem com o mensageiro. As mensagens sobre Sócrates contêm trapalhadas e não insultos. Os jornais e TVs são mensageiros, aliás, DEVEM SER, e nunca devem calar nada.

  15. Para terminar: Eu dasafiei-o a comparar os textos “elegantes” de Salazar com os de Jerónimo, porque o Carlos Vidal fizera essa comparação entre Salazar e Sócrates. A treta da elegância foi sua. Quanto aos insultos, referia-me aos das manifestações que era delas que se tratava.

  16. Este Loureiro, está mais que visto, é da família do mesmo apelido…

  17. Ora nem mais, caro Vidal, não há como expor as citações de uns e outros para entrevermos as diferenças 😉

  18. Paulo Ribeiro diz:

    oh carlos! nesse tom não! então vexa não sabe que a inter só se interessa pelo baixo sindicalismo. precisamente do sul. o praticado pelos designados pig’s (português, italiano, grego and spanish). contudo, nas plataformas onde se pode mudar alguma coisa, os outros estão mas a inter… não! não sabe? então a recusa descabida do maior sindicato português em participar na confederação europeia e mundial de sindicatos. a recusa mal explicada de participar nas suas reuniões e estratégias. agora pergunto: porquê? porquê da recusa de um sindicalismo construtivo, inclusivo e participado. porque se recusa uma estratégia de regeneração e opta-se por uma estratégia ofensiva. ora, não sabe ou não quer dizer? claro que sim, que sabe sabe. trata-se de um modelo que não é seu (da inter), é do pcp. assenta numa sociedade sem classes, sem empresas, sem propriedade… uma imensa comuna. a inter é… um prec sem causas novas… por melquizedeque que já não tenho paciência para revolucionários fora de contexto!

  19. Carlos Vidal diz:

    Faz muito bem, Paulo Pereira, muito bem, não ter paciência para revolucionários fora de contexto. Acontece que está duplamente enganado: considero-me “dentro” de contexto e com as causas antigas, muito antigas, as do século XIX ou XVIII, se você quiser (eu quero) considerar Saint-Just ou Robespierre (oh meus caros concidadãos, então querem uam revolução sem revolução??). O Prec é uma causa de hoje – a transfiguração da sociedade por meio de um movimento de massas de desfecho imprevisível, isso é uma causa de hoje. Mas, diz o meu caro, para tal é preciso banir os Soares e os termidorianos que pululam por todo o lado? É, claro que é! Não tenho dúvidas.
    (Um pequeno post-scriptum: a CGTP e o PCP não fazem política e sindicalismo construtivo? Claro que não, se por tal entender a política da UGT, que se limita, como diz o meu colega Nuno, a assinar acordos indignos com patrões e a furar greves – se para si “construtiva” é a UGT, ah, passe bem.)

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