O racismo por mares nunca de antes navegados/ Where no man has gone before

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Ferreira Fernandes lembrou-se de ler num disfarce carnavalesco de Juan José Ibarretxe um desígnio racista. O homem colocou umas orelhas de Mr. Spock e lançou umas graças sobre a «outra galáxia», Espanha, que «quer controlar a galáxia basca». O nosso esforçado polícia do pensamento topou logo que esta «pode ter sido uma forma de dizer que no País Basco há uns puros e há outros de orelhas normais, simples filhos de imigrantes galegos e andaluzes». O motivo seria simples: «A base histórica do PNV é racista, o seu pai espiritual, Sabino Arana, emprestava aos bascos uma superioridade sobre os restantes ibéricos.»
Que se tratem de ideias do século XIX, quando quase todos confundiam nação com raça, e de uma reacção ao pesado domínio então exercido sobre o País Basco, tudo é coisa de somenos. Aliás, e só por exemplo, sabemos da dificuldade de encontrar no nosso maior poema épico passagens nada racistas como estas: «Co’o sangue mouro, bárbaro e nefando», «Não segue ele do Arábio a lei maldita» ou «Estorva conquistar o povo imundo»…

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