Um antídoto para Sócrates

socas

Depois de mais uma vitória “coreana” de José Sócrates, talvez estejas neste momento conformado ao nosso fado de rebanho de medíocres guiado por medíocres; a choldra condenada a ter ao leme nulidades de voz grossa e ideias esgarçadas. Talvez estejas a pensar que o PS é mesmo o espelho de uma nação manhosa, agarrada aos esquemas, dependente de amiguismos, desistente das ideias.
Não. Nem aqui nem lá fora Portugal é só isto. Somos capazes de mais. Continuamos a ser homens e mulheres capazes de emigrar e lutar ao lado dos melhores, sem o culto da saudade, mesmo privados do cordão umbilical do fado e da RTPI. E Portugal está hoje mesmo a deixar um lastro que vai durar séculos para lá da memória dos políticos sem alma que nos governam.
Vai ao Museu da Electricidade descobrir a exposição “Lá Fora”. Uma súmula do muito que artistas emigrantes e luso-descendentes andam a fazer – e já fizeram – por esse mundo afora. De Buenos Aires a Paris. De Amadeo a José David e muitos outros mais jovens. Por vezes epígonos, por vezes espantosamente originais. Se vale a pena procurar um traço comum,  como fez o comissário João Pinharanda, ao inquirir a nossa peculiar variedade de nostalgia, não sei. Mas sei que os meus netos, que nem imaginarão quem foi J. Sócrates, ainda se vão maravilhar com muitas das coisas aqui expostas. (E, ainda por cima, é de borla.)

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1 Response to Um antídoto para Sócrates

  1. Carlos Vidal diz:

    Conheço muito bem grande parte dos artistas desta exposição, trabalhei com alguns nas Belas-Artes e noutros lugares, e posso garantir que a maior parte deles não pretende regressar a Portugal. No que os apoio, evidentemente.
    Estar numa paisagem sem sócrates e coelhones, é uma alegria redobrada. Lidar com os coelhones desses outros lugares (que também os há) parece que nos toca menos. Cá dentro, esta gente quase que nos impede de nos concentrarmos. Fora, não reparamos nos outros coelhones, porque estamos atentos ao essencial. Deve ser isso. (Enfim, um abraço à Júlia Ventura, à Ana Luísa, ao Barrias e à Margarida Correia.)

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