Campanha eleitoral no DN (I)

Imagine que um jornal de grande tiragem e dito independente de influências políticas, no início da campanha eleitoral para as eleições europeias encomendava a Ruben de Carvalho uma peça jornalística sobre o perfil ético e moral de Ilda Figueiredo – cabeça de lista da CDU ao Parlamento Europeu. Imagine ainda que Ruben escrevia o texto num tom épico e laudatório, a partir de uma recolha de citações obtidas na sede do PCP. Indignar-se-ia?
Como qualquer cidadão na sua actividade profissional, os jornalistas têm todo o direito em manifestar a sua opinião, os seus interesses e as suas vontades. O problema está quando o jornalista se esconde atrás de supostos factos para veicular a sua opinião ou quando se transforma numa caixa de ressonância panfletária e acrítica de uma certa e determinada posição político.
Neste contexto, este artigo de Fernanda Câncio parece-me inaceitável. Câncio tem todo o direito, nas suas colunas de opinião, em escrever o que bem lhe apetecer sobre Vital Moreira e o PS. O que não me parece nada correcto é que, sob a capa de uma peça jornalística, procure (re)construir uma imagem cor-de-rosa de um candidato às eleições europeias.

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21 respostas a Campanha eleitoral no DN (I)

  1. FC jornalista, lava mais branco que o velho OMO.
    É como diz. Para avaliar a diferença basta ver o desempenho de M.Crespo enquanto jornalista e M.Crespo enquanto opinante.

  2. Carlos Vidal diz:

    Se o que a jornalista Câncio faz é jornalismo, nunca vi o jornalismo descer tão baixo; se os perfis que a dita escreve no DN são jornalismo, é comparar aquilo com a página on line do PS, depois gostaria que alguém me explicasse a diferença. De M. Lurdes Rodrigues a Vital Moreira, aquilo é o retrato do paraíso onde a dita gostaria de viver e gostaria que existisse.
    O problema da jornalista Câncio é que há mais coisas entre o céu e a terra do que ela suporia.

  3. Pedro diz:

    Então mas a Câncio não vos explicou aquando da polémica do Mário Crespo que há jornalistas (de causas) que podem escrever tudo o que quiserem e há outros que têm é que ler o teleponto e calar?

  4. Simplesmente vergonhoso, o texto da Câncio.
    Como não menos vergonhoso é que a direcção do DN tenha consentido na sua publicação.
    O futuro se encarregará de desmascarar uma e outra.
    O jornal, esse, prepara-se para um lindo enterro, como merece.

  5. Algarviu diz:

    Começou a silly season, a caça ao voto.
    Num lado a f. (ou a Fernanda Câncio?) noutro o BE, a tentar caçar os votos dos retornados. Um pouco demodé mas vale tudo.

  6. Luis Rainha diz:

    É um bocadito repugnante. Mas nada inesperado.

  7. j diz:

    Não gostei, nada mesmo.
    Isto, de facto, nada tem que ver com jornalismo.

  8. Ricardo Santos Pinto diz:

    Pela parte que me toca, agora que posso malhar nos jugulares sem dó nem piedade, não é nada de surpreendente. Depois de elogiar a burra, nada de surpreendente que venha agora elogiar o cavalo.

  9. Toda a comandita que saiu do pc em 90, sempre me causou algum asco, que já entradotes na idade, só por essa altura se deram conta das iniquidades do centralismo democrático. Pior que um comunista, cuja sinceridade e determinação não se questionam, só um ex-comunista.

    Quanto à “peça jornalística”, como outros se encarregaram de assinalar, não surpreende.

  10. Martins diz:

    Porque é que a Cãncio não pode elogiar o Vital, nas páginas do DN? O Pacheco Peeira também não elogia a Ferreira Leite, nas páginas do Público?

  11. Tiago Mota Saraiva diz:

    Martins, essa é que é a confusão que se pretende. Pacheco Pereira fá-lo num artigo de opinião Fernanda Câncio, para além de o fazer em artigos de opinião, fá-lo numa peça jornalística.

  12. Ricardo Santos Pinto diz:

    O Pacheco Pereira não é jornalista. Nem tem o dever da imparcialidade.

  13. Tiago Mota Saraiva diz:

    Ricardo, eu até não acho que um jornalista tenha de ser imparcial. Não vejo nada de mal em que jornalistas e/ou jornais assumam publicamente opiniões e que tomem partido.
    O que me indigna é quando, jornalistas e/ou jornais, tomam partido de uma forma encapuçada. Este texto, na minha modesta opinião de leitor, não é jornalismo mas sim uma manipulação, na tentativa de construção de uma imagem de um candidato.
    Registo-o e sigo em frente.
    Também há muito que não compro o DN.

  14. Ricardo Santos Pinto diz:

    Tens razão, Tiago. Sabes que, como comentador, é fácil lançar umas bojardas e não concretizar. O que queria dizer é que um jornalista, enquanto escreve um texto supostamente noticioso, deve ser imparcial. Deve transmitir factos.
    Ou então pode escrever uma crónica, um editorial, onde dará todas as opiniões que quiser dar. O que não pode, em minha opinião, é escrever uma crónica transvestida de notícia. Que diga o que tem a dizer, mas assumindo que está a dizer aquilo que quer dizer.

  15. Su diz:

    È isso mesmo, Tiago. Ou os jornais e jornalistas assumem de vez um partido, como acontece nos States, e dessa forma um leitor sabe ao que vai, ou não. Agora, esta postura “independente e isenta” que faz passar o artigo em apreço por “peça jornalística” é querer fazer do pessoal parvo. Mas o curioso é que acaba por fazer cair a tese da “campanha negra”. Ela nem as mediu bem…

  16. A Câncio já respondeu ao teu post. Tem um singular apoiante. Um grande jornalista, conhecido pela sua seriedade, honestidade e por nunca ter inventado um único artigo.

  17. Carlos Vidal diz:

    É um apoiante tão presente que a própria tem medo dele (nunca manteve diálogo com o referido). É uma mulher veramente independente.

  18. Tiago Mota Saraiva diz:

    Nuno, não me parece que alguém tenha respondido ao post ou que haja resposta a dar.
    Já tinha reparado naquele comentador citador e, sobretudo, na confiança que lhe é dada pela F. Câncio.

  19. Ricardo Santos Pinto diz:

    Responderam sim ao teu «post», Tiago, mas puseram um «link» para o 31 da Armada, que é para não te dar confiança. E assim serve para os dois.
    Sobre esse tal de Guilherme Pereira, teria algo a dizer-te, mas teria de ser em privado.

  20. Fortuna diz:

    E quÊ Tiago? refere-se aquele bajulador semi-labrego pereira que mendiga umas migalhas de atenção da tiazinha progressista câncio?…

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