A militância revolucionária da camarada Illona (2)

koons

O Ricardo ja glosou por aqui algumas das actividades da camarada Anna Ilona Staller, a quem os esbirros do capitalismo, sempre ansiosos por ridicularizar a verdadeira emancipação feminina, menosprezam com a aviltante alcunha “Cicciolina“.
Mas o camarada Ricardo deixou de fora um capítulo crucial na demanda política da brava Illona: o seu casamento com o decadente artista burguês Jeff Koons. O supremo arauto da futilidade kitsch acabou subjugado pelo vigor revolucionário desta pasionaria contemporânea. Largando os inofensivos bibelots para enfeitar os jardins dos ricos, logo este decorador com mania da grandeza se viu encaminhado para desígnios mais grandiosos e significativos. Vejam, por exemplo, a peça acima. com o título The Great Anthracite Coal Strike, alusivo a um bem conhecido episódio das lutas sindicais dos mineiros americanos. Trata-se de uma escultura em que nos é dado observar os esforços do patronato para fornicar os trabalhadores, tentando assumir uma posição dominante que deixa clara a sua falta de imaginação. Sobre as rochas plenas de restos de antracite, assim se desenrola a luta de classes, em que o proletariado, apesar de aparentemente submisso, acaba por levar a melhor sobre o patronato insaciável, lixando-lhe a vida. O facto de ambos serem retratados cobertos de sujidade acaba por configurar um subtil comentário ao inevitável triunfo do Socialismo, com uma síntese dialéctica a resolver a oposição de classes. Todos sujos, todos felizes, todos dedicados à fecundação do mais brilhante dos desideratos modernos: o Homem Novo.

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5 respostas a A militância revolucionária da camarada Illona (2)

  1. Carlos Vidal diz:

    É um mau momento na vida da Illona.
    Na carreira do Koons não lhe acrescenta nada. O que surgiu antes e o que se seguiu é melhor, apesar de tudo. Koons é um neto presunçoso de Warhol, mas sem fineza, sem argúcia e sem grande capacidade para prolongar as interrogações do “avô” (sobre o embate da indústria cultural na história das vanguardas). Não por acaso Warhol, que se ligou a tanta gente (Basquiat, Clemente, Niko, Lou Reed, Morrisey, etc) nunca ligou nada a Koons. O mestre não se enganava.

  2. Luis Rainha diz:

    Bem; entre o Paul Morrissey e o Koons, acho que preferiria este…

  3. LAM diz:

    …hummm…por isso é que o gajo se auto-retratou por cima. Há ali a sublimação de um qualquer recalcamento. Digo eu…:)

  4. Carlos Fernandes diz:

    Também a amiga aqui da camarada Lhona a Natália Correia (li isto não me recordo aonde) era na sua juventude uma das gajas mais boas e lindas e , de Lisboa…

  5. Pingback: cinco dias » E quem defende a honra de Cicciolina?

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