Quem tem medo de Chavez e porquê?

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É verdade, Chavez governa há 10 anos a Venezuela. Por mim, é caso para felicitá-lo duplamente: pelos 10 anos que mudaram aquele país e por ter ganho este último referendo, que lhe permite continuar no governo se e apenas se em cada acto eleitoral subsequente os venezuelanos o desejarem. Em dez anos realizaram-se 15 (!) eleições de carácter nacional, entre referendos ao presidente e à constituição (um recentemente perdido por Chavez) e eleições gerais, ganhas por Chavez várias vezes e sempre reconhecidas como transparentes por todos os observadores internacionais independentes.
O balanço desses dez anos não o farei aqui, até porque não vivo nem investigo a Venezuela, nem sou sociólogo ou “politólogo” (?) para abordar as várias faces deste tema. Mas alguns números e ideias são extremamente interessantes como factores de ponderação.
Uma primeira linha de força aponta para o facto de Chavez privilegiar as políticas sociais às do investimento que poderia, esse sim, trazer resultados a curto prazo (as potencialidades industriais do país para aí apontavam, mas Chavez preferiu outra via), ou seja, a política distributiva sobrepôs-se e sobrepõe-se à “política desenvolvimentista”.


caracas

Um exemplo: «De acordo com o Instituto Nacional de Estatísticas, em 1999, 20,1% dos venezuelanos viviam na extrema pobreza. Em 2007, o índice havia caído para 9,5%. O número de pobres total no início do governo era de 50,5 % – mais de 11 milhões de venezuelanos. Esse número caiu para 31,5%. De um universo de 26,4 milhões de pessoas, 18,8% dos venezuelanos saíram da linha da pobreza (cálculo realizado com base nos dados oficiais)».
Na mortalidade infantil, a política de Chavez esteve implicada nestes dados: de 21,4 por cada mil nascimentos em 1998 (e assinale-se que no Brasil ainda hoje a taxa é mais elevada) passou a Venezuela para uma taxa de 13,7 por mil nascimentos em 2007.
Muitas leituras se podem fazer desta era de Chavez, que em dez anos fez mais pelos excluídos da riqueza nacional (que é vastíssima) do que, vá lá, 5000 Andres Perez (o amigo de Soares – por isso cheira a extrema hipocrisia os elogios de Soares a Chavez, mas de Mário Soares isso é esperado). O erro de Chavez, para a nossa direita “civilizada”, ou “centro-direita” (“não populista”), ou ainda “centro-esquerda” (que abrange algumas zonas BE) é o de privilegiar a socialização à industrialização rápida e ao desenvolvimento económico imediato.
Imaginemos que não há neste post um elogio a Chavez; e apenas há, evidentemente, uma pergunta – a qual, por acaso, eu gostaria de ver respondida: que querem, no fundo, aqueles que por cá desdenham de Chavez, abominam Chavez e, despudoramente, muita vaidade nisso têm? Que querem afinal? Que outra “paisagem” gostariam de ver na Venezuela? Que regresso a que futuro? Bom, fiquemos à espera da resposta dos democratas, e que a Venezuela siga o seu caminho, sff.

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(Lawrence Wiener)

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54 Responses to Quem tem medo de Chavez e porquê?

  1. “que querem, no fundo, aqueles que por cá desdenham de Chavez, abominam Chavez e, despudoramente, muita vaidade nisso? Que querem afinal? Que outra “paisagem” gostariam de ver na Venezuela? Que regresso a que futuro?”

    Eu simplesmente quero que o homem não faça palhaçadas em nome do socialismo, que não é propriedade dele nem se constrói com as esmolas dos poços de petróleo.
    Em duas palavres: sobriedade e seriedade.

  2. Antónimo says:

    Há tempos, Fátima Campos Ferreira tentava convencer Alfredo Bruto da Costa a fazer o elogio da criação de riqueza pois só através desta se podia começar a redistribuição. O académico católico disse-lhe que já há algumas décadas que ouvia essa conversa. Que era preciso era começar a redistribuir.

    Enquanto, em Portugal, se tem insistido nas falácias defendidas pela jornalista, a maioria dos pobres são ou trabalhadores ou reformados, gente que trabalhou e não mandriões como parecem defender os Bagões, os Belezas e os Cadilhes do estado a que chegámos.

  3. JDC says:

    Chavez não fez nada de novo. Alberto João Jardim, na Madeira, já o faz há 30 anos. E sempre em eleições limpas e transparentes! São dois exemplos de democracia a seguir por todos nós.

  4. Viva o referendo de 1933!!! Viva a nova constituição!

    Grande Carlos Vidal… lol O senhor de democrata deve ter muito pouco. Se aqui em Portugal se desse a catastrofe de um partido de extrema direita voltar ao poder e referendar o limite de mandatos de certeza que achava que era algo inaceitável…

    ah é verdade, ao que parece este referendo não foi assim tão transparente como o sr. dá a entender…Foi ao estilo de 33…lol

  5. Carlos Vidal says:

    A. de Anónimo, eu sou C. de Carlos – democrata ou não, parece-me que os números da pobreza/riqueza da Venezuela não são lá muito “europeus”. Se houver quem ache que os dinheiros do petróleo não deviam ser aplicados na vida directamente vivida das populações, então que o diga: deve ser isso que se faz em Angola, não é? São mais alguns a ganhar com o petróleo do que todos. Mas, sobre Angola, como dizia o outro, ainda não fiz o trabalho de casa suficiente.

  6. HelderEga says:

    a política distributiva sobrepôs-se e sobrepõe-se à “política desenvolvimentista”.

    Até parece que as duas são incompatíveis. A distributiva só é possível graças ao petróleo. E se ele acabar ou continuar a desvalorizar?
    É engraçado como não se aprende nada com a história e se continua a embarcar em ilusões relativamente a certas personagens que são manifestamente autoritárias, asfixiantes, egomaníacas, com todos os tiques que facilmente se reconhecem de caudilhos e tiranetes de vária ordem.
    A sedução e a vontade de acreditar são tantas que se dá crédito total a estatísticas nacionais ou, como já aqui vi, se atribui a autoria do ” El Sistema” (projecto musical para crianças e jovens desfavorecidos) a Hugo Chavez quando é sobejamente conhecido que o projecto remota aos anos 70.

  7. Caro C. de Carlos,

    Dou-lhe razão quanto aos “números” de Chavez, de facto alguns desses números melhoraram com a chegada de Chavez ao poder, isso é inegável. Como também é inegável que alguns números melhoraram com a chegada de Salazar ao poder (Pib, por exemplo).

    Se me permite o insulto, a sua estupidez reside nisto: “é caso para felicitá-lo (…) por ter ganho este último referendo”.

    Se não for estupidez, e nesse caso o estupido sou eu, o senhor pura e simplesmente não é democrata.

  8. CV, já imagino que escreveste um texto escandalo… mas só vou ler amanhã.

    Entretanto, vai lá procurar saber o que é a palavra Cintel.
    Voltarei…;

  9. Posso aplaudir e assinar por baixo?

  10. Carlos Vidal says:

    Caro Carlos Barbosa, claro que pode assinar por baixo.
    A democracia à la “União Europeia” é muito violenta, como se depreende por estes adeptos que por aqui vêm desabafar.
    Estive a pensar um pouco, mas claro que não me vou pronunciar sobre as comparações que aqui vêm sendo feitas.
    Cumprimentos caro Carlos Barbosa.

  11. Pelo menos nessa coisa asquerosa que é a democracia europeia, cada um pode dizer o que pensa sem correr o risco de ser amordaçado…
    Ainda que este horrivel regime em que vivemos tenha falhas, pelo menos falar ainda podemos (de forma mais livre do que na Venezuela).
    Para mim que, embora anónimo, ajudeia a fazer o 25 de Abril (e que vivi o anterior regime) isso é e sempre será importante. Nunca me iludi com artistas de circo, nunca mais do que o necessário para dar uma fgargalhada e virar costas, ou lutar de frente!

    • Ricardo Santos Pinto says:

      Independentemente do que penso do regime venezuelano, anda tudo a criticar o facto de Hugo Chavez ter feito um segundo referendo porque perdeu o primeiro. Mas não é isso que os tais europeistas querem que a Irlanda faça? Que faça um, e dois, e três referendos, até que o Sim ganhe?

  12. Carlos says:

    Lá está. Como é de esquerda, admite-se.

  13. Carlos Vidal says:

    Pois, os europeístas podem, e até podem invadir o Iraque e destruir a Sérvia e tudo o que apareça pela frente …. — mas a Irlanda, essa vai lá a “votos”.

  14. Helena Costa says:

    Chavez não passa dum corrupto ditadorzeco de meia tigela travestido de socialista democrata. Sinceramente, acredito que houve fraude neste referendo. O poder subiu-lhe à cabeça e o socialismo diz-lhe pouco. Só para propaganda.

  15. Algarviu says:

    Basta a azia (leia-se ódio, destrambelho mental) que o Chavez desperta na direita reaccionária para que o dito cujo me seja simpático.

  16. miguel dias says:

    A democracia, meus amigos, seja na Venezuela ou na europa, em cuba ou no Zimbábue, na palestina ou em israel, no ps ou no pc, tal como o Natal, é quando um homem quiser.

  17. Carlos Vidal says:

    Helena Costa,
    Como sabe, já tudo se chamou a Chavez, mas nunca ouvi classificá-lo de corrupto. A questão da corrupção, que me lembre, nunca entrou no debate sobre o projecto de Chavez para a Venezuela nem surgiu em nenhum debate, conversa ou discussão, sobre a persoanlidade Chavez. A sua simpatia pelo socialismo é clara, hoje. Não conhecemos a cultura política da adolescência do senhor Chavez, mas um mérito também tem este referendo: foi o de nomear as coisas – Chavez apresenta-se com um projecto de governo que passa pela nacionalização dos sectores-chave da economia do país e aplicar os respectivos lucros numa lógica distributiva: proporcionar educação (até ao grau universitário, nalguns casos) e saúde (campanha inédita, em escala, de vacinação) a quem ou não as têm ou a quem dificilmente as pode alcançar. A isso chama de socialismo, e não está incorrecto.
    Zizek, um autor que muitas vezes por aqui aparece, é claro numa questão: construir o socialismo não implica repetir o que quer que seja do passado. Não há nenhum modelo a retomar, isto considerado a priori. O que Chavez faz tem este mérito: encontrar na sociedade venezuelana um modelo de justiça socialista. Encontrar lá as perguntas e as respostas.
    Como dizia Michel Fried na sua leitura da história da arte e na historicização das invenções formais de cada período (veja o meu post sobre Fried e a minha conversa com o autor).
    É da Venezuela en concreto que Chavez pretende partir; é, a seu modo, um materialista, um homem do real. Pragmático, concreto. Eu não sei se ele leu/releu o Capital. Sei que ele olha para aquilo que o rodeia. E isso parece ser suficiente. Pragmático e concreto.

  18. toulixado says:

    Assino por baixo e ponho carimbo.

    Já agora aos assanhados comentadores recomendo mais um post para se continuarem a assanhar:

    http://salvoconduto.blogs.sapo.pt/63004.html

  19. maria povo says:

    porque será que todos os governantes que distribuem a riqueza pelo Povo, são apelidados de populistas??? Vasco Gonçalves também o foi por nos ter tirado da extrema pobreza, p.ex., salário minimo, direito a férias e remuneradas, subsidio de natal, serviço nacional de saúde universal e gratuito, etc, etc, etc

    alguém pode explicar???

    já agora, alguém viu a entrevista que mário soares fez a chavez??? o dr. soares levou cá uma lição de como fazer (praticar!) o Socialismo…

  20. Wo says:

    Indendentemente da obra que o homem fez ou não na Venezuela, deixo duas perguntas concretas:

    - É ou não a favor da lei que o PS propôs para acabar com os mandatos infinitos de João Jardim e semelhantes?

    - O que aconteceria se José Sócrates propusesse um referendo equivalente a este?

  21. jcd says:

    Por alguma razão, uma das primeiras medidas de Chavez no poder foi assumir o controlo do Instituto de Estatística.

  22. jcd says:

    O índice de pobreza relativo, medido como uma percentagem em relação à média de rendimentos de um país, pode cair por 3 motivos:

    1. Aumento do nível de vida das classes mais baixas.
    2. Diminuição do nível de vida das classes médias.
    3. Controlo política dos dados estatísticos.

    Falta saber qual dos 3 é mais relevante na Venezuela (por sinal, a inflação está em 30%, a mais alta da América Latina. As impressoras de notas estão a trabalhar 7*24).

  23. CV.
    Deixei i um comment, mas escapou-se … acho, k foi do meu PC…
    ………..
    Mas eu dizia que imaginava mais empolgamento da tua parte.
    Entretanto, arranja lá estatisticas para explicar pp é que não há paparoca para as criancinhas, isso mesmo, leite!!!!! Cenourinhas y outros vegetais, y franguinho. Pq é que é um drama ser mãe venezuelana. p. ex.. Porque é que ter a barrica a dar horas é coisa que de piqinino se aprende na venezuela. Com estatisticas, claro.
    Estamos no básico. Crianças y papa.

  24. Carlos Vidal says:

    jcd,
    você sabe muito bem que Chavez não tem para apresentar números só quanto à diminuição do índice de pobreza. Neste pequeno texto falo ainda da mortalidade infantil, mas poderia falar de acesso à universidade, de campanhas de vacinação antes inexistentes, aumento do número de médicos por habitante, zonas urbanas onde a medicina era coisa irreal e passou a ser concreta e acessível, etc, etc. Dados que qq entidade nacional ou internacional pode confirmar. O argumento da “posse” do Instituto de Estatística não é de boa-fé.

    - Quanto à questão do número infinito de mandatos de João Jardim ou de outro equivalente… Em abstracto, preocupa-me mais a “qualidade” dos mandatos do que o seu número.
    Por acaso, até podia aqui fornecer um argumento (de borla) aos detractores de Chavez: Simon Bolívar, a sua referência, era a favor de uma limitação do número de mandatos. Mas, no caso de Chavez, o apoio popular é esmagador, disso não tenha ninguém dúvidas. Há razões históricas para isso, e razões que Bolívar, no seu tempo, não teria previsto. Não previu: como é que se mantém durante tantas décadas um país riquíssimo com tão altas taxas de pobreza, analfabetismo, fraca escolaridade, sem acesso à saúde, etc, etc. Chavez surge então como o homem certo no momento certo. (Ou melhor, num momento “tardio”, pois o que ele procura fazer hoje já devia ter sido tentado há muito – mas, que Chavez governe até os venezuelanos quererem.)

  25. J. Bravo says:

    Mais de 6 milhões de Venezuelanos votaram SIM. Mais de 54%.
    Numa campanha eleitoral viva, participada, LIMPA!
    Pode-se não gostar de Chavez: quer pela forma, quer pelo conteúdo!

    Mas Chavez fala simples, diz o que quer! As suas opções politicas, as opções estratégicas, são bem conhecidas.

    Ganhou: PARABÉNS!

    Em politica tudo é possível tudo é reversível!

    No dia em o Povo Venezuelano não o quizer mais não há mudança constitucional que o segure!

    (Estamos, nós aqui em Portugal, sujeitos a levar com o J. Sócrates por 2, 3, 4 mandatos… SEM LIMITE… democraticamente eleito pela AR, mais do que o povo Venezuelano a ter de aturar o Chavez)
    b)

  26. miguel dias says:

    É muito difícil apresentar argumentos a favor ou contra Chavez com base em estatísticas, nem me interessa. Tampouco me interessa discutir os méritos da sua governação, porque só me poderia guiar por impressões.
    Eu, que me vejo com um liberal democrático(mas não dogmático) o que digo é não existe democracia que não tenha em determinada altura optado por uma via socialista ou socializante, no sentido de um maior poder e interferência do estado, como forma de resolver as graves distorções resultantes da desproporção na distribuição da riqueza. Continuo a achar que o liberalismo é muito mais eficaz na criação de riqueza, e que quando permite uma distribuição mais equilibrada, que não igualitária, conduz a uma maior liberdade individual. Acontece que, como diria Godinho,…” a paz, o pão a educação, saúde e habitação, não há liberdade a sério enquanto não houver…” Quando se produzem sociedades tão desequilibradas como a Venezuelana, em que o liberalismo era aplicado como uma receita supostamente miraculosa, surgem fenómenos reactivos como o Chávez, produto de uma doutrina económica que não soube cuidar dos seus . Aliás, a receita FMI, foi aplicada, quer na América Latina (Brasil e Argentina), quer na antiga Urss, com resultados catastróficos, conduzindo à criação de oligarquias e monopólios que não têm nada a ver, com o princípio da concorrência livre na qual assenta a bondade do capitalismo.
    Neste sentido, ainda que por razões opostas, concordo com o Vidal quando diz:” É da Venezuela em concreto que Chavez pretende partir; é, a seu modo, um materialista, um homem do real. Pragmático, concreto. Eu não sei se ele leu/releu o Capital. Sei que ele olha para aquilo que o rodeia. E isso parece ser suficiente. Pragmático e concreto.”

  27. Miguel Direito says:

    Chaves é um ditador, não existindo liberdade de expressão sob o seu regime. Ponto. hitler também ganhou eleições…
    O facto de os índices económicos terem melhorado (quiçá por via do aumento do preço do petróleo) não desculpa nem legitima um regime castrador das liberdades individuais, seja no Chile dos anos setenta, seja na China, seja na Venezuela.
    É curioso como os marxistas decalcam as desculpas da direita neo nacional socialista (vulgo Nazi), quando esta diz que sob o jugo de hitler (com letra pequena…!) a Alemanha saiu da crise económica em que vivia mergulhada desde a 1ª guerra… ou da direita trauliteira Portuguesa, quando esta diz que sob a pata de Salazar Portugal endireitou as famigeradas continhas…

    Miguel Direito

  28. Carlos Vidal says:

    Caro Miguel Direito, no “nacional socialismo” vivemos nós, em Portugal, ou seja, numa mistura entre “nacional porreirismo” (de tios e filhos dos tios, sem ilegalidades atente-se) e “socialismo” de pechisbeque (no sentido de “insignificância”).

  29. Tentei comentar por volta do meio dia, mas verifico que o meu comentário não entrou. Então aqui vai novamente:
    A comparação entre Chávez e Salazar é absurda!
    Chávez tem todo um lastro de populismo de que devemos desconfiar, mas o que ele conseguiu, com o referendo último, foi a possibilidade de se perpetuar no poder através de eleições. Pode perder o poder através de eleições. E na Venezuela a oposição existe (embora na minha opinião não seja de fiar) e mobiliza recursos.
    Não podemos compreender o fenómeno Chávez (ele é uma máquina de ganhar eleições e referendos) sem as políticas redistributivas nunca antes postas em prática. Porque os de sempre, que mandavam na Venezuela, faziam eco do tal discurso aqui glosado, de que “o importante é criar riqueza”. Só que essa riqueza gerada beneficiava os de sempre, enquanto a sua distribuição pelos mais pobres era sempre relegada para um futuro longínquo. Chávez teve ao menos o mérito de romper esse ciclo.

    P.S. Aqui em Portugal, até há bem pouco tempo, os autarcas e os presidentes dos governos regionais também se podiam perpetuar no poder através de eleições, e nunca ouvi dizer que a democracia estivesse em perigo.
    P.S (2). Helena Costa, que dados tem para afirmar que Chávez é corrupto? Acharia bem que se proferissem afirmações do género, sem qq espécie de fundamentação, a respeito do nosso primeiro-ministro?

  30. Já agora, Carlos Vidal, só para informar que no Delito de Opinião, também escrevo sobre este assunto. Tomei também a liberdade de citar este seu post num comentário que fiz ao Pedro Correia ontem.

  31. Carlos Vidal says:

    Sem problemas, carlos barbosa.
    Cumps.

  32. Antónimo says:

    Miguel Direito não sabe o que diz. Onde é que alguma vez Chavez cerceia ou cerceou a liberdade de expressão? A contra-propaganda da barulhenta e ruidosa oposição ou os relatórios da CIA não contam.

  33. almajecta says:

    Em concreto é ou não verdade que:
    - Temos lá muitos portugueses e padarias
    - é de lá que vêm muitos milhões de dólares
    - é para lá que têm ido os Magalhães
    - a Galp está lá
    - temos uma longa relação.
    o que vale é que eu tenho uma disposição geral para o idealismo, para a desgraça e a miséria.

  34. pcarvalho says:

    O ganda Alberto João Jardim também está na Madeira à 34 anos(!),entendem,palhaços reaccionários?e a corrupção é mato,grosso e,é o modelo do PSD,do BPP,BPN (eh pá,já não os distingo de tanto sucesso…).Helmut Kohl esteve 16 anos,Mubarak esse ‘democrata que até come sardinhas na lata’já lá está à bué…e,as eleiçõs têm sido marteladas,tal com no México,ó inteligentes e democratas.

    Olhem,mais um Magdoff D.ª Branca no paraíso do ‘sucesso’.Parecem coelhos a sair da cartola da vigarice-bancária.Quando é q os prendem?Ah!é uma ‘democracia’…………….

    Subscrevo, o seu post sem dúvida.É justo!

  35. miguel dias says:

    Alma:
    Como sempre, certeiro, acutilante e concreto.

  36. Carlos Vidal says:

    Ó Grande Alma, o nosso amigo miguel muito aprecia o que é crítico, severo e acutilante. Mas acham que eu sei alguma coisa de negócios?
    Repete lá devagarinho, ó Grande Alma?
    O que é que trocamos com a venenzuela?
    Magalhães?
    Dólares?
    E Misses?
    Isso eu gostava, agora o resto, não sei nada sobre o assunto.

  37. Como já li algures, quando as nórdicos, Noruega especialmente, aplica os rendimentos do petróleo em bem estar social, estamos perante uma boa governação, dizem e aclamam os demo,ocratas daqui, extasiados e algo invejosos dos altos níveis sociais desses países, uma democracia que redistribui concluem reverenciados; mas se algum governante tenta (depois de décadas e décadas de redistribuição do rendimento que pertence a todo o povo, o petróleo, não ter operado qualquer mudança significativa na justiça social) uma outra estratégia, logo vêm os ditos, e até muita esquerda, apelidá-los de demagogos e populistas. Os altos intelectuais parece que estão mais interessados nas prerrogativas democratas pouco transparentes (obtusas) e que se vêm revelando
    dramáticas para milhões de seres humanos do que em tentar perceber o que poderá haver de novo numa situação histórica concreta.
    Para estes, a história chegou ao fim;temos as liberdades, ainda que em abstracto, (mas já dizia o juiz inglês, uma pessoa com fome não é livre!), o parlamento, ainda que cada vez menos representativo de alguma coisa, (participação social na política, nícles batatoides, como se diz por aqui), chegados ao fim da história, estão prontos para dar lições ao mundo inteiro; é “corrupto” é “ditador” é “demagogo” é “potencialmente um tirano, tentam adivinhar outros”, e ignomínia das ignomínias, cerceia as liberdades, apesar de observadores terem dito ao contrário.
    A realidade é já uma desconstrução a histórica, um fetiche engravatado que se rodeia de buracos negros onde são engolidos em lixos tóxicos a mais valia criada pelo trabalho, e só por ele, na transformação do mundo para nosso serviço.
    É sempre preciso criar “mais riqueza”, dizem os obtusos da economia acelerada;- mais riqueza, mais riqueza, mais riqueza, mais riqueza… pouca terra, pouca terra, pouca terra… digo eu.

    cumprimentos daqui.
    adão

  38. miguel dias says:

    Vidal, o amigo não percebe nada de negócios, mas devia ainda que não queira (suponho). Se os corretores de Wall Street estudam Marx, ao amigo não lhe fazia mal nenhum estudar Hayek, Popper ou Friedman.O mesmo o grande Samuelson (os manuais nunca fizeram mal a ninguém). Tonificava-lhe os músculos e melhorava-lhe a estratégia.
    Bem sei que sou homem de muitas das contradições tal como o capitalismo que tanto aprecia. Mas prefiro-as às suas certezas. Mas creia-me, quando for a hora de agir terei Lenine como meu conselheiro.
    Já agora, something completely diferent, ou nem por isso, algo que encontrei por acaso e que é capaz de lhe agradar:
    http://pastoralportuguesa.blogspot.com/2009/01/verdade-que-no-tenho-sono-nenhum.html

  39. miguel dias says:

    Excelente exemplo Adão. Infelizmente por cá, da Noruega só bacalhau. E nem Viaverde conseguimos exportar, os sacanas não têm autoestradas.

  40. Miguel Direito says:

    Se Chavez se apresentasse como de direita nacionalista populista, em vez de esquerda nacionalista populista, Vexas diriam bem dele?
    Se ele fosse um militar nacionalista conservador em vez de um militar nacionalista neo marxista, o que diriam do sujeito?

    Atenção, quer todos estes rótulos em nada interfeririam com a real política do regime do excelso senhor…Somente interfeririam na percepção e gostos dos apoiantes e detractores de ocasião.

    É incrível como um filho de Marx, Lenine e estaline do nosso burgo se enamora por Chavez com o mesmo tipo de argumentos que um amante de Salazar, Pinochet e quejando daria para defender os vários fascismos, totalitarismos conservadores etc…

    O que é certo é que na Venezuela de hoje este tipo de discussão não é permitida. Ponto.

  41. Carlos Vidal says:

    Pois é, caro Adão Contreiras, a Noruega pode, é primeiro-mundo.

    A Venezuela não, é terceiro-mundo.
    Está a saque (como o resto). Ou deveria estar.

  42. Os “rótulos”, em politica nada têm a ver com a politica? até o Salazar sentenciava que em política “tudo o que parece é”
    Estamos em pleno espectáculo. “a apresentação”, (se Chaves se apresentasse…) Os “rótulos” aqui não passam de figurantes que podem ser de “direita nacionalista populista”,”militar nacionalista conservador” ou “esquerda nacionalista populista”, a diferença (vários fascismos), ou a não diferença (totalitarismos conservadores) estão apenas na cabeça de quem observa e nada tem a ver com a acção.
    Este observador incapaz de analisar e detectar diferenças na acção politica, sofre de esquizofrenia de certeza.

  43. Caro Carlos Vidal

    -fiquei pensando, depois desse comentário que fiz que há em certos extractos da sociedade portuguesa uma inveja dupla e de dupla natureza, inveja-se a distribuição do rendimento na Noruega por todos e depois inveja-se que a distribuição do rendimento na Venezuela não seja para proveito somente de alguns.
    Essa atitude rememorou-me,-” só conheço gente que nunca mentiu… só eu, tantas vezes falso, tantas vezes vil…cito de memória o poeta, só o sentido aqui deixo.
    Hoje li mais um bocadinho do livro D.da A P. encontrei lá isto:” o rosto da globalização é a industrialização do pensamento e não a sua emancipação”

    bem haja

    adão c.

  44. Antónimo says:

    Miguel Direito usa muito o ponto final mas não elenca um único rasgo ditatorial e de atentado à liberdade de expressão do tenente-coronel Chavez.

    Será que não sabe contra-argumentar? Na discussão limitou-se aos pontos finais que parece querer usar para as concluir superiormente e sem contestação. Ora batatas, se eu também achar que o primeiro-ministro belga é um ditador tenho de explicar pq. Não me basta dizer: “É, ponto!”

  45. Antónimo says:

    Curioso haver quem em Wall Street estude marx. Lendo os ladrões de bicicletas sabe-se que sempre é melhor do que aquilo que se passa em Portugal com os estudos dessa Estatística Descritiva a que se convencionou chamar Economia. Pelo menos na Universidade Nova de Lisboa e na Católica.

  46. Carlos Santos says:

    o sr. Carlos Vidal lê pouco sobre a venezuela e sobre a manipulação sórdida que as nomenklaturas chavianas produzem sobre os dados da realidade que – com tanto afinco e tão candidamente você expõe (é até enternecedor ler as suas crónicas sobre estes tiranos mascarados de “gente democrata”!). Mas deixe de lado esses esquerdismos artrósicos e anquilosados com que constantemente avalia e lê a realidade e perceba que a história tem um sentido para este chavismo “generoso”, mas que, no final, sem verdadeira e genuína liberdade, o resultado só pode ser aquele que já se vislumbra no horizonte: oligarquia e ditadura, pobreza e atraso. Paira no ar … basta ouvir os discursos tresloucados e carregados da patologia autoritária da personagem que você idolatra … Já vimos disto mais vezes! … fique atento à espiral da história!

  47. Antónimo says:

    Outro dislate curioso. Anda tudo com a mania que os princípios neo-liberais são os que geram mais dinheiro e que isso é bom porque depois é redistribuido.

    Mas lembra-se sempre a história da alentejana que foi apanhada pelo irmão a pintar os lábios.
    Ó, Maria, pq é que pintas os lábios?
    É para ficar mais bonita!
    Então porque é que não ficas?

    Para os mais lentos:
    Óh economia porque é que te desregulamentas tanto?
    É para poder redistribuir mais dinheiro!
    Então pq é que não redistribuis?

    Interessante comparar os ordenados nos EUA entre 1973 e a actualidade e os aumentos de produtividades nas empresas. Nos ladrões de bicicletas (os links nem sempre permitem a edição dos comentários) a coisa é mostrada. A produtividade subiu brutalmente, os salários muitíssimo, mas muitíssimo, muitíssimo, longe disso.

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