Escolas a tempo inteiro ou novas prisões?

Ricardo Santos Pinto, um professor que, no 5 Dias, consegue a proeza de rivalizar com o notável Carlos Vidal, tem-se consumido a atacar a política de educação do Governo. Percebe-se melhor o que o move, quando se sabe que um pilar essencial da política educativa é a escola a tempo inteiro: “Devido à minha actividade profissional, paralela ao ensino”.

Talvez por achar o texto acima irrelevante, o Ricardo não o comentou.
Como entendo que é um sinal dos tempos e ajuda a perceber a concepção reinante que os professores são empregados do governo, aqui fica o que se pode deduzir deste post:
– os professores não devem atacar o governo;
– os professores não devem ter outras actividades profissionais;
– os professores que tiverem outras actividades profissionais devem ser denunciados.

A propósito, também tenho alguma curiosidade em saber o que pensam os corporativos sobre a possibilidade de haver bloggers a viver à custa do erário público, sem que haja um estatuto de carreira decente?

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18 respostas a Escolas a tempo inteiro ou novas prisões?

  1. Luis Moreira diz:

    Por acaso, quando li isso, pensei logo que o Ricardo ía ter amigos à perna.Mas, depois, como a imagem que ficava tinha a ver com arqueologia,pensei que os amigos olhassem para essa actividade paralela como um hobby .Mas isso sou eu que sou amido dele!

  2. Luis Rainha diz:

    Isto é quase repugnante. Não há qualquer ligação entre o excerto citado e a escola a tempo inteiro. A continuação dessa frase é “…sou obrigado a consultar frequentemente o «site» do Instituto Português de Arqueologia”.
    Agora o facto de um professor escrever livros transforma-o num preguiçoso? E invalida as suas críticas ao governo?
    Francamente.

  3. Obrigado, Tiago. Não tinha visto esse «post».
    Já o comentei lá e reproduzo-o aqui:

    «Era o que faltava que, por ser professor, não pudesse fazer uns biscates por fora. Onde é que está escrito que tenho de ter exclusividade?
    De vez em quando, uma editora dá-me trabalho, escrevendo uns livritos relativos à história local. De vez em quando – uma vez por ano, não mais. Faço o meu trabalho em casa, envio por mail, recebo o dinheiro e passo o respectivo recibo verde. Vou às instalações da editora uma vez em todo este processo. A mesma editora que me valeu nos 14 anos em que fui professor contratado e, nos primeiros anos, nem subsídio de desemprego tinha.
    Nem sei por que razão estou a dar estas explicações. Há centenas de milhares portugueses que têm dois empregos, só eu é que não posso? Conhecem algum deputado que não tenha dois empregos? Algum médico? Alguém que possa aproveitar o que a lei lhe permite? Conecem algum escritor que viva da escrita?
    E se ainda fosse um segundo emprego e não um biscate ocasional…
    Ah, e sempre que aparecem explicações (o que é raro na minha área), também as aceito, desde que não seja, logicamente, a alunos meus. Será crime?
    14 anos de contratado, com mulher contratado, muitos anos sem subsidio de desemprego. Cheguei a passar fome – não tenho vergonha de o dizer. Agora estou bem, pertenço aos Quadros, mas aprendi a nunca recusar nenhum trabalho. Até já trabalhei num video clube e na entrega de publicidade porta a porta. Nunca recuso convites.
    Quanto à escola a tempo inteiro, sou completamente a favor. Uma das poucas coisas boas que esta ministra fez foi obrigar os professores a estarem mais tempo na escola. Se lesse os meus textos com atenção, sabia disso.
    Aliás, remeto para a caixa decomentários do tal post do Igespar, onde digo mais coisas sobre o assunto.
    O Estatuto da Carreira Docente não obriga a exclusividade. Devia obrigar?
    Cumprimentos.

    Ricardo Santos Pinto»

  4. Carlos Vidal diz:

    São tão ignorantes, tão burros (o tipo do País Relativo acha que eu sou mal educado) estes tipos, estes discípulos do Berlusconi português, que nem sequer sabem que um professor, pelo menos no superior é assim, é avaliado pelas publicações, conferências, currículo “exterior” ao estabelecimento de ensino onde trabalha, em que participa ou protagoniza. Estes berlusconizinhos nem para ….. servem (quem quiser que complete a frase, que eu não sei).

  5. Luis Rainha diz:

    Agora, dizem que é uma questão de “exclusividade” nas funções docentes, quando a legislação, afixada no site da DREN, refere que “O exercício de actividades de criação artística e literária” não é considerado para o efeito…
    Haja paciência para esta malta.

  6. (continuação)

    «Já agora, apenas mais um esclarecimento. Se eu quisesse leccionar noutra escola, particular, por exemplo, em regime de acumulação, tinha de pedir, com efeito, autorização à DREN. Mas as regras de acumulação são muito apertadas hoje em dia. O que acho muito bem, atendendo ao enorme desemprego docente.
    Agora, escrevo um livro e tinha de pedir autorização para fazê-lo???
    E vou esquecer agora a vertente jurídica. É melhor para o sistema ter professores que se limitam a dar as suas aulas, que nunca se actualizam, ano após ano, que dizem as mesmas coisas há 30 anos, ou ter professores que se interessam por outras coisas, que, para escreverem livros, continuam a estudar e a aplicar os seus novos conhecimentos nas aulas que dão, que pesquisam, investigam, que escrevem em blogues? Com os alunos que vamos tendo, com o nível a baixar de ano para ano, os professores que não se acautelarem só desaprendem. Emburrecem.
    E depois há a vertente económica. O Estado coloca-me a 100 km de casa. Paga-me 250 contos por mês, mas desse dinheiro, tenho de tirar 40 contos para o quarto alugado, 30ou 40 para a alimentação e 20 contos para a gasolina. No fim dessas contas, tendo ainda de pagar a minha casa, onde vivo ao fim-de-smana e a minha família a semana toda, será que fico com uma fortuna assim tão grande que seja obrigado a ter exclusividade?
    A minha mulher, já agora, ganha, num bom mês das Actividades Extra-Curriculares de Inglês ao 1.º Ciclo, menos de 80 contos. Um bom mês é quando não há férias escolares (não são pagas), quando não calha nenhum dia feriado (não são pagos)ou quando não tem de ir ao médico com a bebé (eu não posso que estou muito longe). Também acha que não devia poder trabalhar em mais nada?
    Para terminar, o que acha de um antigo engenheiro técnico da Covilhã, que trabalhava na Câmara Municipal da Covilhã e andava a assinar projectos, em paralelo, noutras Câmaras? e que depois chegou a primeiro-ministro? Será que também não o devia ter feito?
    Cumprimentos,

    Ricardo Santos Pinto»

  7. Luis Rainha diz:

    Ricardo,
    A pulhice de atribuir à tua actividade como escritor a razão da tua oposição à”escola a tempo inteiro” seria de esperar daqueles lados. Mas nem devias justificar-te tanto face àquela malta. Eles não têm razão, pois as actividades literárias não contam como quebra de exclusividade. O resto é conversa.

  8. Pois não.
    Se não fosse este «post» do Tiago, eu nem tomava conhecimento do que eles escreveram.

  9. Tiago Mota Saraiva diz:

    Fossem as explicações de quem detém cargos de responsabilidade neste país, tão claras como as do Ricardo (que ao contrário de outros não tem nada que ser escrutinado na praça pública), e não teríamos “campanhas negras”…

  10. Esta ideia da “escola a tempo inteiro”, vulgo local onde se depositam os filhos, é um mito. Mas ela é propalada aos sete ventos como panaceia, para os males que afligem o ensino, pelos propagandistas do governo. Por gente que não conhece mais nada para além dos gabinetes ministeriais ou das redacção de um qq desses jornais de referência que certamente contribuem para dar substância ao conceito da “decência democrática”, bandeira do último congresso socialista.

  11. Luis Rainha diz:

    Aqueles gajos relativos além de desonestos, não se importam de fazer figura de burros teimosos.

  12. Luis Moreira diz:

    Ricardo, estou farto de te dizer que tu és muito boa pessoa.Não te conheço mas já te avisei,pá! Julgas que o pessoal é como tu, um gajo que gosta da vida e dos outros. Não é assim,há muita maldade,gente disposta a tudo.Ou passas a ser menos genuíno na tua vida pública ou tens que arranjar uma carapaça para aturares estes filhos do ódio.Digo-te eu, que já sofri muito por causa de pessoas a quem ajudei muito.

  13. Não te preocupes, Luís. Nada tenho a esconder.
    A mim, não me sai um esqueleto do armário do passado a cada dia que passa. Neste país relativo, em que temos um primeiro-ministro relativo, já nada me espanta. Fiz uma licenciatura a sério numa Universidade a sério, não a comprei. Não há falcatruas nem corrupção no meu passado. Acusem-me do que quiserem, porque eu não ando de pernas abertas para os senhores do poder.

  14. manuela diz:

    Os ‘camaradas corporativos’ andam desnorteados e alguns um bocadinho mais do que isso.

    Para já não entendem um chavo de legislação, porque o Ricardo não se encontra em nenhuma das situações de impedimento, quer como contratado quer como professor do quadro. Só não sei o que é que a maravilhosa DREN entende por os docentes que se encontrem na situação referida no n.º 5 do artigo 48.º do ECD, já que o ponto nº5 do artigo 48ª não existe. Mas os ‘camaradas corporativos’ vão fazer o favor dar um parecer.

    E ainda bem que o que eles dizem é apenas para consumo de blogues, porque seria uma pena que a Lídia Jorge, o Fernando Campos, Albano Estrela, etc., não pudessem dizer o que lhes vai na alma.

    Os bloggers a viver à conta do erário público são na maioria tão mauzinhos que se denunciam ao primeiro facto relativo. E como as relatividades já fazem parte do nosso quotidiano, é vê-los a correr de um lado para o outro a apagar fogos.

  15. Luis Moreira diz:

    Mas é por isso mesmo que eles não suportam gente como tu.Dizes o que pensas,não escondes nada,não tens esqueletos.Um gajo assim é um gajo perigosissimo!Nenhum de nós pode ser melhor que o líder, seja ele quem for,esta é a tragédia do tempo presente.

  16. A desonestidade destes tipos é algo que me assusta. É que não há maneira de combater a relatividade quando esta se destina a mentes absolutamente curtas.

    Eles sabem disso e a sua eficiência é tudo menos relativa.

    Por isso não sei o que será melhor: ignorá-los ou mandá-los à bosta apenas. Apresentar cumprimentos é que não pode ser Ricardo; desculpe lá.

  17. (Deixei-lá este comment) RComment aqui:
    Um país que funciona a trote da multiplicação de sofríveis figuras que de públicas infestam as posições de decisão y as decisões y como parasitas sugam os recursos de um país só lhe dando M-rd- em troca. Exactamente era o que faltava alguém ficar agrilhoado às 8 horas de funcionalismo público y não fazer pela vida.

    PS.: Este pessoal tem filhos como quem tem bicharocos … para os levar à rua a passear y etc. é o cabo dos trabalhos, assim pensam de Igual a Educação dos filhos! Ah!! Isso??? É para os Prof’s!
    F-se!

  18. Agora um Comment Original Y para a Risota

    O Pessoal Confunde Professores Com Padres … de facto é uma coisa para o Sacerdotal isso de se Ensinar, mas Exigir Castidade Laboral como quem exige Castidade “Pia”-sexual é no mínimo bizarro. Aliás, cada um trata dos seus votos.

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