Santa ignorância

Alguém explica às criaturas que comentam nas televisões que a garantia de uma dívida não esgota a dívida. Muito devagar: se eu peço um empréstimo para comprar casa e não pago, o banco vai-me buscar a casa que é dada como garantia; mas se a casa desvalorizar, eu continuo responsável por arranjar o resto do dinheiro que devo. As garantias reais não são imutáveis e a sua entrega não esgota a cobrança de toda a dívida. Quando existe uma desvalorização dos bens dados como garantia, os bancos podem exigir mais garantias para acautelar o pagamento das dívidas ou exigir o seu pagamento. Talvez percebendo isso, algumas pessoas deixassem de justificar o injustificável.

Adenda:  JCD do Blasfémias explica os pormenores do negócio.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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6 respostas a Santa ignorância

  1. Caro nuno: há muito santo ignorante que está a aprender da forma mais difícil.

  2. Isso é verdadeiramente Assustador! Agora percebo melhor a gravidade de tudo isto para o comum mortal!!

  3. Hummmm … Neste momento os bancos TB n se atrevem … Quanto mto começo a imaginar um lastro crescente de pessoas a ficarem nas casas mesmo sem $$$ para as hipotecas. Uma espécie de “Ocupação da Própria Casa”. Quando os casos eram isolados era f´cil a derrota y o abandonar sem menos as casas. Agora isto está a ficar fenómeno colectivo massificado. Eles ( Bancos!) só podem estar abertosà negociação. Caso contrário a coisa começava a funcionar como as cobranças de jogo, à lei da bala y do abate.
    A União faz a força, como se diz… as pessoas estão a ganhar essa empatia. Sabem q n estão sós num problema cuja culpa n dependeu de si.
    Bem… parece-me q isto tb n é mto desarcertado.

  4. jcd diz:

    Nuno, depende da forma como está escrito o contrato.

  5. JCD,
    Admito que sim. Mas a norma geral é esta, ao contrário dos EUA que em empréstimos de habitação ficam liquidados pela entrega da casa. Agora, aquilo que não me parece que o contrato de Manuel Fino estabelecia era que a dívida ficava liquidada pela entrega dos activos das garantias reais, se assim fosse ele não teria que conseguir da CGD que revalorizasse as acções em 25%, em relação ao seu preço de mercado.

  6. jcd diz:

    Nuno:

    O que escrevi aqui está mais ou menos certo. Faltavam-me algumas informações, sobre a renegociação de spreads no resto do endividamento do grupo e em relação à opção de recompra, mas a base parece-me estar certa, depois de ter ouvido as explicações dos responsáveis da CGD.

    http://blasfemias.net/2009/03/01/o-negocio/

    Resta dizer que este tipo de negócios fizeram-se porque os governos exigem à CGD que não deixe cair os centros de decisão estratégicos em mãos estrangeiras. É o que dá.

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