O discurso inaugural

Começou o Congresso do PS e Sócrates fez um discurso inaugural assassino.
Era previsível que José Sócrates falasse sobre os feitos deste governo, sobre as duas ou três questões ditas fracturantes e que constam da sua moção global e que procurasse mobilizar e unir o partido para as eleições que se avizinham. Sócrates fez tudo isto.
Contudo, foi surpreendente que no discurso de abertura se referisse ao caso Freeport nos termos em que se referiu, sabendo (porque o sabia certamente!) que esse passaria imediatamente a ser o principal soundbyte do seu discurso inicial e que pairará até ao dia do encerramento do Congresso. Já aqui defendi que há questões políticas por esclarecer no caso Freeport, marginais ao processo de investigação do caso, mas José Sócrates com este discurso coloca todo o caso como uma questão política e coloca o PS, e não Sócrates, como o acossado.
Com o seu discurso inicial Sócrates termina a fase da campanha negra contra si, passando-a para o partido. Será expectável que vários congressistas, sem dados concretos sobre a investigação, intervenham sobre a matéria em sinal de apoio ao líder transformando-a na questão política de fundo do congresso.
Se é verdade que este tipo discurso até pode ser galvanizador do aparelho partidário não é minimamente fundamentado numa unidade política comum, tornando-o dependente dos tempos, se é poder ou não, e da investigação judicial.
Sócrates teria muito a aprender se olhasse para o que se passou com o Partido Socialista Italiano.

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