Vigiar, vigiar tudo: se possível descobrir todos os poderes ocultos

cindy1
Sherman, sem título (série “History Portraits”). 1989.

A autora de “J’accuse” não deixará passar as insolências de Pacheco Pereira contra o primeiro-ministro. Nunca. Já o demonstrou duas vezes (aqui e aqui). Não passarão as insolências de ninguém! Nem à esquerda nem à direita.
Além disso, está bem secundada. Como sempre. Uma dupla que não deixa passar NADA!
Vigiar, vigiar e, se possível, punir. Um dia.

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24 respostas a Vigiar, vigiar tudo: se possível descobrir todos os poderes ocultos

  1. Vidal.
    Vá dormir homem que já é tarde, amanhã os aprendizes precisam de si fresco.
    Não se ponha a esta hora da noite a defender o Pacheco que lhe fica e faz mal. Eu sei que o objectivo é malhar no Sócrates, na companheira deste e na ajudante desta. Mas o Pacheco.Por amor de Deus. Ainda quando é com o Crespo ou com o Saraiva. Bem sei, que o homem já andou pelas bandas do mao, mas entretanto curou-se. Já não é um compagnon de route de outros tempos. Você que fazer dele um idiota útil mas olhe que se pode arrepender. O fulano não só conhece, como é estudioso profundo das manhas todas.
    Amanhã, depois das aulas, vá comprar um armani em pagamentos fraccionados no cartão que o seu salário não dá para mais. Se lhe sobrar algum vá até Cacilhas, ou cometa a extravagância de ir até à Costa. Sempre areja as ideias e pode ser que lhe venha de volta aquela objectividade acutilante a que nos habitou.
    Bons sonhos.

  2. Helena Costa diz:

    Ó Miguel, já percebemos que tem um “crush on” f., (aquele elogio ao nariz, utilizando os eufemismos adunco e aquilino para grande e deformado, foi comovente).
    Mas será que, para defender a sua dama, tem de ter essa visão tão maniqueísta das pessoas? Então, o Pacheco só porque não é de esquerda não poderá ter razão em algumas coisas?
    De qualquer forma, se estivesse atento, perceberia que este post tem muito mais a ver com quem defende, vigia e pune do que com o Pacheco. Ele é apenas mais um. Ai de quem erguer a voz contra o pm, leva logo com a Câncio.

  3. O Pacheco Pereira está-se cagando, e muito bem, para a f., o respectivo eco habitual e os comentadeiros narcisos, queridos e outros, que sempre acorrem a incensar a suposta namorada do poder do momento.

  4. Sérgio diz:

    Eu acho a “f.” uma mal-criada incapaz de comunicar com quem não alinha pela bitola dela.

    Dito isto, e sabendo que o Carlos é livre de escrever o que bem entender, pare lá de lhe dar atenção!

  5. almajecta diz:

    finalmente, ( não não é o bar da rafaeli ), uma imagem com força e poder de comunicação. Doutrinas mundanas (Zizek, Badiou, Foucault), carnais ( casting du gendre les pros du showbiz ) e horrorosas ( o livro negro da razão das Luzes).

  6. Carlos Vidal diz:

    100% de razão ao Sérgio.
    Mas como visar um governo, abominável entre o que há de mais abominável, ignorando o seu principal polícia?? Principal ou mais activo, ou mais evidente, ou as três coisas.

    Ó Grande Alma, ainda bem que achas a nossa (minha) Cindy infalível.

  7. almajecta diz:

    Outra songa monga essa da Cindy.
    Então não é a dona Célia a herdeira plenipotenciária e atentivamente in&firme?

  8. Cara Helena:
    Confesso o meu crush apesar do nariz grande e disforme . O que é que se há-de fazer, o amor é cego.

    Quanto ao resto, o Pacheco (que aliás muito aprecio) disse uma frase estúpida, demagógica e rasteira ponto. Uma frase que eu considero ofensiva até para mim que não ganho nem um terço de 5000 euros.
    Que a f. lhe tenha saltado em cima (salvo seja) acho perfeitamente natural. Eu no lugar dela faria o mesmo. Mas como não estou, muito pelo contrário, no minimo, por razões táticas, calava-me.
    Ora o Vidal, esse central de marcação da blogoesfera portuguesa, vai à dobra a tudo, entra à queima e na ânsia de recuperar a bola faz penalty. O nosso amigo precisa de um pouco mais de souplesse, de dosear o esforço, de discernir o que vale a pena do que não vale. Enfim, precisa de mais um bocado de cultura táctica (que da outra sobra-lhe para dar e vender).

  9. Carlos Vidal diz:

    miguel, o que disse Pacheco Pereira é importante, mas eu prefiro não comentar, por uma razão: o que mais me interessa é o “policiamento-câncio” de qualquer murmúrio, obtuso ou mínimo que seja, anti-sócrates. E diga-me lá: isso é ou não preocupante?
    É e não é, conforme vemos a coisa. Como jornalista é insustentável, como blogger ela que vá avante, sem parar.
    Mas, o que é que a move? É uma atenção microscópica, não só a pensamentos, mas a murmúrios, pequenas frases. E também a pessoas, claro. Isso sim, são “marcações”.

  10. “o que disse Pacheco Pereira é importante, mas eu prefiro não comentar”

    Mas ó vidal, não vê que este post acaba por ser uma caução ao que disse o PP. Você critica o post, logo expõe o objecto do post. Como o dito (para mim) é infeliz, o seu post também o é, para pior ( a única coisa que se aproveita é a imagem da cindy), porque ignorando a barbaridade do que o pp disse, limita-se a apontar o afâ da f.

    Ora, este tipo de abordagem, produz um efeito boomerang, que estranhamente lhe parece escapar. Mas eu não pretendo consumir o meu tempo e o seu espaço a criticar as criticas das criticas às criticas, pelo que faça lá o que entende melhor e boa sorte.

  11. almajecta diz:

    Uma imagem com tanto poder-conteúdo, de levar á proscynésis já a resvalar e em consequente queda para os banhos de S. Paulo, para os vomitórios e territórios em construção dos ocupas em dinamização bancária.
    Marcações cerradas de combinações e permutuções de Ken e Barbie. Muito bem, bravo. Com a introdução da Cindy o probabilismo relativisa-se ainda mais transformando o acessório em essencial, donde o objecto estético , o discrecto e o ustensílio.
    O calculo diferencial deixo para a nossa Kristeva.

  12. almajecta diz:

    Estou a cumprimentar-te pelo grande post á la Chevalier Organt sobre o design. Parabéns.
    Aguardo serenamente e sem murmurações pelos comentários sempre firmes e hirtos das hostes das nossas vanguardas.

  13. Carlos Vidal diz:

    Ó Grande Alma, as vanguardas, como sabes, deixaram-se levar: sempre adoraram objectos, julgando não poder existir sem eles, ao contrário das pretensões desmaterializantes e conceptualistas/performativas.

    miguel, repare numa coisa, eu nunca poderia validar o que PP diz ou disse. Reafirmo que não é isso que aqui está em causa. O que ponho em causa neste post acompanhado da Cindy é que tenha ele dito o que quer que seja, ele, por tê-lo dito, passa a ser suspeito de ser dele e de outros como ele (poderia ser eu) que parte a campanha negra contra J Sócrates.
    Murmurando uma frase contra J Sócrates começa-se a fazer parte ou a revelar o lado oculto dos poderes ocultos. Para a polícia-câncio (que não é uma pessoa, uma mulher, mas um grupo de pessoas) criticar o líder abertamente é (paradoxalmente) fazer parte de uma campanha oculta, é fazer parte do que se esconde – o que a polícia-câncio pretende é “fechar” o que está aberto: as críticas ao líder estão cada vez mais abertas. Eles, essa gente servil, estão a perder o pé, pois aquilo que chamam oculto está cada vez mais à vista.

  14. ezequiel diz:

    Punir?????

    Mão te esqueças da confy chair.

  15. Carlos Vidal diz:

    Meu caro ezequiel, punir sim senhor.
    É a “punição-câncio” ou o que ela desejaria que tal fosse se tal existisse: vácuo, vazio, ruído, desejo impotente de poder, etc. Opões-te, logo, és conspirador, participas de uma campanha oculta contra a lei e ordem, e, como tal, deves ser publicamente apontado, visado. É uma punição estúpida, porque é também uma auto-punição: se eu sou visado por pôr em causa a lei e a ordem, ela – câncio – só se mantém com o poder da sua impotência, porque o governo do momento lhe corre de feição. Ao mudar, passa a ser ela apontada, porque guardou com excesso de zelo um poder falso e mutável. Ou imutável? Até agora tem sido imutável, mas continuará a ser?

  16. ezequiel diz:

    Meu caro ezequiel, punir sim senhor.

    Pronto. Tá decidido. Vou enviar um robe de bispo, encarnado q.b, para a FBAUL. Poderás recolher o dito na admin. Queres com ou sem chapéu de chuva????

    Carlos,

    como deves ter percebido, eu tava a brincar. eu depreendi que tu é que querias punir. bem, estes neurões tão mesmo mal.

    A Raquel já disse ao Tiago o que vai acontecer nas próximas eleições. Eu concordo com ela. O BE vai ser a grande “novidade debordiana” das próximas eleições. É evidente que nada é imutável. Nadinha mesmo. Nem sequer é preciso ler o Badiou para perceber isto. Vai mudar, sem dúvida, mas não da forma como pensas.

    Posso especular: Governo de coligação esquerda: PS e BE (e PCP ??, duvido) > incapacidade sistémica de satisfazer todas as solicitações que emanam da “sociedade civil” (fuga de capitais, estado Português sem capacidade para renovar o seu endividamento> fragmentação interna > colapso da coligação> PSD com Pedro Passos Coelho +CDS > ….??????? O que me dizes???? (tou a brincar: a verdade é que não faço a mínima ideia!) O momento decisivo chegará quando a esquerda radical não conseguir satisfazer as expectativas do seu eleitorado (ou a esquerda radical perde poder eleitoral OU radicaliza-se ainda mais na sua eterna procura pela autenticidade ideológica) hey?? hey??? eh ehe hhe h:)

    Carlos, pensa bem: tratar os acessos debates entre x e y em termos de “punições” parece-me um pouco dramático, não???

  17. Carlos Vidal diz:

    caríssimo ezequiel,
    não me quero comprometer muito com aquilo que não acredito, nomeadamente com a democracia parlamentar; por isso quando voto, voto sempre no que, na chamada esquerda, nunca servirá nada de nada (nenhum apoio) ao PS. O Bloco, se o fizer, estará merecidamente acabado (porque o que é preciso acabar é com o PS, claro!).
    Quanto ao resto, chama-lhe ditadura do proletariado ou outra coisa qualquer, mas acho sim senhor que muita coisa há a merecer severa punição.
    Manda lá o robe púrpura para a FBAUL. Em meu nome. Grato.

  18. almajecta diz:

    A vanguarda é outra coisa que já acabou, é produto de um reflexo no campo das artes do que ocorria no campo político, da formação dos partidos e dos manifestos. O manifesto comunista de Marx é um dos documentos iniciais desse processo. Depois veio o manifesto artístico. Ou seja, é uma atitude diante da sociedade diferente do período anterior, quando não havia partidos. A vanguarda era também uma expressão militar e teve um sentido que está ligado à sociedade capitalista, que elege o progresso como o seu principal valor – e, ligado a isso, vem a noção do novo. Mas por volta de 1917 Picasso advertia que tinha sido um dos responsáveis pela destruição dos parâmetros e referências no campo das artes. Começou a ver que, quando se abandona todas as referências, fica-se sem limites tornando-se difícil distinguir a fraude do que é criativo. É indiscutível que este processo que começa com o impressionismo e vem até os nossos dias é enriquecedor da experiência estética. Contudo no que nós chamamos movimento de vanguarda há muitos artistas que foram mera fraude, são ás centenas. O movimento construtivista, produz obras importantes, mas esgotou-se. A linguagem nova que mais perdurou foi a de signos e formas abstratas, na sequência de Kandinsky. Imaginava-se que ia surgir uma coisa que estava só no sonho das pessoas, que era uma linguagem da arte fundada nos instrumentos da tecnologia que nascia. E esta linguagem não surgiu nem a da dita coligação.

  19. Caro Alma:
    Absolutamente decepcionado pelo seu comentário, não por via do substantivo, mas pelo estilo. Um texto seu que não me obrigue a pelo menos dez releituras, considero tempo perdido. O que aqui apresenta, vindo de si não me merece: o que se ganha em eloquência perde-se em prazer.
    Que é feito da metáfora literal, da humilde hipérbole, da distinta manipulação do maiúsculo e do molusco e do quase anagrama que tanto me intriga? Que dizer da aliteração múltipla, da assonância singular, da onomatopeia silenciosa e das anáforas rodopiantes que tão bem lhe assentavam. Onde estão os assíndetos e polissíndetos e vírgulas menosprezadas e reticências pertinentes? Onde está a anástrofe invertida, já com ela convive não? O hipérbato subtil, o paralelismo convergente e a apóstrofe anónima que o distinguia, morreram e mais não são? De repente, sem se despedirem tornaram-se ausentes a perífrase avarenta e a metonímia solteira?
    Alma rogo-lhe, suplico-lhe e imploro-lhe. Atrevo-me, e apesar de em casa alheia, a exigir, não se apresente com relatórios escorreitos, textos de sebenta, plenos de vírgulas certeiras e adequadas. O amigo está muito para além disso apesar de certas vozes reaccionárias.
    Como bem sabe um homem é o seu estilo. Sem estilo e sem figura decorrrentes o que será de si. Temo que demo lhe tenha sugado a Alma do Jecta. Só assim se explica este desatino.
    Quanto ao resto não comento, está tudo muito bem.

  20. Carlos Vidal diz:

    caro miguel,
    o Alma é uma caixinha de surpresas, e este texto, estou certo, irá demosntrá-lo. Que o Alma aqui o pôs foi por uma razão certamente.

    Ainda não o sabemos, mas se ele aqui está, pode ser que venha a ter continuidade, e que as coisas gradualmente se adensem.
    O estilo é sempre a última coisa a morrer, e sendo assim o Alma prepara-nos para novas viagens e deambulações. Falar simples e pobre do que é rico e complexo é também dizer que o que é rico e complexo é pobre. A análise é devastadora. No fundo, para falar das vanguardas não é preciso ir à teoria do Direito de Derrida. Basta dizer, como aqui foi evidenciado, que sobre as vanguardas há muito pouco a dizer.

  21. almajecta diz:

    Vai Carlos, aperta com ela…

  22. almajecta diz:

    How badly I would like to sleep now
    in the shadows beside real things or beside
    things that were real once, like the beaded gown
    on the television, like the debut
    of a song in New York in black and white
    when my parents were there. I feel sometimes
    my life was used up before I was born.
    My eyes sear backwards into my head
    to the makeshift of what I have already seen
    or heard described or dreamed about, too weary
    not to envy the world its useless outlines

  23. almajecta diz:

    Onde é que eu já vi estas roupagens em amarelo mostarda e azul? Talvez mar a dentro.

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