SABER SER COMUNISTA

lenin_leser_pravda1
Lenine
Numa recente carta endereçada por Alain Badiou a Slavoj Zizek encontramos uma das melhores definições não apenas do que é ser comunista, como ainda do momento actual do comunismo perante o seu próprio «factor» como invariante histórica de emancipação; sendo que outra invariante a humanidade não dispõe:
“Nós encontramo-nos no limiar de um ponto de método essencial e no qual, creio-o bem, não há entre nós nenhum desacordo de princípio. Tratando-se de figuras históricas como Robespierre, Saint-Just, Babeuf, Blanqui, Bakounine, Marx, Engels, Lenine, Trotski, Rosa Luxemburgo, Estaline, Mao Tse-Tung, Chou Enlai, Enver Hoxha, Guevara, Castro e alguns outros (e penso nomeadamente em Jean Bertrand Aristide [Haiti]), é ponto capital, sobre todos eles, nada ceder perante as tentativas de criminalização reaccionárias ou perante as anedotas eriçadas com que o capital os pretende fechar e anular. Nós podemos e devemos discutir entre nós (um ‘nós’ que sinaliza aqueles para quem o capitalismo e as suas formas políticas são um horror, um ‘nós’ que nós somos para quem a emancipação igualitária é a única máxima de valor universal) o uso que fazemos, ou não fazemos, dessas figuras históricas. Essa discussão pode ser eventualmente viva e fortemente antagónica, mas ela dá-se ‘entre Nós’, e a nossa regra opõe-se absolutamente a toda a conspiração de latidos do adversário”.
enver_hoxha11
Enver Hoxha


– Ora bem, primeiro temos de discutir isto entre nós, e isso significa saber herdar conflitualmente todas estas figuras (a que tenho de acrescentar Spartacus, Thomas Müntzer – que liderou revoltas de camponeses no século XV e inspirou estudos de Engels -, Ho Chi Minh ou mesmo Frantz Fanon), pois não temos nada a discutir com quem nos acusa de “milhões de mortos”. Com esses, nada.
Brincar com os números é para crianças e não é um assunto, o assunto é a invariante de emancipação da história da humanidade desde Spartacus.
rosal12
Rosa Luxemburgo

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

52 respostas a SABER SER COMUNISTA

  1. Tiago Galvão diz:

    assisti este debate dos comentários. sou uma pessoa que teoriza pouco sobre como milhões se devem auto-gerir. sou ignorante (embora extremamente curioso) sobre toda essa teoria mas prefiro não ser presunçoso, e esta é a minha única presunção – tinha de ter uma. deixo para outros, os partidos, partidários, ideólogos lançar o debate e expresso-me da forma medíocre que é o voto.
    nunca perceberei o que leva as pessoas interessarem pela política. conheço-a bem, percebo-a bem. está no meu dia-a-dia. desde pequeno, quando lidamos com outros, percebemo-la. não percebo é toda a histeria depois quando é transposta para quando pensamos não no que nos cerca imediatamente mas no que cerca milhões. aí sim entramos no campo da especulação. é saudável. há que especular. mas o que vejo é que quem está lá em cima, quando está lá em cima, já só especula. inspecciona-nos por binóculos, sondagens, assessores e estatísticas, talhantes e bisturis.
    sou orgulhosamente ignorante. sobre tudo os que querem chegar lá acima dizem querer para mim. não sou ignorante sobre o que fazem quando lá chegam. sinto-o na pele, sentimos na pele.
    quando é que todos votamos em branco? quando é que admitimos todos que não sabemos? esta é a verdadeira utopia. acreditar que isto pode acontecer. mas é também ingenuidade? sinto que estou a dizer algo verdadeiramente ingénuo, muito frágil e facilmente contrariado, mas não vos parece bem melhor essa ideia do que perpetuar esta farsa? quando é que esta merda tem fim? eu não defendo nada que tenha acontecido. eu nem estou a defender nada que faça. eu votei em alguém, não em branco. eu defendo que todos o façamos, diariamente. desacreditando o discurso político, desacreditando os media, desacreditando o sistema, desacreditando os partidários, desacreditando, em conjunto agora sim, que isto é o melhor que conseguimos em conjunto. e por último, quando já fizermos tudo isto, que se vá votar em branco em massa.
    depois logo vemos. em conjunto. se a farsa se desmontasse, não seria tudo mais claro? digam-me lá. estão já a pensar que ideologia beneficiaria com isto? nenhuma existente. medo de descobrir?
    ou continuemos neste marasmo, mas, por favor, refutem-me, porque achar que isto é certo custa. por favor digam-me que não é tão óbvio. digam-mo sinceramente. eu quero acreditar naquele ali da televisão. eu quero acreditar em frases de sei lá quem. digam-me onde ir! digam-me que eu leio! digam-me em quem acreditar. digam-me em que acreditar senão nisto.

  2. Fernando Lacerda diz:

    Só uma coisa sabemos; e com certeza: tanto o capitalismo (dito selvagem) e o socialismo (dito científico), naufragaram inexoravelmente. O mais, é balela. Quem tem olhos de ver sabe que só sobrevive (e floresce), incontestavelmente, o socialismo.

Os comentários estão fechados.