Mao Tse-Tung: Ler e reler

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“A pobreza provoca o desejo de mudança, de acção e revolução e, numa folha de papel em branco, é possível pintar os mais frescos e belos caracteres, os mais frescos e belos quadros”

“A história da humanidade é a história do contínuo desenvolvimento do reino da necessidade para o reino da liberdade. Este processo não tem fim. Numa sociedade, enquanto existirem classes, a luta de classes não pode ter fim. Na sociedade sem classes, a luta entre o novo e o velho, entre o verdadeiro e o falso, também não poderá ter fim”

“Os acontecimentos forçarão toda a gente a fazer rapidamente uma escolha”

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30 respostas a Mao Tse-Tung: Ler e reler

  1. E os milhões de deportados para dos campos de reeducação?

  2. Luis Moreira diz:

    E, já agora, a China podia aproveitar a crise para tirar milhões de cidadãos da miséria,abrindo o mercado interno de consumo em vez de exportar para os países ocidentais com preços baixos à custa de “dumping” social. Era dois em um. Mas isto dos pobres é coisa das sociais democracias, não interessa nada!

  3. …numa folha de papel em branco, é possível pintar os mais frescos e belos caracteres, os mais frescos e belos quadros”…
    Desde se saiba pintar(o que se aprende facilmente nas aulas do Vidal).

  4. Carlos Vidal diz:

    Não miguel, não é preciso saber pintar. O “espaço em branco” do Mao é a única definição possível de liberdade. E destina-se, precisamente, aos que não sabem pintar. O termo “fresco” caracter designa isso mesmo: o caracter esboçado por quem não conhece nenhum cânone ou tipo de escrita e não reconhece nenhuma forma estabelecida de representação.

    Caro Luís Moreira, antes da China ser hoje um espaço de dumping social, já Mao tinha acusado o Partido Comunista chinês de ser o grande produtor de representantes da alta burguesia dentro da própria China.

  5. É isso que você ensina aos seus meninos: a não reconhecer nenhum cânone ou tipo de escrita e a não reconhecer nenhuma forma estabelecida de representação?
    Se assim for, cuidado, um dia as criancinhas qualquer dia fazem-lhe a folha.

  6. Carlos Vidal diz:

    Claro que é isso que lhes ensino, miguel, a não reconhecerem nenhum cânone e nenhuma forma de representação (plástica – e, subrepticiamente, muito subrepticiamente, algumas doses homeopáticas de maoismo).

  7. Peço desculpe pelo erro no comentário anterior, mas estava a dar a cena das escadarias do couraçado potemkine na rtp2, o que perturbou a minha concentração.

  8. E ando eu a pagar impostos (os que não consigo aldrabar) para isto: doses subrepticiamente homeopáticas de maoismo, injectadas aos jovens ticianos em aulas de pintura.
    Ao menos faça-me o favor de lhes dar a “real thing”.

  9. Luis Moreira diz:

    Caro Carlos, já viu que se a China e a Índia quiserem tirar da miséria os seus cidadãos têm um mercado duas vezes superior ao que estão a perder com a crise no ocidente? Afinal são os dois países (especialmente a China) mais ricos, com uma balança de pagamentos com um descomunal superavit, uma dívida externa inexistente, é o maior credor dos US, e mesmo assim os seus cidadãos vivem na miséria.Era como o Salazar (sem ofensa) tinha o Banco de Portugal a abarrotar de ouro e o povo morria à fome. As sociais democracias têm este enorme handicap.São pobrezinhas mas não há onde tanta gente viva tão bem e há tanto tempo!

  10. almajecta diz:

    estou a inscrever-me como espectador emancipado da dupla negação hegeliana, contudo será melhor a morte dos autores porno pois vão de mao a piao.

  11. Carlos Vidal diz:

    Muito bem, Grande Alma, muito bem, gostei, como sempre.
    Então regista um nome: a igualmente grande JENNA JAMESON (não, não é familiar do grande Fredric Jameson, mas podia ser). Nunca a humanidade produziu coisa melhor. E está mais do que viva!!
    Quanto ao Mao, ele respondia muito bem ao Hegel: dizia que se tens uma verdade deves dividi-la em duas sem as conciliares.

  12. helderega diz:

    Pol Pot e Kim Il Sung estão na calha?

  13. Carlos Vidal diz:

    Não helderega, claro que não.
    Ninguém sabe o que está na calha.

  14. NeoDada diz:

    Olá Carlos! É bom ver que a tua escrita, os teus textos, as tuas convicções, produzem tão interessantes comentadores e tão desenvoltas orlas do saber. Isto promete…Grande abraço

  15. NeoDada diz:

    Desculpa Carlos, queria dizer “ordas”.
    Distraí-me com a GRANDE JENNA de quem estou a matar saudades.

  16. almajecta diz:

    o nominaleirismo em JENNA foi pra mim não foi ? Lá tenho que aguentar com a redução da obra a outras obras ou a objectos caracterizados pela imanência e pela causalidade e daí a recuperação para a arte de um vasto material semanticamente marcado com os comportamentalimos-ó-happening. Olha! um acontecimento.

  17. almajecta diz:

    Evento evento em acontecimento escolhido, ao que parece foi uma reunião de uns putos mais umas miúdas com aquela creatura transmontana que esteve em moçambique de ar exótico tipo indiano e que diz que é muito judeu vendendo umas revistas mais uma livralhada. Ao que isto chegou, jesus maria josé. Também não é de esperar mais.

  18. Carlos Vidal diz:

    Há pouco, eu mesmo li JENNA, que fui eu que escrevi, e pareceu-me JENA, o círculo de Jena, coisa de Hegel que o meu Mao tanto amava.
    Mas era a outra que eu referia, a que tem CARNE; quanto à relação Mao-Hegel já falei: nada de tese – antítese – síntese. Apenas tese-antítese. Vibração e permanência dos contrários. Conflito puro. Conflito para o conflito. Conflito pelo conflito: “que mil escolas floresçam” e que nunca a tradição e o passado sirvam de mediação entre elas – assim se resume o pensamento de Mao. Portanto, Grande Alma, continua a pensar sobre isto.

    Entretanto, NeoDada, quem és tu?
    O NeoDada que eu conheço era coisa dos anos 50, Rauschenberg, Novo Realismo em França, coisa que recrudesce com o novo objectualismo nos anos 80, talvez, talvez.

    Mas, quem és tu NeoDada?

  19. almajecta diz:

    pois é, estou com a cabeça a ferver de tanto pensar, Dá que dá não é arte, então pode ser arquitonto/a, Neo Dá que dá muito menos, logo é designer. Quanto aos do art criticism, cinema, video e fotografia estão dispensados, podem ir andando para as janelas e portas de oportunidade chinesas. Repara bem, diz Ver, depois estraga tudo com os termos “escrita”, “textos” e “produz” este um verbo assaz materialista. Depois, bordas do saber, está fora das preocupações de qualquer mortal, mas o que mais me aborrece é distrair-se com a minha grande jenna jameson.

  20. jenna jameson? o nome não me é estranho. Uma artista conceptual certamente? Passou por Serralves?
    Entretanto googlei o nome e só me sai uma fulana a praticar fellatio com um tipo favorecido pela natureza. Será isto um acontecimento? é um estilo muito parecido com outra grande criadora: a angelica bella, ainda que mais fraca, sobretudo em matéria púbica.
    Elucida-me a alma, jecta.

  21. Carlos Vidal diz:

    Grande Jecta, quem se distrai com a Jenna?
    Estou atento, mas não distraído. A palavra do chinês também, me ocupa – há sempre um momento para as decisões que rebentam todos os diques!
    Miguel Dias, vês a Jenna e dizes que o tipo é que é favorecido?
    Perante a Jenna Jameson (que podia ser familiar do grande Fredric, grande marxista, mas não é), ninguém sai favorecido: apenas ela e a natureza.

  22. É que eu só tenho por referência o que Deus me deu e o das aulas de modelo já foi há muitos anos.

  23. NeoDada diz:

    Ha, ha, ha. Carlos apreciei a tua resposta a Miguel Dias, timoneiro anti-anti-cânone. Quem se distrai com um pénis qdo a grande Jenna se encontra em performance só pode estar cansado de blogues.

    Ó Alma (ab)jecta pelo teu comentário anterior (que demonstra de facto o cansaço que é pensar) não desejo nem por sombras eclodir na tua ordem simbólica qual Real insustentável mas, se me permites, não encaixo em nenhuma das categorias supracitadas. I’m a dog chasing cars…Avé Kristeva! “Bordas” do saber não fui eu que escrevi. Parece-me que almajecta partilha sites na pesquisa da mítica JENNA, pois sim…

    Carlos em tempos fui um desses ticianos que se propunha discutir. Ah, o fundo! Tudo aquilo que a pintura necessita. Daí o verbo Ver, como S. Paulo, mas sem a divindade. Achas que estou a fazer-te a folha? Abraço

  24. Bós, como pornógrafos deixais muito a desejar e tendes muito que aprender. Um connaisseur de pornografia (a oitava das artes), que não me arrogo ser por se tratar de matéria muito complexa, aprecia a composição no seu todo. O que seria da Jenna sem uma volumetria cilíndrica sem a escala correcta e sem aquela inclinação, subtil evocação da torre de pisa, que a preenchesse a vida e a realizasse em toda a sua plenitude: uma página central da playboy? É isso que pretendeis? Uma jenna incompleta, um yin sem yang, um jardim sem flor(es), um vazio sem cheio, um fundo sem figura. Ide ao videoclube mais próximo (estas coisas não se aprendem na net), estudai e aprendei com os mestres, cultivai-vos com a paciência que o alma dedica à horta e depois- ao fim de alguns anos- talvez, repito, talvez podereis pronunciar-vos com alguma consistência, eventualmente espalhar a boa nova, em vez de vos precipitares em piadinhas lorpes, tentando ridicularizar quem, apesar de iniciado, tem muitos mais anos disto.

  25. NeoDada diz:

    Caro miguel dias não me passou pela cabeça que o meu comentário inflamasse a sua postura como “pornógrafo”, ou “connaisseur” como se autodenomina.
    Não caro miguel, não pretendo elevar a Grande Jenna ao patamar de um quadro de Velázquez (“a composição no seu todo?”…) ela apenas cumpre a sua função de corpo despido para que eu possa completar fantasias muito mais imediatas e reais.
    O que seria Jenna sem uma volumetria cilíndrica? Um pedação de mulher, claro. Quanto à idade sabe de certo que não é um posto (mesmo não sabendo as idades dos outros intervenientes aqui) e traz consigo outros handicaps que muitas das vezes fazem ver coisas onde elas, realmente, não estão, como esoterismos orientais.
    Finalmente a sua frase final de “ter muitos mais anos disto” parece indicativo de quantidade. Eu prefiro a qualidade.ff
    Quanto ao Aufhebung hegeliano deixo para depois que o miguel precisa de descansar.
    Continuaremos sobre o tema mullher.
    Bem haja
    Bem haja

  26. Caro dada, não, não sou um connaisseur (leia melhor), soubesse eu de pornografia o que o vidal sabe de arte…
    “Um pedação de mulher…” uma peça de talho, portanto, um bife de lombo, um naco do vazio, “que apenas cumpre a sua função de corpo despido”….. E quer você falar de mulheres.
    Idades? (leia outra vez) Ninguém as invocou. Quando muito rodagem, o que é outra coisa.
    Venha de lá o Aufhebung, quando lhe der jeito. Ou o gang-bang, se preferir.
    Bem haja também para si.

  27. publicas-me isto? diz:

    É pá agora é que vai bruta sabença com esta malta do alemão muito sapiente e erudita.

  28. NeoDada diz:

    Olá miguel mais uma vez.
    A última vez neste item, penso, pois existem outros posts interessantes que gostaria de comentar.
    Acerca do bife do lombo, prefiro peixe. O “naco do vazio” é interessante…Estará a pensar no vazio do Grande Outro zizekiano?…
    “Rodagem” também é um termo aceitável, tipo caminonista, para quem pensa (como o miguel decerto) o corpo feminino como retratado na ilha dos amores. Ou será numa bomba da Galp?
    Quanto a gang-bang, mesmo depois de alguma experiência nesse campo, não desejo deixar ninguém à sombra, entende?
    É óbvio que o corpo feminino, mesmo não me considerando um lacaniano e não partilhando da visão de Weninger, só pode ser entendido como “Objecto”, objecto do desejo. Não do erotismo que esse não existe desde Bataille. A carne é muito mais verídica.
    Pense nisso.
    Até uma próxima.
    Foi uma interessante forma de curar uma gripe.

  29. Carlos Vidal diz:

    Ó NeoDada, antigo colega que desconheço, antigo Ticiano, o mestre que eu sempre quis, com o meu antigo gestualismo, superar. Nunca o consegui, pois perante aquela “Pietá” de Veneza fugi da sala a chorar. Paciência, outra vida virá.
    Mas é da Jenna que falais, amigos comentadores meus?
    Ah, aí só Bataille pode ajudar e não Hegel (apesar de Bataille ter chamado de “amigo” a Hegel). Pois o francês disse e muito bem que o erotismo (o verdadeiro, o sacrificial), apenas o erotismo valida a vida até mesmo na morte. Ou seja, com a Jenna junto a nós a morte vem, mas nunca nos vence – seguramente a Jenna Jameson acompanhar-nos-á. Agora ou daqui a uns aninhos, e até lá continuamos sempre com ela, já mortos, mas selvaticamente felizes.

    E é disso que precisa a revolução, dessa energia que nunca se esgota.
    Adeus meus amigos, outras paragens nos esperam.

  30. NeoDada diz:

    Olá Carlos.
    Concordo em absoluto.
    Abraço

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