Um hino ao alarmismo

O blasfemo CAA descobriu mais uma escorregadela do Reino Unido em direcção ao pântano do relativismo (a)moral. Um sinistro folheto que pretende dar pistas aos pais no que toca à educação sexual. Algo que é urgente por aquelas paragens, tendo em vista que a gravidez adolescente está de novo a aumentar.
Para CAA, trata-se de «mais um marco na ingerência do Estado na função educacional das famílias». Diz ele que «O documento exorta os pais a não imprimirem nos filhos a distinção entre o bem e o mal no plano sexual. Os menores deverão formar os seus juízos sem intervenção parental: o contexto social e, sobretudo, o Estado encarregar-se-ão disso.»
O problema é que o texto do tal folheto parece transmitir uma mensagem diferente: «Discussing your values with your teenagers will help them to form their own. Remember, though, that trying to convince them of what’s right and wrong may discourage them from being open.» O que me parece, como pai recidivo, ser do mais elementar bom senso: impingir à força valores arbitrários é sempre pior estratégia do que a negociação e a sugestão suave mas persuasiva. Outra ideia veiculada pelo horrendo panfleto é incitar os pais a terem a “grande conversa” o mais depressa possível, antes que os filhos apanhem informação distorcida através dos amigos. Mais um disparate relativista em prol do tal «contexto social», está visto.
Para CAA, tudo isto prova que «o Governo trabalhista inglês quer que os pais deixem de o ser – só geram os filhos que, depois, ficam ao ‘Estado dará’». A mim, afirmar que «discutir os seus valores com os seus adolescentes vai ajudá-los a formar os deles» soa precisamente ao oposto – um lembrete da responsabilidade que cabe aos pais: não esculpir à pedrada os valores dos filhos, mas sim ajudar a moldá-los, com inteligência e tacto.

PS: claro que isto não é tão histérico como a propagação de boatos alucinados a que o Henrique Raposo já se dedicou. Mas não deixa de ser curiosa a vontade que tantos têm de ver o fim do mundo com antestreia na pérfida Albion…

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

Uma resposta a Um hino ao alarmismo

  1. Não é também a primeira vez que este CAA reproduz notícias ou textos da forma com um conteúdo diferente do original. Deve ser por os ler à pressa, não sei.

Os comentários estão fechados.