Qual é o problema da Madonna?

A Madonna é gira, a Madonna já foi mais gira, mas a Madonna envelhece bem, e continua gira, e continua sexy, a Madonna é uma sexy de vanguarda, a Madonna é sexy com muitos e a Madonna é sexy com poucos, a Madonna é sexy com outras madonnas e a Madonna é sexy com madonnos, a Madonna é sexy branca e a Madonna seria sexy se fosse preta (aliás é italiana), e não obstante a Madonna é mãe, e é um pai para todos eles, os um, dois, três, imensos filhos da imensa Madonna, que vive na Europa e nos E.U.A. e vai buscar filhos filhos a África (não vai?), que é católica e é judia e nunca se farta, que é loura e usa lingerie preta, que escreve livros para crianças e produz sonhos para adultos, e etc. e tal. O único problema da Madonna é que a Madonna é música e a música da Madonna é uma merda com éme grande (como o M de Madonna).

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
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19 respostas a Qual é o problema da Madonna?

  1. O Figueira está a ver tudo ao contrário.
    Das poucas coisas da madona que não são merda é a música.

    http://www.youtube.com/watch?v=DN5WEz_aMlc&feature=related
    Get into the groove
    Boy youve got to prove
    Your love to me, yeah
    Get up on your feet, yeah
    Step to the beat
    Boy what will it be

    (Sendo verdade que neste caso, os verdadeiros génios são os senhores Nile Rodgers e Bernard Edwards)

  2. António Figueira diz:

    O Figueira vê sempre tudo ao contrário.

  3. O seu texto e a música da Madonna partilham a mesma substância.

  4. António Figueira diz:

    O seu comentário, o meu texto e a música de Madonna partilham a mesma substância (and so on and so forth).

  5. Que o figueira vê TUDO ao contrário eu não sabia. Aliás, eu nem sei quem é o figueira. O que calha bem porque o figueira não sabe quem eu sou.

  6. JDC diz:

    Err.. A Madonna, segundo consta, é adepta dessa grande religião (?) que se dá pelo nome de Cientologia…

  7. Paula Telo Alves diz:

    Não, a Madonna é adepta da Cabala (whatever that means). A música é que é realmente uma merda.

  8. Zunkruft diz:

    Um comentário algo limitado – talvez conheça apenas os maiores singles que ainda hoje passam nas rádios. Experimente ouvir o Like A Prayer (1989) – ainda hoje considerado uma obra-prima da música pop dos últimos 25 anos, ou o Erotica (1992) que foi então arrasado pela crítica e que é, hoje, visto como o melhor registo da senhora e que, para além disso, foi percurssor de algumas paisagens sónicas bastante inovadoras para a época (que só na presente é que começaram a dar frutos). Ou experimente então ouvir Ray Of Light (1998) – o mais bem recebido registo dela, ou os sucessores Music e o controverso American Life que incluem trabalhos de produção (e de masterização) soberbos e inovadores, independentemente da qualidade e da acessibilidade das canções. Simpatize-se com ela ou deteste-se a “Nossa Senhora”, estes dados são um facto. Vai ver que muda de opinião em três tempos.

    Por outro lado, reduzir a importância cultural da Madonna ao vestido de noiva de “Like A Virgin”, às crianças adoptadas em África e à desinibição sexual manifestada… a isso chama-se ignorância. A representatividade deste símbolo na cultura popular dos últimos 50 anos não vem por acaso e não vem apenas porque têm N álbum #1 nas tabelas de vendas ou porque as digressões dão lucros milionários. Experimente ler alguns estudos culturais (nomeadamente sobre as noções de género, raça, sexualidade, e sobre a interdisciplinariedade artística), veja quantas vezes a palavra “Madonna” lá surge mencionada, e tire as suas conclusões.

  9. Luis Moreira diz:

    As coxas! As coxas da Madonna é que são um delírio!

  10. PJMODM diz:

    mas a música, o enlatado, não deixa de ser uma merda…

  11. Pedro Maçãs diz:

    Zunkruft,

    Os conceitos “Soberbo”, “inovador” (considerado por quem?), “obra-prima” (decretada por quem?) não são “factos”, como o (ou a) Zunkruft declara.

    São avaliações absolutamente subjectivas feitas por si (e por muitos outros, eu sei – mas não são factos).

    A importância da Madona na cultura pop é inegável. Só quem ande de olhos (e não ouvidos) fechados é que não atinge o valor da sua contribuição.

    Mas a música é uma merda. Sozinha então, é muito pobre – quer na forma, quer no conteúdo.
    Absolutamente datada, só por piada ou gozação (ao género do YMCA, por exemplo) é que passa de uma década para outra.

  12. Zunkruft diz:

    Por quem? Pela crítica generalizada e por quem percebe, não apenas de música, mas de trabalho em estúdio (pelo menos disso posso falar). Lá porque discorda da massa crítica ou de quem tem experiência na área, não significa que possa descredibilizar, lá porque é uma área extremamente optativa/opinativa e aberta a interpretações.

    Se se limitar a ouvir “Like A Virgin”, “Material Girl”, “Hung Up”, “Music” e coisas do género, aí sim, pode afirmar que é uma evolução da pop mainstream que já existia na década de 70.

    A tónica coloca-se de outra forma. E se compararmos os singles mais pop e composicionalmente óbvios da Madonna com os correspondentes às cantoras pop mainstream de hoje? A diferença na essência é abismal e quase que deixa de ser vergonhoso gostar-se de ouvir uma canção como a “Papa Don’t Preach”.

    Agora experimente ouvir “Secret Garden”, “Justify My Love” (ou a versão “Beast Within”), “Bedtime Story” que são canções vanguardistas, não só do ponto de vista do aparecimento dos respectivos géneros (e influências), bem como do ponto de vista das próprias composições e das técnicas de produção e até na forma de entrega das canções para com quem as ouve.
    Se não quiser continuar a limitar-se, experimente avaliar o trabalho feito em estúdio em canções da actual década e da mistura do acústico tradicional com o inovador trabalho de produção em “I Deserve It”, em “Paradise (Not For Me)” ou em “Easy Ride”.

    Madonna não é apenas “Like A Virgin” e “Give It To Me”; tal como os The Beatles não são apenas a “Help!” ou a “Hey Jude” e a “Let It Be”; tal como David Bowie não é apenas “Changes” e “Let’s Dance”; tal como U2 é muito mais do que “Sunday Bloody Sunday”, “Elevation” e “One”; tal como Radiohead é muito mais do que “Creep” e “Karma Police”; tal como Led Zeppelin é muito mais do que “Whole Lotta Love” ou “Stairway To Heaven”, tal como Prince é bastante mais do que “Kiss”, “Purple Rain” e “The Most Beautiful Girl…”, etc etc etc.

  13. Morgada de V. diz:

    António, give the girl a break: a Madonna é um ícone gay, feminista, pop, símbolo de “bondage” e de libertação sexual, Fénix em permanente renascimento, etc & tal e mais tudo aquilo que V. disse, como é que quer que lhe sobre tempo para a música?

  14. Zunkruft diz:

    «a Madonna é um ícone gay, feminista, pop, símbolo de “bondage” e de libertação sexual»

    Mais do que isso, a Madonna anda há 25 anos a brincar com noções muito simples que são a génese de quase todos os tabus da nossa sociedade: a noção de género.
    Esse “trocar das voltas” que ela tem feito tem sido menos expressivo na actual década, mas está bem patente, principalmente em videoclipes (“What It Feels Like For A Girl”, “Express Yourself”, “Erotica”, “Don’t Tell Me”, “American Life”, etc) – nomeadamente, com as noções de sexualidade, orientação sexual, transgressões e perturbações da sexualidade (nomeadamente o BDSM), valores da masculinidade e femilidade (reforçando a coexistência dos valores das masculinidades e feminilidades hegemónicas e subversivas), etc. Para além disso, foi uma das marcas da indústria discográfica e do show business e gozar com os valores da Igreja Católica (principalmente se pensarmos que ela foi educada nos EUA onde a presença desta influência é enorme em diversas comunidades) e a desafiar o Vaticano, mesmo que isso lhe desse publicidade gratuita e lhe alimentasse o ego.

    É isto que faz do nome Madonna uma referência nos estudos culturais, quando cruzados com os estudos artísticos – não é o vestido de noiva de “Like A Virgin”, nem o divórcio com um cineasta falhado, nem os livros para crianças que fazem dela uma figura icónica.
    E a constante reinvenção não será apenas um capricho para auto-publicidade, é apenas o reflexo da constante pressão do capitalismo selvagem, na materialização da música num produto – e a Madonna sabe perfeitamente disso… há duas décadas, pelo menos.

  15. Morgada de V. diz:

    By the way António, essa da Madonna ser um pai é de baixo decote.

  16. Remix n lhe faltam, Remixa lá tb a ideia que tens da moça. http://f-se.blogspot.com/2008/07/f-se-give-it-2-me.html

  17. Diogo Vasconcelos diz:

    Que justo!!!!

  18. Pingback: cinco dias » Isto anda tudo ligado

  19. Clarice diz:

    Achei de péssimo gosto… me reservo o direito (também por educação) de não tecer maiores comentários. Mas sobra a pergunta: Qual o problema de alguns irmãos portugueses? Esse texto soa intelectualóide. Do tipo provinciano e arcaico.

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