Prós e Prós: A adopção de crianças por casais homossexuais

Gostei de ver Fernanda Câncio no Prós e Prós de segunda-feira sobre os casamentos entre pessoas do mesmo sexo.
Primeiro, porque o máximo que conhecia dela era a fotografia que costuma acompanhar a sua crónica semanal na revista do «Jornal de Notícias».
Em segundo lugar, porque, apesar das divergências que culminaram na sua saída, faz parte da história do «5 Dias». Ela e todos aqueles que sairam na mesma altura – quer dizer, todos menos um.
Em terceiro lugar, porque colocou uma questão muito importante e que, em minha opinião, foi estupidamente esquecida durante a maior parte do programa: a adopção de crianças por casais homossexuais.
Não vou enveredar por argumentos históricos, filosóficos ou religiosos. Interessa-me mais a prática. Será que, para uma criança, é melhor não ter pai nem mãe do que ter dois pais ou duas mães? Será que é melhor viver numa instituição do que numa casa? Será que é melhor ter companheiros de quarto do que ter irmãos? Será que é melhor ter uma camarata colectiva do que um quarto individual? Será que é melhor dividir até as roupas do que ter as suas próprias coisas? Será que é melhor crescer com um Estatuto Disciplinar do que com regras baseadas numa relação de amor? Será que é melhor viver como utente do que viver como o «mais-que-tudo» dos seus pais? Será que é melhor chegar aos 18 anos e ir para o olho da rua do que chegar aos 18 anos e ir para a Faculdade ou para uma vida estável?
Para os adeptos do NÃO, parece que sim. Que é melhor. Posso parecer simplista, mas, acreditem, conheço por dentro muitas instituições e a forma como funcionam.
Quanto à Igreja Católica, ainda não percebi muito bem por que não se cala. Ainda gostava de saber o que tem essa instituição a ver com o assunto. Desde sempre, muitos padres católicos têm semeado por todo o país milhares de crianças, que nunca perfilham e que, por isso, nascem e crescem sem um pai. Não me parece que, nessas alturas, a Igreja se preocupe muito.

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25 Responses to Prós e Prós: A adopção de crianças por casais homossexuais

  1. Há gente muito “#@§&#@§” por aí. Isso é coisa que nem se devia questionar.

  2. Agora um atrevimento. Parece que quem empolga essa questão y a questão do casamento Gay, tem o mito da confusão de que os Gays são pessoas Taradas-Sexuais-Compulsivas, tão taradas que …. enfim já imaginas o q eu ia escrever. Pois, nem vale a pena estar a levantar véus sobre os Papões dos outros, né? É!

  3. henrique says:

    é assim, queria anunciar aqui, fashabor, que a isabel moreira, o único momento interessante de todo este disparate do pros e contras, é um docinho!

    tenho dito

  4. viana says:

    Concordo com o que é afirmado. No entanto, este tipo de argumentação não é o mais adequado para defender a adopção por casais do mesmo sexo (ou de qualquer outro tipo). O seu uso corre o risco de implicitamente reforçar a ideia de que casais do mesmo sexo não são tão bons pais como casais de sexos diferentes, e que a única razão para permitir a adopção por casais do mesmo sexo é o facto da institucionalização ser o pior cenário possível. Implicitamente sugere que as crianças adoptadas por casais do mesmo sexo terão pais de 2a classe: “coitadas não conseguiram melhor…”.

    Para evitar o problema acima exposto a argumentação deve-se centrar na ausência de qualquer prova de que crianças adoptadas por casais homossexuais tenham comportamentos diferentes de crianças adoptadas por casais heterossexuais. E portanto, sendo a adopção uma questão que deve ser analisada do ponto de vista do bem-estar da criança, não há objectivamente nenhuma razão para impedir casais homossexuais de adoptar. Deste modo, ao mesmo tempo que se defende o direito a adoptar, combate-se o preconceito negativo sobre a capacidade parental de casais homossexuais, ao contrário do argumento utilizado no post.

  5. P.Porto says:

    A questão está mal colocada no post.

    Nos “será que… do que…” esqueceu uma hipótese: “será que é melhor uma criança ser educada num ambiente de diversidade de géneros (pai/mãe) do que noutra qualquer circunstância?”

    A resposta, inevitavelmente, é: sim, esta a melhor solução. Claro que isto não invalida que existam crianças que crescem bem em ambientes monoparentais. No entanto, o que está aqui em causa é a adopção. E, nestes casos, existindo uma grande quantidade de casais (até com filhos) disponíveis para adoptar crianças, esta deve ser a opção a tomar em benefício primeiro da criança adoptada.

    Quanto à sua referência à igreja Católica é de todo despropositada. Em que se baseia para dizer o que diz quanto a filhos não prefilhados?O que não faltam são padres com filhos assumidos. E, isto sim, pode ser atestado, ao contrário do seu preconceito anti-católico.

    Já agora, havia uma outra questão que não colocou, esta sim, pretinente: o que têm os homosexuais a ver com adopção? As suas apetências sexuais permitar gerar filhos? Não! Então, não se metam assuntos que não lhes dizem respeito e deixem as crianças usufruir de ambientes familiares que potenciam a estruturação de persolalidades saudáveis.

  6. j says:

    Eu, para quem é indiferente o casamento entre pessoas do mesmo sexo, é lá com eles e com elas.
    Mas já não me indiferente a adopção, não deixo de ficar muita na dúvida se não e preferível uma criança inserida numa “relação de amor” ou se enfiada numa instituição, achando que os seus argumentos estão muito bem expostos.

  7. Carlos Fernandes says:

    Bem, eu sou de esquerda em ecologia, em economia (sou contra as privatizações, por ex.) e noutros temas, mas nestes temas sociais devo reconhecer que não e isto pelo facto de ser católico ( pese embora tenha sido ateu e até anticlerical nos meus tempos de faculdade…) e acreditar que Deus existe e que este tipo de comportamentos, como se lê na Bíblia, desagrada a Deus, de modo que estou contra isto.

    Daqui a pouco é um vale tudo, e então vamos acabar onde, no incesto ou no casamento com animais?

  8. Ah grande Ricardo Santos Pinto! Falou e disse!

    Gostei, sobretudo, daquela parte em que sugeriu que a Igreja se calasse.

    Parabéns pelo texto e continue assim.

  9. Bué da Fixe says:

    “Será que…”, etc.
    Pois. Mas, independentemente da opinião de cada um de nós sobre o assunto, é de perguntar:
    - Será que as situações enunciadas (e outras possíveis) vão deixar de verificar-se com o casamento gay?

  10. Ricardo Santos Pinto says:

    Viana,

    Tem toda a razão. Não queria dizer, nem penso, que casais do mesmo sexo seriam pais de segunda categoria. Apresentei apenas uma visão extrema do assunto.

    P. Porto,

    A questão não está mal colocada só porque não concorda. É apenas um ponto de vista. Não concordo com a sua opinião, mas não é por isso que vou dizer que está mal colocada. Apenas não concordo.

  11. Luis Rainha says:

    Esses são argumentos a favor da agilização da adopção em geral. Mas há-os muito bons também em prol da adopção por casais do mesmo sexo. Ainda não tive notícia de um só estudo credível a encontrar problemas emocionais, atrasos de desenvolvimento ou mesmo tendências homossexuais acima da média entre esse grupo de adoptados.
    Mas tens toda a razão: não é assunto que seja separável, a não ser por calculismo, do dos casamentos.

  12. Luis Rente says:

    P. Porto, segundo o seu ultimo argumento, que os casais homossexuais não podem gerar filhos, logo não podem adoptar, espero que seja coerente e também defenda que é contra a adopção de crianças pela parte de casais estéreis.

    Ah,e senão conhece casos de padres que têm filhos ilegitimos, eu dou-lhe alguns casos em que não so existem esses filhos, como há padres que abusam dos filhos dos outros.

    A minha posição sobre a posição da Igreja é simples,se é contra que proiba aos seus fieis.
    Ou quem não é catolico tem que se submeter á vontade de quem é?

  13. Pois é, estão-se a preparar para impedir a adopção no casamento homossexual, mas vão ter de explicar porquê, e pensar nas consequências:
    Esta gentinha é perigosa: será que também querem tirar os filhos aos casais homossexuais?

  14. henrique says:

    que bando de paneleiros, a sério, nem uma palavra sobre a deusa moreira, enfim…

  15. P.Porto says:

    RSPínto

    Eu digo que a questão está mal colocada porque equaciona várias hipóteses mas não aquela que deve ser (e é) colocada: uma criança poder ser adoptada por quem lhe possa propiciar um ambiente familiar com uma referência masculina e outra feminina.

  16. Luis Moreira says:

    Henrique,deixe-se de merdas que eu vi-a primeiro!

  17. Luis Rainha says:

    P. Porto,
    Quer isso dizer que os miúdos das instituições estão lá melhor do que com uma mãe adoptiva solteira?

  18. P.Porto says:

    LRainha

    Não. Quer dizer que preferencialmente (a bold) devem poder ser adoptados por familias com uma presença feminina e outra masculina. Pacífico, este tema.

  19. Castro says:

    Porque diabo se há-de calar a Igreja Católica e tu não?!
    Pensa bem no que ela representa antes de responder. Quanto às instituições, que conheces por dentro, aceitam-se sugestões para melhora-las. Outras, que nem por fora conheces, funcionam um bocadinho melhor e por acaso até são geridas pela I. Católica, os tais que não têm nada a ver com o assunto. Tu tens, claro, agora a Igreja Católica que até instituiu o casamento, essa é que não….

  20. Veronica says:

    será que já se perguntaram a seguinte questão: estará uma criança em condições de ser adoptada por um casal homossexual? Como reagiaria a nossa sociedade?

  21. Aristes says:

    Verónica,
    Esse provavelmente era um dos tipos de argumento dos que proibiam os casamentos mistos na África do Sul.

  22. p.ferreira says:

    Em primeiro lugar, eu acho que ninguém consegue ter um opinião suficientemente verdadeira, visto que pode ser contestada, não é um facto. Para quem acredita ou não em Deus, e em todas as transcendencias deve coloca-las de lado, porque o Estado portugues, não pode ter qualquer ligação À igreja , visto que a separação da igreja do estado, existe. E os nossos politicos antiquados, retardados, decadentes, liberais, e que ja deviam estar a gosar a reforma num lar de idosos, ou com as suas familias acham que falam muito mas a unica coisa

  23. p.ferreira says:

    Meus caros e dignissimos senhores, muito sinceramente, por mais argumentos que existam nenhum é suficentemente Forte para justificar a adopção.
    em primeiro lugar, o estado não pode ir pelos pensamentos de qualquer identidade religiosa, não pode, a separação do Estado da Igreja , existe, e deve determinantemente existir; em segundo é tão dificil adoptar uma criança por casais heterosexuais quanto mais por homossexuais, a nossa sociedade é fechada, é retrogada, e discriminatoria, nunca ouviram uma criança a dizer que quer ter um “pai e um pai”, ou uma “mãe e uma mãe”, as crianças podem ser muito inocentes para falar disto mas quando se trata criticarem-se umas às outras, são ferozes, crueis, e não percepção do que estão a fazer ao outro, o que irá provocar na criança adoptada um sentimento de revolta, simplesmente irá pensar “porquê que eu não tenho uma familia normal” ?!.
    eu não consigo tomar uma posição, não vejo argumentos suficientes para ir contra ou a fazer, acho que em primeiro lugar se deve regularizar o dito casamento e depois se ade pensar na adopção não se pode dar uma mão e quererem o braço inteiro.

  24. Mafalda Areias says:

    Só parece anormal existirem famílias com dois pais ou com duas mães, porque a nossa sociedade definiu que uma família normal seria um pai e uma mãe.
    Existem tantas crianças em instituições que apenas precisam de amor e carinho, algo que, tanto um casal homossexual e um casal heterossexual pode dar.
    Não é necessário toda a gente aceitar o facto de os casais homossexuais puderem adoptar. Ninguém vos obriga, mas deixem pelo menos, os casais poderem usufruir desse direito.
    Nem todos aceitam o aborto e no entanto foi legalizado.
    Não critiquem os outros, deixem-nos (os casais) viver como lhes dá mais alegria, porque ao adoptar uma criança, quem beneficia mais nesta situação é a criança.

  25. Marli Pedro says:

    Eu concordo com a adopção de crianças por casais homosexuais…pois todos os casais deviam ter direito de cuidar, amar e educar uma criança! Se há casais heterosexuais que têm filhos e não os querem cuidar abandonando-os, porque é que quem os quer amar, educar e dar um futuro estável, não pode adoptar???
    Acho que todos têm a sua opinião, mas sinceramente acho que todos os argumentos ultilizados pelas pessoas que estão contra a adopção de crianças por homosexuais não são de todo plausiveis.
    Falam em discriminação na escola, mas a discriminação não vem so para quem tem pais homossexuais, mas tambem por ser gordos, ou por usarem oculos, etc…Por isso, porque é que um casal homossexual não pode ter uma criança e dá-la carinho que uma instituição ou mesmo ate os pais biologicos não dão??? Já pensaram nisso??

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