campanha negra, poderes ocultos, perguntas tabu: é o caso “fripór”, pois claro

Noticiava em manchete o “Expresso” de dia 7 deste mês (edição impressa) o seguinte: “Magistrados do Freeport dizem-se vigiados”. Concretamente, os procuradores que investigam a alegada (tem de se dizer assim) corrupção no licenciamento do Freeport acreditam ou acreditavam estarem a ser escutados e vigiados por elementos do SIS, a Secreta portuguesa, directamente dependente do primeiro-ministro, o engenheiro José Sócrates Pinto de Sousa. Esta semana, o presidente da República quis saber detalhes sobre o caso e recebeu o responsável do SIS, em longa audiência que, como é óbvio, desconheço conteúdo e consequências. No dia 11 também deste mês, na Assembleia da República, um deputado da oposição questionou o engenheiro J. Sócrates sobre o assunto. Na altura não vi o debate (já aqui escrevi que não vejo nem escuto debates ou entrevistas a J. Sócrates, porque, entre outras razões – a menos importante, até -, uso de escrúpulos quanto ao tratamento da língua que falo). Fui vê-lo no clássico You Tube depois. A resposta de J. Sócrates é esta. Veja e ouça o leitor, e se quiser comente o que para mim não merece comentários.

(NOTA 1: Já aqui se perguntou várias vezes – o inimigo do meu inimigo, à esquerda ou à direita, é meu amigo sempre? É!
NOTA 2: Charles Smith é arguido no processo. Quem é Charles Smith? Não conheço, e, como tal, uso a nota do “Público”: «sócio da Smith & Pedro na altura do licenciamento do outlet, admitiu que em 2002 teve uma reunião no Ministério do Ambiente sobre o Freeport, mas negou o encontro com José Sócrates. Aparece num DVD que está na posse dos ingleses, onde alegadamente denuncia “luvas” para o licenciamento do centro comercial e associa o caso ao actual primeiro-ministro. Seria ele quem pagava as “luvas“.»)

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

12 respostas a campanha negra, poderes ocultos, perguntas tabu: é o caso “fripór”, pois claro

  1. manfio diz:

    a propósito deste vídeo, encontrei, num blog obscuro, um post cheio de notáveis observações:

    Deus no céu e este gajo na terra

    Cheguei a este vídeo via 5 dias, quiçá um dos blogues mais agrestes e belicosos da blogosfera politica portuguesa, longe de imaginar os delicados e borbulhantes prazeres que o dia de hoje se preparava para me banquetear com generosidade quase licenciosa. Ou mais do que isso, parece-me que, para além de toda a esperança, foi oferecida à minha alma carcomida pela crueldade do ser, e no mais inesperado dos lugares, a mais fresca das seivas: REDENÇÃO.

    Topem-me só a figura (e sobretudo comentários) deste barbas ao lado do Paulo Rangel, a partir do minuto 4.00 (em especial no 5.56, apesar de o gajo começar a brilhar antes disso). Impressionante o conjunto de observações argutas com que pontua o discurso do líder da sua bancada. A riqueza de recursos estilísticos e a diversidade de tons, enfim a harmonia de todo o conjunto, transmite-nos tal sensação de transcendência interior que nos interrogamos boquiabertos porque é que só a senhora no canto inferior direito está a ser paga pela tarefa de transcrição, ignorando o canal laborioso esforço do barbas em verter para pregão de revista popular cada frase do ser representante… Vale a pena, acreditem (a cemaçar no proverbial Palhaço que, felizmente para ele( e para nós), as imagens não são completamente esclarecedoras sobre a autoria) …

  2. António P. Castro diz:

    Em qualquer país democrático, esta actuação do primeiro-ministro perante o Parlamento – a que tem obrigação de prestar contas – conduziria à sua imediata demissão.
    Mas Sócrates, pelos vistos, goza de um estatuto de irresponsabilidade impróprio de alguém com o seu cargo. Tudo lhe é admitido e deve julgar-se um soba…
    Uma vergonha! Pessoalmente e como português, sinto-me vexado ao ver a quem está entregue o governo do meu país.

  3. Franciscõ P. S. Brito diz:

    Caro Carlos Vidal,

    Uma das coisas que mais me surpreendeu neste video (visto que a história do “Freepór” já está um bocado batida) foi o facto de o deputado (de barba) que se encontra ao lado o dr. Paulo Rangel ter chamado “palhaço” ( ao min 3.30) ao nosso Primeiro Ministro!!! Será que ninguém reparou nisto ou fui eu que percebi mal?

    Cumprimentos,
    Francisco Brito

  4. Carlos Vidal diz:

    Exactamente, todos ouvimos chamar a J. Sócrates, por duas vezes um rotundo PALHAÇO, mas as imagens não são explícitas sobre a sua proveniência. Eu, se tivesse estado por lá (na A. da República, que não frequento), e se me tivesse apercebido da origem da emissão da palavra diria sempre que tudo ouvi e nada vi. Acontece que é o caso, não se percebe de onde vem, talvez de algum socialista descontente e radical.

  5. Francisco P. S. Brito diz:

    Caro Manfio,

    Repeti a sua constatação sem o saber…Eu já tinha visto este vídeo, penso que na SIC N, com imagens de melhor qualidade, e na altura fiquei convencido que tinha sido o “barbas” a chamar palhaço ao P.M.

  6. António P. Castro diz:

    Tenha sido o barbas ou outro qualquer, se chamou, está chamado. Mas é claro que não está certo ofender-se assim os palhaços…

  7. rms diz:

    Chamou palhaço ao nosso primeiro??

    É chamar o MP de Torres Vedras e confiscar IMEDIATAMENTE todos os palhaços que vão aparecer neste Carnaval.

    Depois, é esperar que não apareça alguém a reclamá-los. Pode ser que tenhamos sorte e fiquem para abate, ou, na pior das hipóteses, naqueles leilões em que pode comprar-se 56 isqueiros por 25 cêntimos, 3 óculos de sol por 40 cêntimos e uma prótese dentária que alguém perdeu não reclamou por apenas 87 cêntimos.

  8. almajecta diz:

    O homem está a passar-se, anda com os nervos á flor da pele, está acossado, talvez seja do efeito de espelho provocado ao funcionalismo público. Os que conheço, funcionários e situacionistas estão na mesma. O xanax já não é comparticipado? Que aborrecimento este ambiente de mau estar, incomodidade, pluralístico e deveras tolerante em si. Um desespero, talvez a nossa Kristeva possa rendre fluides les pensées congelées!

  9. almajecta diz:

    Depois sacudiu-se e debruçou-se para a frente, gritando:
    _ Mulher honrada não tem ouvidos.

Os comentários estão fechados.