É Carnaval, mas isto é para levar a mal

Há dias que ando a acartar a Moção de José Sócrates “PS: A Força de Mudança“, que será apresentada ao XVI Congresso Nacional do Partido Socialista. Confesso que ainda não tive oportunidade de a ler cuidadosamente na integra, e contava fazê-lo antes de escrever um post sobre ela aqui. Mas o tempo escasseia, o dito Congresso é já no próximo fim de semana (27 de Fev. – 1 Mar.), e penso já ter lido o suficiente para aqui tecer alguns comentários. Além do mais, parece-me apropriado fazê-lo no dia de Carnaval, pois, na moção, Sócrates veste diversas máscaras para nos tentar enfiar o barrete.

(Antes da  me lançar na exegese da moção, envio um saudação fraterna à população de Torres Vedras, que soube encarar a palhaçada política em torno do Magalhães com o devido bom humor, e respondendo ao Ministério Público com uma boa dose de sátira política.)

Comecemos logo pelo título do primeiro capítulo da moção, intitulado «A Actualidade do socialismo democrático». Para mim não é nada claro o que Sócrates, ou o PS, entende por “socialismo”. Não se trata certamente do Socialismo Utópico ou do Socialismo de Marx. A moção também não o esclarece. Será o Socialismo segundo o modelo Chinês, já que entre os convidados internacionais ao Congresso se encontra o Partido Comunista da China? Não será antes aquilo que no jargão político se chama social-democracia, ou reformismo, ou terceira via, isto é, uma “humanização do capitalismo”? Só este título inaugural alerta para um aproveitamento, presente ao longo de todo o documento, de uma linguagem de esquerda numa clara tentativa de angariar os eleitores de base do PS, alienados e atacados pelas reformas do Governo Sócrates. O próprio termo “esquerda” é suficientemente ambíguo que se presta a ser abusado. Admito que tenha um sentido diferente para diferentes pessoas, pelo que para efeitos deste post consideremos que uma definição mais ou menos ampla: a “esquerda” representa a ala disposta a transformar a sociedade no sentido da igualdade e justiça económica e social, sendo que, nas “barricadas” se coloca junto dos mais desfavorecidos. Evito com isto falar em sistemas económicos (um termo porém implícito, creio, quando se refere socialismo), mas evito explicitamente o conceito de “luta de classes”. A minha definição pessoal é um pouco mais restrita. Pelo menos destacaria a existência de uma “luta de classes”, de explorados e exploradores, oprimidos e opressores. Alguns acham o conceito ultrapassado, mas a verdade é que ela ai está – então neste período de maior crise económica. Mas tomemos a definição mais abrangente, com termos menos conotados. Pode o Governo PS e o PS candidato às eleições (um e o mesmo) caracterizar-se como sendo de esquerda. Tem sido promotor de muita mudança, ou “reforma” na linguagem oficial. Reformas ditas necessárias. Mas de que lado da barricada se tem colocado o Governo-PS? Quem tem sido favorecido pelas ditas reformas? A resposta para mim parece evidente. Basta ver quem tem lucrado e quem tem apertado o cinto. Quem aperta a mão do primeiro-ministro e quem desfila na rua, exigindo ser ouvido. E Sócrates tem depois o desplante de caracterizar quem tenta proteger os seus direitos como sendo conservadores, sendo ele claro o apóstolo da mudança.

Não reclamo qualquer originalidade ao afirmar que o PS tem praticado uma política que objectivamente se pode descrever como de “direita”. A comprová-lo estão os muitos comentários, dos sectores mais diversos, feitos durante a actual governação PS, que até caracterizam o executivo como praticando uma política mais à direita da que o PSD/PPD se atreveu a fazer quando no governo, facto aliás  responsável, em parte, pelo vazio político deste partido. A comprová-lo também estiveram os múltiplos debates parlamentares entre o executivo e a maior bancada da oposição, que raramente se centraram em questões de fundo, mas se caracterizaram sobretudo por observações de detalhe ao que Sócrates frequentemente respondia “então, porque não fizeram isso quando os senhores estavam no Governo. Nós estamos finalmente a implementar essas reformas, e até a levá-las mais longe.” A forma mais efectiva de oposição do PSD/PPD tem sido não no hemiciclo, com a apresentação de verdadeiras propostas alternativas, mas através do fomentar de “escândalos” na comunicação social para desgastar o PS e a a figura do Sócrates, em particular.

Mas voltemos à moção. Na primeira parte deste primeiro capítulo, «A derrota da lógica de pensamento único», Sócrates critica o neo-liberalismo, que tem submissamente aplicado em Portugal, e não perde a oportunidade para, logo no segundo parágrafo, e a despropósito, criticar o pensamento comunista, revelando o seu anti-comunismo acéfalo (outra constante das suas intervenções na Assembleia da República). Na actual crise económica e financeira, a dança política na moda no “centrão” é criticar o neo-liberalismo, e dizer que o sistema o que precisa é de mais regulação (como se o capitalismo monopolista fosse capaz de se auto-regular, ou permitir que um governo subalterno o fizesse). Na segunda parte refere que «A alternativa está, pois na esquerda democrática.» Alternativa?! A quem?! Não é o PS que está no governo?! Depois usa o termo «esquerda democrática». Retomando a questão da esquerda referida anteriormente: este PS, que governa com maioria parlamentar, representa uma tendência efectivamente democrática, no sentido de dar ouvidos e voz aos vários parceiros sociais, ou apenas a alguns? Um governo que impõe políticas à pressa, sem o mínimo esforço de genuíno diálogo? Um governo que descarta protestos e resistências dizendo “pobrezitos, não entenderam ainda a nossa reforma”. Assim se passou, literalmente, com os Professores. Face às maiores manifestações de um grupo profissional na história portuguesa, que reuniu todo o espectro político, incluindo Professores militantes do PS a envergarem o seu cartão ao alto, o Governo prossegue de ouvidos moucos. São os professores que não entendem. Ou que têm uma atitude corporativa. O único esforço de contacto foi reunir um conjunto selectivo de Professores do PS para que a Ministra lhes explicasse melhor as reformas propostas, como se o problema dos professores fosse serem idiotas.

Mas é na terceira parte do primeiro capítulo que Sócrates adjectiva o PS, como sendo o «partido da esquerda moderna, responsável e progressista». Que grande baile de máscaras! É «moderno» porque é «reformista [e] comprometido com a ciência, tecnologia, a inovação, a modernização social.» Lá reformista é. Mas se considera que reformas que atacam direitos laborais conquistados através da luta dos trabalhadores, liberalizando o mercado de trabalho de volta ao século XIX, não creio que se possam caracterizar como reformas de modernização. Quanto à aposta na Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), não obstante o crescimento relativo em termos orçamentais do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), e algum progresso numa área onde Portugal estava atrasadíssimo, a verdade é que Portugal continua atrasado neste sector, e sob este governo tem-se assistido ao agravamento da proletarização dos jovens investigadores e técnicos científicos, em particular dos bolseiros.

O PS é também «responsável». A escolha deste termo é curioso. Não é propriamente um termo que caracteriza uma ideologia. Mas é algo que procuramos, por exemplo, num gestor. Sócrates torna assim claro a sua concepção de Estado, como um gestor dos dinheiros públicos, e o Primeiro-Ministro, como presidente do Conselho Executivo (um CEO). Fala em colocar o «interesse público … acima do interesse particular» e na «defesa do Estado social, da estabilidade política, do rigor orçamental, da eficácia e justiça das políticas económicas e sociais.» Ui, só este trecho daria pano para mangas e calças. Hão-de reparar que Sócrates fala sempre em “interesse público” e quase nunca em “serviços públicos”. Pudera: tem introduzido tanta “reforma” atacando os serviços públicos do Estado, desde a redução do número de maternidades, centros de urgência e escolas, até mais privatizações, incluindo a da água, esse bem essencial. De tanto serviço público aberto agora à comercialização dos interesses privados (em nome do “interesse público” e do “Estado social”?), pouco resta ao Estado que defender o “rigor orçamental” e a “eficácia”, estilo Simplex. Recorde-se que foi em nome do défice que Sócrates exigiu grandes sacrifícios e contenção orçamental. Mas esse rigor, na actual crise, já lá vai. Agora, já é aceitável superar os critérios de convergência europeus para o défice e fazer investimento público para re-animar a economia. Mas estejam descansados que esse investimento terá em conta o “interesse público”, como é exemplo o investimento em grandes projectos como o TGV, enquanto outras infraestruturas públicos se degradam.

Mais adiante (pag. 10), Sócrates clarifica: «Este não pode ser o tempo de aventuras. Não pode ser o tempo nem das demagogias irresponsáveis e perigosas da esquerda comunista e da extrema esquerda, nem do populismo e das receitas falhadas do passado que a direita tem para oferecer. Pelo contrário, este tem de ser, mais do que nunca, um tempo de responsabilidade na governação do País.» Para Sócrates, ser responsável está em contraste com todos os demais, os aventureiros. Pouco importa que o PS tenha, por exemplo, há dias imposto um Código Laboral mais regressivo que o anterior Governo do PSD/PP propôs, e que a então bancada do PS criticou. E a tal outra esquerda é perigosa? Para quem? Ora essa é fácil. É perigosa para os interesses monopolistas que Sócrates protege.

Por fim, o PS é «progressista». Ver o PS usar este termo causa-me perplexidade. Bem sei que termos políticos assumem diferentes conotações segundo o país e contexto. Um liberal nos EUA está no pólo político oposto que um liberal no Reino Unido (onde o termo está mais perto das suas raízes e do uso na expressão “neo-liberal”). Nos EUA, um progressista é um radical de esquerda. No léxico de Sócrates, progressista é o oposto de conservador. Mas não se pense que se refere à Partido Conservador do RU. Conservador é qualquer que recuse a mudança, mesmo que mudança para pior, mesmo uma mudança que represente um retrocesso histórico.

Afirma depois que o PS é a «esquerda que quer governar», suponho que por oposição a uma esquerda que não quer governar e só quer criticar. Não sei bem é qual é essa tal esquerda. Não estará certamente a pensar no Bloco de Esquerda ou Partido Comunista Português. Ambos partidos querem governar, ao nível local e nacional. E basta ver as estatísticas da Assembleia da República para ver que estes partidos, em particular o PCP, dominam o hemiciclo em número de Projectos de Lei. Criticam, mas também apresentam alternativas. Estas são é sistematicamente chumbadas pela maioria de direita, do PS ao CDS-PP.

Sócrates prossegue neste ponto descrevendo os «valores essenciais» do PS. Aqui vemos finalmente menção dos “serviços públicos” e referência à protecção dos «grupos mais vulneráveis». Até seria de louvar esta proclamação, se durante a presente governação do PS não se tivesse verificado um aumento da desigualdade social e reformas atacando os mesmos serviços públicos. Afirma então que o PS «é partidário da economia de mercado e defensor do papel estratégico do Estado democrático, com capacidade reguladora, mas adversário do proteccionismo e do colectivismo.» Cá temos claramente a ideia de Estado reduzido ao papel de regulador e gestor do dinheiro dos contribuintes.

No parágrafo seguinte, é hiperbólico na sua descrição como partido da Europa: «Sem qualquer hesitação, ambiguidade ou reserva, somo o partido da construção europeia.» Sem “qualquer hesitação”?! Então se os critérios do Banco Central Europeu penalizarem os países periféricos, como Portugal, em benefício dos países mais ricos da UE? E se a Política Agrícola Comum continuar a impôr medidas que liquidam o nosso sector agrícolo e a nossa soberania alimentar? E se a Política de Pescas continuar a oferecer territórios a Marrocos que antes eram exploradas por frotas pesqueiras portuguesas?

Por questões de tempo e da vossa paciência, não irei continuar neste exegese pormenorizada para todo o documento. Aos interessados recomendo a sua leitura crítica. Mas permitiam ainda alguns comentários:

  • No capítulo II, «A acção do PS», avança-se a tese mistificadora de que a crise económica e financeira caiu-nos em cima, como se não houvesse causas domésticas (sobre as quais o PS tem responsabilidade) para que esta crise tenha tido em Portugal os efeitos que está a ter, e como se não existisse já um agravamento da condição social e laboral, incluindo uma taxa de pobreza que afecta 2 milhões de Portugueses, que precedeu o arrebentar da crise financeira nos EUA e depois por todo o Mundo. Mas não, na visão de Sócrates o «incontestável processo de recuperação da economia portuguesa foi interrompido … por consequência dos efeitos da crise internacional» (pag. 6). Que tenham havido países que, tendo preservado sob domínio público sectores estratégicos da economia, resistiram ou atenuaram os efeitos domésticos da crise global é irrelevante.
  • Gaba-se de ter conseguido vencer a crise orçamental, mas não detalha a que custo sociais da deificação do défice.
  • Lista as várias reformas (as tais reformas modernas e progressistas), onde se inclui a reforma da legislação laboral. E como trata a incapacidade de impor as reformas na educação devido à resistência massiva dos professores: «foi na educação que enfrentámos o mais sério obstáculo à competitividade do País e à igualdade de oportunidade entre os portugueses.» Pois é: os professores como uma força conservador, que impedem o progresso.
  • Chamo a vossa atenção para o uso da expressão «Estado amigo e promotor da iniciativa empresarial», na pág. 12, pois mais uma vez nestes rasgos Sócrates desvenda a sua visão do Estado. O Estado é nosso amigo, o bom pai, que cuida de nós, que é responsável. Esta expressão tem ecos que estão em contradição com uma visão democrática, com o pluralismo e criação de alianças que Sócrates refere noutras partes da moção.
  • Não posso deixar de comentar um dos pontos que maior destaque recebeu nos média (embora o resto do documento seja muito mais ilustrativo do que Sócrates pensa e pretende para Portugal): «a remoção … das barreiras jurídicas à realização do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.» Esta proposta demagógica exige duas perguntas: 1) se é tão a favor do casamento homossexual, então porque não aprovou as propostas do Bloco de Esquerda ou do Partido Ecologista “Os Verdes” na presente legislatura, ou porque não elaborou o PS uma proposta nessa mesma ocasião? Responde o PS que não fazia parte do seu programa eleitoral, como se um Governo não tivesse legitimidade para passar legislação sobre questão não presentes no programa, dialogando com os vários partidos, ou como se este Governo não tivesse descartado a promessa eleitoral, inscrita no seu programa, de referendar o “Tratado Constitucional”, alegando tratar-se de um novo documento; 2) O casamento é o tema mais relevante para a comunidade homossexual, ou é apenas o tema querido de alguns dos seus supostos porta-vozes, como o Miguel Vale de Almeida? Não será mais importante tomar medidas para combater a descriminação e homofobia que intimida e leva ao suicídio jovens homossexuais?

Por fim, Sócrates quer uma nova maioria absoluta para poder continuar as suas reformas “em paz”, prosseguindo a sua postura arrogante, fugindo à concertação e diálogo social, fazendo apelo a um valor questionável numa democracia: a estabilidade. Portugal teve um período de grande estabilidade durante 48 anos. Não vejo que dessa estabilidade tenha resultado nada de muito positivo. Temendo ter desgastado a sua base social de esquerda, Sócrates lança uma moção polvilhada de palavras e algumas medidas com o intuito de se reaproximar dessa base. Mas basta recordar as medidas que este Governo PS implementou para facilmente se antecipar que uma segunda maioria não será “de esquerda”, mas antes (como uma leitura atenta da moção torna evidente) uma continuação da mesma política de direita que tem alternado entre o PS e o PSD/PPD (com a ocasional participação do CDS/PP coligado com um ou outro) ao longo de todos os governos eleitos desde o 25 de Abril. O que Portugal precisa não é uma nova maioria absoluta de um partido de políticas de direita, mas de reforçar as forças efectivamente de esquerda na Assembleia da República. Antes um governo apoiado numa minoria parlamentar, forçado a dialogar e fazer concessões, que a cúpula de um Partido a governar a seu belo prazer, para benefício dos seus “boys”. Nas anteriores eleições, após a governação patética de Sócrates, é de algum modo compreensível que muitos tenham respondido votando PS, na esperança de uma mudança, de uma viragem à esquerda. O Governo PS mais do que demonstrou que essa esperança depositada nas urnas foi defraudada. Não há razão para cometer esse erro novamente. Por isso apelo, aos que se identificam com os valores de esquerda, com as Portas que Abril Abriu, para citar o poeta Ary dos Santos, com o programa consagrado na Constituição da República: NEM UM SÓ VOTO DA ESQUERDA NO PS!

About André Levy

Sou bolseiro de pós-doutoramento em Biologia Evolutiva na Unidade de Investigação em Eco-Etologia do Instituto Superior de Psicologia Aplicada, em Lisboa
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31 Responses to É Carnaval, mas isto é para levar a mal

  1. Carlos Vidal says:

    Repito tal vezes sem conta, caro colega: nem um só voto da esquerda no PS, que é, por muitas razões o maior inimigo da esquerda. Porque enquistou na sociedade portuguesa a situação de que só é possível governar ou ter no governo uma franja do PS ao PP. Tem sido assim desde 74 e foi o PS que assim limitou a democracia portuguesa, quem impede a esquerda de se recompor e/ou reconfigurar. E tenho dito mais (e não sei quem concorda comigo por aqui, talvez o Tiago): prefiro uma reconfiguração na esquerda com o PSD no governo, do que esta paralisia da esquerda e o PS no governo. De longe, prefiro o PSD no governo e a esquerda em ebulição. E o que é isto? É uma aproximação entre três partes: uma ala esquerda do PS abandonaria essa “casa-equívoco”; o BE e o PCP deixariam de se hostilizar mutuamente – não há outra saída para a esquerda. BE, PCP e uma parte do PS que se fragmentaria irremediavelmente. Ou seja, merecidamente!

  2. Luis Moreira says:

    Não sei qual é a solução mas passa, necessàriamente, pelo afastamento do Centrão da governação.O PS, após o trabalho que fez, e bem, em 74/75,é o partido que ocupou o poder mesmo quando não é governo.As estruturas políticas e administrativas do Estado estão e sempre estiveram nas mãos do PS.Tem-nos valido a diversidade política autarquica e pouco mais.E não podemos esquecer que nos últimos 13 anos o PS está há 11 anos no poder.Se isto chegou a este estado a culpa tem um rosto!

  3. Filipe Moura says:

    Caro André, vários pontos.
    Misturares “social democracia” com “terceira via” e, sobretudo, “reformismo” (como se fosse tudo a mesma coisa) é possível de um certo ponto de vista, mas parece-me revelador de uma certa miopia.

    “No parágrafo seguinte, é hiperbólico na sua descrição como partido da Europa: «Sem qualquer hesitação, ambiguidade ou reserva, somo o partido da construção europeia.» Sem “qualquer hesitação”?!”

    Se eu te disser que o PCP é “sem hesitação” um partido eurocéptico e soberanista como o presidente da República Checa do teu amigo Peter Langfelder, que me dirias?

    “Quanto à aposta na Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), não obstante o crescimento relativo em termos orçamentais do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES),”

    Ora ainda bem que o reconheces. A maior parte das pessoas não o reconhece.

    “e algum progresso numa área onde Portugal estava atrasadíssimo, a verdade é que Portugal continua atrasado neste sector,”

    Era difícil deixar de estar atrasado só numa legislatura, não era? Estamos no bom caminho, apesar de tudo (e de vários erros que a meu ver continuam a ser cometidos).

    “e sob este governo tem-se assistido ao agravamento da proletarização dos jovens investigadores e técnicos científicos, em particular dos bolseiros.”

    Concordo que a situação dos bolseiros não melhorou. Quanto muito melhorou a situação dos que que deixaram de ser bolseiros (como eu, graças ao Compromisso com a Ciência, obra deste governo). Mas podes explicar o que queres dizer com “agravamento”?

  4. Filipe Moura says:

    Já agora, André, o teu colega de blogue Vidal afirma o que afirma no comentário acima (prefere o PSD no governo) porque é funcionário público, com todas as regalias garantidas. Talvez o PSD quando voltar ao poder acabe de vez com as regalias dos funcionários públicos (incluindo a quase impossibilidade de ser despedido) e ele então vai ver o que é bom.
    Queixas-te com razão dos problemas dos bolseiros, mas tens que ver que se não fossem tipos como este Vidal, que, com quarenta e tal anos, foi académico toda a vida, sempre com emprego garantido na função pública, e ainda nem conseguiu acabar um doutoramento, não fosse o sistema estar entupido por gente como este Vidal, e não haveria necessidade de haver tantos bolseiros. Nota que eu já defendo isto há muito tempo, ainda quando eu era bolseiro.
    Um abraço do teu colega de universidade.

    • Ricardo Santos Pinto says:

      Ó Filipe, realmente, não houve Governo que atacasse tanto os funcionários públicos como este Governo. Mas não é só este: os políticos adoram os funcionários públicos. Como se eles próprios, os políticos, não andassem há décadas a mamar na teta do Estado…

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  7. Tiago Mota Saraiva says:

    Grande texto André.
    Gabo-te a paciência de ler a Moção, mesmo sabendo que para Sócrates o que é escrito e dito hoje pode não ser verdade amanhã.

    Filipe, no texto do André mistura-se “social democracia”, “terceira via” e “reformismo”, porque são expressões que são utilizadas de uma forma vazia e oca. Como o André refere, o que se entende por essas e outras palavras não é bem aquilo que se convencionou entender.
    O vazio é bem patente na forma como evocam bandeiras ditas de esquerda e fraturantes, não discutindo a sua essência, mas propondo aquilo que há alguns meses chumbaram.
    Mas o que realmente interessa à maioria dos congressistas é ser-se visto, acenar e prestar solidariedade ao líder acossado, para mais tarde ir ocupar aquele lugar por nomeação. São estas as bases do PS, os 25.000 que votaram no líder e que esperam manter o seu emprego.
    Filipe, desculpa mas não consigo perceber esse ódio pessoal ao Carlos Vidal e parece-me absurda a contínua insinuação sobre o seu trabalho académico que, julgo, nem sequer conhecerás. A academia não se faz só de doutores nem se faz sem assistentes.

    NEM UM SÓ VOTO DA ESQUERDA NO PS!
    Esta é a palavra de ordem que faz mais sentido no contexto actual, como já o escrevi várias vezes no 5dias (http://5dias.net/2008/12/17/o-que-faz-crescer-o-voto-na-esquerda/).

  8. Paula Telo Alves says:

    A “descriminação” já foi feita, em 1982, salvo erro, quando a homossexualidade deixou de ser crime em Portugal. Quanto às “medidas para combater a discriminação e a homofobia”, não sei o que é que o André propõe: um polícia para cada homossexual, que passará multa de cada vez que este seja apodado de “maricas, paneleiro”, etc? Nomeação oficiosa de psicólogo ao primeiro despontar de tendências para o mesmo sexo, para prevenir suicídios?

    Muito a sério: o votamos-contra-do-Sócrates-para-propormos-nós-depois é uma palhaçada, estou de acordo consigo, uma sem-vergonhice; não retira mérito a esta questão, nem invalida a sua importância para a igualdade de direitos. O combate à discriminação passa necessariamente pela mudança de leis discriminatórias (e inconstitucionais, btw), mudança que não deixará de, a médio ou longo prazo, ter influência na sociedade. É assim tão difícil ver isto? E não, se calhar a questão não é importante para todos os homossexuais, mas não me parece que o Miguel Vale de Almeida seja o único: tem sido uma reivindicação constante da comunidade gay & lesbian, a nível internacional (olhe, embicaram para aí). Espero que leiam todos este post: desenganem-se, deixem lá esse tema “querido” do Miguel Vale de Almeida, há outras prioridades, André Levy dixit.

  9. Cara Paula Alves

    Não seja simplista por favor! Demagogias sobre polícias ou psicólogos não servem!
    O combate à homofobia e ao heterossexismo tem muitos caminhos! Todos eles válidos e todos eles importantes.

  10. Carlos Vidal says:

    O que mais me preocupa na doença mental de F. Moura, que tive todo o prazer em correr daqui, e fá-lo-ia a pontapé se necessário fosse, é que o indivíduo foi a sites e blogues e mais sites procurar dados como a minha idade, a minha posição hierárquica, etc, e se esqueceu do essencial, para mim essencial, e que também consta nesses sites: tenho dez livros publicados (dos quais 5 ou 6 têm a dimensão e densidade de um doc.) e amplamente recenseados na imprensa especializada e generalista e largas centenas de textos publicados cá e no exterior (no MIT, onde o tonto nunca chegará). Tudo isso está naquilo que o imbecil consultou e tal o fez calar-se. A estupidez do pobre é tanta que mistifica algo que é o mais importante: a questão do funcionalismo público. Se eu fosse professor universitário convidado, eu não teria obrigações de certas provas, mas eu sou professor colocado por concurso público, tenho prazos para tudo e tenho de os cumprir. O imbecil não verificou o mais importante – em tudo, cumpro os prazos formais e não tenho os “luxos” dos professores convidados. Por isso, o que o pobre diz é falso. Totalmente falso. E isto aplica-se ao funcionalismo público em geral – não há no funcionalismo a balda que o pobre diz haver, nem no funcionalismo em geral nem na universidade.
    Claro que com um tonto só se lida a pontapé, e ele sairia daqui nem que fosse desse modo.

  11. Carlos Vidal says:

    Quanto ao texto do André Levy. O primeiro comentário foi meu, mas há um ponto, apenas um, que me deixa algumas dúvidas. Cito:

    « 1) se é tão a favor do casamento homossexual, então porque não aprovou as propostas do Bloco de Esquerda ou do Partido Ecologista “Os Verdes” na presente legislatura, ou porque não elaborou o PS uma proposta nessa mesma ocasião? Responde o PS que não fazia parte do seu programa eleitoral, como se um Governo não tivesse legitimidade para passar legislação sobre questão não presentes no programa, dialogando com os vários partidos, ou como se este Governo não tivesse descartado a promessa eleitoral, inscrita no seu programa, de referendar o “Tratado Constitucional”, alegando tratar-se de um novo documento; 2) O casamento é o tema mais relevante para a comunidade homossexual, ou é apenas o tema querido de alguns dos seus supostos porta-vozes, como o Miguel Vale de Almeida? Não será mais importante tomar medidas para combater a descriminação e homofobia que intimida e leva ao suicídio jovens homossexuais? »

    Aqui, muita atenção André Levy. O ponto 1) está certíssimo.
    Já no 2) é muito duvidoso que tenhas razão. Ou então o texto carece de alguns retoques.

  12. Filipe Moura says:

    Tiago, a questão não é o Carlos Vidal (ele é um mero exemplo). Já defendo isto há bastante tempo, muito antes de ter tido o prazer de o conhecer. A questão é a do acesso à carreira do ensino superior. Foi por durante demasiado tempo o acesso a esta carreira ter sido feito através de concursos (públicos, sem dúvida, com critérios de selecção que só permitem escolher um candidato) entre compadres, que hoje é uma carreira quase entupida, e muitos bolseiros não têm outras perspectivas. (Não há nada de errado em ser bolseiro uns anos: o errado está em não haver perspectivas.) Sempre que o André Levy aqui escrever sobre os bolseiros (e espero e acho muito bem que escreva), vou ter que o confrontar com estes factos.
    Senão, Tiago, mostra-me outro país desenvolvido onde se entre no quadro permanente de uma instituição de ensino superior sem se ter um doutoramento. O Pedro Ferreira, por exemplo, que diga como é em França. Em Portugal isso deixou de existir (obra do Mariano Gago), mas muitos (que hoje têm quarenta e tal anos) entraram só com a licenciatura, esgotando todas as vagas para as novas gerações. Não é só o Carlos Vidal.

    Não sabia que tinha sido expulso do Cinco Dias pelo Carlos Vidal. Francamente nem dei por nada. Mas mais ainda: não sabia que agora no Cinco Dias o Carlos Vidal tinha poderes para expulsar fosse quem fosse e ainda o viesse afirmar publicamente. As regras aqui pelos vistos mudaram.

  13. Carlos Vidal says:

    É claro que na minha área tenho trabalho académico publicado em quantidade e qualidade que o atrasado mental do Moura não terá nem que vivesse vinte vezes e reencarnasse outras tantas.

    E é claro que tenho poderes para expulsar tontos daqui. E ao Moura foi mesmo a pontapé.

  14. Luis Rainha says:

    Filipe,

    Pensando bem, devias voltar. Para animar a coisa.

  15. Paula Telo Alves says:

    Caro Paulo Vieira,

    Simplista pareceu-me essa distinção que o seu colega de blogue fez entre as “medidas relevantes para combater a homofobia” (quais, volto a perguntar) e os “temas queridos” dos homossexuais; e a ausência de distinção entre o que, sendo uma medida propagandista de Sócrates, não deixa de ser uma reivindicação legítima dos homossexuais.

    Não sei além disso onde é que viu a demagogia: estava a ser irónica com os “polícias ou psicólogos”, mas se não percebeu isso, das duas, três: ou tenho de fazer um desenho (e não tenho jeito nenhum para o desenho), ou o Paulo, desculpe, anda a sonhar com polícias e ladrões.

  16. Carlos Vidal says:

    De certo modo, eu estou de acordo com o Luís. Que volte o f Moura. Preciso de certos exercícios de teclado.

    Quanto ao resto, qualquer indivíduo concorda comigo nisto (nem que seja apenas nisto!): o que uma universidade e uma academia precisam é de alguém que demore o tempo que necessitar (desde que cumpra os prazos legais, certamente) para produzir investigação, investigação se possível memorável; eu disse se possível. E se possível ainda marcante e incontornável para um longo futuro. É esse o esforço de muita gente. Se se consegue isso ou não, é outra história, mas é isso que se deve perseguir: nos prazos atribuídos por lei (e a lei controla o emprego), produzir algo de único, ou ter essa ambição. Ter ideias estruturantes para a inovação radical. É essa a ambição certa, quem lá chegar PARABÉNS!! Parabéns a todos: ao próprio e à universidade!
    A universidade não necessita de tarefeiros cumpridores mínimos, e que ainda por cima disso se orgulham. O orgulho da mediocridade calendarizada e certinha é aquilo que de mais triste pode acontecer a uma universidade. E da cabecinha pequenina de f Moura não sairá nada. Isso tenho eu a certeza. Há coisas de um evidência cristalina.

    E mais triste ainda é uma universidade ocupada por coscuvilheiros e sopeiras.

  17. Raquel says:

    SIM, SIM, SIM peçam ao Filipe para regressar. Adoro ver estas coscovilhices entre fisicos e criticos de arte, artistas e outros entes superiores.

    Este Carlos Vidal, só mesmo numa telenovela brasiliana, daquelas bem ridiculas. Autoritariosito grotesco! Nada mais é do que isso. Um petulante da treta. Expulsar os “tontos”, diz ele. Cai na real, patetinha. Aqui quem faz figura de urso és TU, Arrogantezinho!! Tu, sozinho, já tiraste mais votos ao PCP do que qualquer campanha media. E nem percebeste como é que foste levado até ao 5. Pelo sempre expectante Nuno que tem tanto de bom como de ingénuo. Continua a fazer o teu papelinho: afastar eleitores da esquerda radical. E fazes isto muito bem. Serve-te melhor do que preservativo usado do Mao.

    Cumprimentos cordiais
    Respeitosamente,

  18. Raquel says:

    Nem TU nem o Nuno. (um beijinho especial para o Nuno…és muito influenciável pá!!!)

    Vocês são tão tão inteligentes. Ena gente inteligente. O PCP está bem preparado para governar. E o BE, nem se fala. Nunca vi tanta gente tão BURRA na minha vida.

  19. Raquel says:

    O Filipe é um gajo das ciências, comuna até à medula, mas não é um radical, verdadeiramente. É um cientista. Merece respeito. Este bordamerda convencido arrogante peste que dá pelo nome de Carlins vidal tem que aprender a respeitar os outros. Se não aprende a bem, vai aprender a mal.

  20. Carlos Vidal says:

    Lamento que o fMoura e a Raquel (que eu acho que sei de quem é pseudónimo, mas não posso dizer sem um certo grau de certeza) tenham estragado esta discussão em torno de um post notável.

  21. Tiago Mota Saraiva says:

    Filipe, fizeste-me lembrar um post que escrevi há três anos sobre as universidades e que te procurava rebater: http://rb02.blogspot.com/2006/08/o-controlo-das-universidades-com-u_19.html. Entretanto, fui assistente de duas universidades (uma pública, outra privada) e agora regressei em exclusividade ao meu santo ofício.
    Tal como continuo a acreditar que a maioria das universidades são entidades tristemente fechadas e de pouca produção científica, as políticas de desinvestimento público (Cavaco + Guterres + Durão + Sócrates) construíram-lhe uma corda à volta do pescoço chamada Financiamento.
    Como sabemos que a excelência ou a investigação não são matérias muito caras ao nosso medíocre sector empresarial e/ou a banca sempre esteve mais interessada em estabelecer parcerias estratégicas com entidades das Ilhas Caimão, não há volta a dar que não o ajoelhar do ensino superior público perante o Estado.
    Não há dinheiro… estuda quem pode… acção social de sarjeta… propinas cada vez mais elevadas… O que é preciso é privilegiar as receitas em detrimento do interesse.
    E nada disto tem a ver com gerações que bloqueiam outras gerações, como pretendes imputar.

  22. Carlos Vidal says:

    É que muitas vezes se chama bloqueio onde não há bloqueio nenhum, Tiago, esse é que é o problema. Uma investigação não é uma coisa com um calendáriozinho à fMoura, uma coisinha obediente ao mercado, uma investigação séria pode demorar um tempo sério, uma outra investigação séria pode ser rápida. Enfim, particularidades que um burro não alcança. Agora o pior: se o sector empresarial e a banca, preferem as Ilhas Caimão, o mesmo, com Bolonha vai suceder à universidade. Esse é que é o problema. E repito: a universidade não precisa de sopeiras, precisa de quem inove. O que demora tempo. Já agora, creio que o Rui Curado Silva saiu daqui em solidariedade com a Palmira do “Jugo”, porque eu chamei à senhora “empregada da ciência”. Para a Palmira, tudo o que não entendia era “pós-moderno”, se calhar de Lyotard a Zaha Hadid, tudo cabia aí. A universidade não precisa de empregados que picam o ponto, precisa de mais. Não precisa de certeza de Filipes qualquer coisa.

  23. Filipe Moura says:

    Cara Raquel, não sei quem és mas obrigado pelas palavras simpáticas.

    Caro Tiago, das universidades privadas é melhor nem falar. Quanto às públicas, as situações que descreves verificam-se em faculdades esclerosadas. A “defesa do assistente” que fazes não tem sentido nenhum, desculpa lá. O que é preciso é que os doutores não mandem mais do que deveriam. E isso consegue-se contratando só doutorados, e não ainda mais assistentes! Os assistentes são tudo o que os catedráticos esclerosados mais querem, para lhes fazerem o trabalho todo!
    Estive a ler o teu post. Escreves

    “Por outro lado, a aspiração de entrada de algum sangue novo na academia, é definitivamente cortada pelo facto dos “novos” que entram serem os que estão em torno dos “antigos”.”

    Quem são esses “novos” senão… os assistentes? Sangue novo nas universidades é o que eu mais defendo, e isso não se consegue com assistentes!

    É claro que não vou com isto generalizar e dizer que nenhum assistente presta, ou que nunca se contratou ninguém de jeito para nenhuma universidade com este processo (incluindo Carlos Vidal). Só caso a caso, avaliando currículo a currículo, por especialistas da área, se podem tirar conclusões. Do que eu não tenho dúvida é de que este não é o melhor sistema. A universidade de que te queixas foi produzida com este sistema. Outros países, com universidades melhores, têm outros sistemas, Tiago. Entristece-me ver um tipo tão novo e tão conservador. Um abraço.

    Quanto ao resto, não vou responder aos delírios preconceituosos de Carlos Vidal sobre mim, o Rui e a Palmira (ele não nos conhece de lado nenhum). Se há pessoa que defende o financiamento estatal na investigação (nada do que eu faço teria financiamento privado!) sou eu. Se há pessoa que se queixa da universidade burocratizada é a Palmira. Investigação “dependente do mercado”, defendido por mim? Dá vontade de rir.

  24. Carlos Vidal says:

    Eu não disse em lugar nenhum que f Moura defende financiamentos privados. Eu critiquei Bolonha em geral sem apontar nomes. Além disso, estou certo que f Moura não defende nem ataca nada. O que eu disse foi que fMoura é alguém sem qualquer rasgo e não passa de uma espécie de sopeira cumpridora da universidade. E disse também que a universidade precisa de investigações de rasgo, mesmo que demorem muito tempo e que o doutorando termine o seu trabalho aos 40 anos, se o caso for exigido pelo trabalho (e se tiver para aí uns dez livros disponíveis nas bancas ainda melhor – tb precisamos de visões globais).

  25. Sérgio Pinto says:

    Lendo a caixa de comentários deste post percebe-se (se isso não fosse já perfeitamente evidente) a pimbalhização a que se refere o Rui Curado da Silva (adenda para os histéricos: não sou um pseudónimo dele).
    Quanto ao mais, acho curioso que alguém demonstre tão claramente a sua veia totalitarista, mas que os colegas de blogue prefiram destacar ‘ódios pessoais do Filipe Moura’. Enfim, por uma vez concordo com algo que a Raquel diz. No entanto, em boa verdade, sendo eu de Esquerda e democrata, se calhar até devia agradecer aos Vidais desta vida.

  26. Carlos Vidal says:

    Nem mais, Sérgio Pinto, é assim a vida.

  27. Filipe Moura says:

    “O que eu disse foi que fMoura é alguém sem qualquer rasgo e não passa de uma espécie de sopeira cumpridora da universidade.”

    Eu nem vou responder ao que me diz respeito (seria dar-lhe muita credibilidade). Eu pasmo é com a afirmação em si, vinda de quem nunca na vida saiu da Faculdade de Belas Artes (há quantos anos é que lá está, sempre no mesmo cargo, a fazer a mesma coisa – desobedecer, claro?) Eu, entre ensinar e investigar, já vou em seis instituições de ensino superior nacionais e estrangeiras. Enfim, é Carnaval…

  28. Eu não quero esta “esquerda”:

    “Sem mercado não há cidadãos livres: há funcionários e escravos de um outro tipo (…) Uma economia de mercado, mas com regras éticas e políticas estritas. Estados de direito capazes de controlar os mercados e de assegurar sociedades de cidadãos livres, pluralistas e participantes, democracias não oligárquicas como era o caso, mas sociais, preocupadas com o bem-estar de todos, com uma justiça independente, acima dos media, e com a defesa do ambiente, indispensável à sobrevivência da humanidade e da biodiversidade. Claro que isso, nas suas grandes linhas, é o que, durante décadas, se chamou na Europa social-democracia ou socialismo democrático. Ou, se quiserem, um capitalismo avançado ou progressista onde o superior valor são as pessoas e não o dinheiro ou a pura especulação financeira…”

    Mário Soares, in Diário de Notícias (10/02/2009)

  29. Carlos Vidal says:

    Também, por acaso, leccionei noutros lugares dentro e fora.
    Mas, imbecil f Moura, eu falava antes do mais em publicações, em quantidade e qualidade (com menos de quatro centenas não fala comigo), daquelas que nos vão da lei da morte libertando.

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