Quem tem medo de Chavez e porquê?

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É verdade, Chavez governa há 10 anos a Venezuela. Por mim, é caso para felicitá-lo duplamente: pelos 10 anos que mudaram aquele país e por ter ganho este último referendo, que lhe permite continuar no governo se e apenas se em cada acto eleitoral subsequente os venezuelanos o desejarem. Em dez anos realizaram-se 15 (!) eleições de carácter nacional, entre referendos ao presidente e à constituição (um recentemente perdido por Chavez) e eleições gerais, ganhas por Chavez várias vezes e sempre reconhecidas como transparentes por todos os observadores internacionais independentes.
O balanço desses dez anos não o farei aqui, até porque não vivo nem investigo a Venezuela, nem sou sociólogo ou “politólogo” (?) para abordar as várias faces deste tema. Mas alguns números e ideias são extremamente interessantes como factores de ponderação.
Uma primeira linha de força aponta para o facto de Chavez privilegiar as políticas sociais às do investimento que poderia, esse sim, trazer resultados a curto prazo (as potencialidades industriais do país para aí apontavam, mas Chavez preferiu outra via), ou seja, a política distributiva sobrepôs-se e sobrepõe-se à “política desenvolvimentista”.


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Um exemplo: «De acordo com o Instituto Nacional de Estatísticas, em 1999, 20,1% dos venezuelanos viviam na extrema pobreza. Em 2007, o índice havia caído para 9,5%. O número de pobres total no início do governo era de 50,5 % – mais de 11 milhões de venezuelanos. Esse número caiu para 31,5%. De um universo de 26,4 milhões de pessoas, 18,8% dos venezuelanos saíram da linha da pobreza (cálculo realizado com base nos dados oficiais)».
Na mortalidade infantil, a política de Chavez esteve implicada nestes dados: de 21,4 por cada mil nascimentos em 1998 (e assinale-se que no Brasil ainda hoje a taxa é mais elevada) passou a Venezuela para uma taxa de 13,7 por mil nascimentos em 2007.
Muitas leituras se podem fazer desta era de Chavez, que em dez anos fez mais pelos excluídos da riqueza nacional (que é vastíssima) do que, vá lá, 5000 Andres Perez (o amigo de Soares – por isso cheira a extrema hipocrisia os elogios de Soares a Chavez, mas de Mário Soares isso é esperado). O erro de Chavez, para a nossa direita “civilizada”, ou “centro-direita” (“não populista”), ou ainda “centro-esquerda” (que abrange algumas zonas BE) é o de privilegiar a socialização à industrialização rápida e ao desenvolvimento económico imediato.
Imaginemos que não há neste post um elogio a Chavez; e apenas há, evidentemente, uma pergunta – a qual, por acaso, eu gostaria de ver respondida: que querem, no fundo, aqueles que por cá desdenham de Chavez, abominam Chavez e, despudoramente, muita vaidade nisso têm? Que querem afinal? Que outra “paisagem” gostariam de ver na Venezuela? Que regresso a que futuro? Bom, fiquemos à espera da resposta dos democratas, e que a Venezuela siga o seu caminho, sff.

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(Lawrence Wiener)

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