O Triângulo Monumental Rapoula – Valhelhas – Covadoude


Pela primeira vez, vou meter-me por terrenos ligados à arte. Um tema que, até hoje, tem sido praticamente um feudo do Carlos Vidal. Não sei como é que ele vai reagir.
Começo por dizer que, em relação a este assunto do Triângulo Monumental Rapoula – Valhelhas – Covadoude, o «5 Dias» tem estado mal. Há uns meses, Luís Rainha publicou um «post» que me pareceu ser algo irónico para um projecto em concreto do nosso primeiro-ministro. Deselegante, no mínimo.
Vem logo a seguir Carlos Vidal, referindo-se em tom jocoso às características do projecto: «Noto nesta casa, como nas outras do autor (subvalorizado), um estilo marcadamente pessoal, mesmo que não concordem comigo: uma preponderância na abertura, criação e enfatização das horizontais. A linha terra, em primeiro lugar; a altura dos puxadores; o alinhamento das duas pequenas janelas no R/C com a linha superior das portas; a varanda rasgando e abrindo o corpo do andar superior a toda a largura, gesto radical de abertura interessante; por fim, o beiral acima. Três horizontais fortíssimas, portanto: a linha terra, a varanda, o beiral. A coerência formal é patente.»
Em minha opinião, tratou-se de mais um «post» lamentável no «5 Dias». Um blogue que, nos últimos tempos, vem andando pelas ruas da amargura.
Senão vejamos: Rainha ironiza, dizendo «Não esqueçam que, para ele, isto é uma linda mansão». E Vidal, qual crítico de arte, desdenha de todo o projecto e até os formosos puxadores ridiculariza.
A Rainha, apetece–me perguntar: e não é uma bonita casa? A Vidal, digo que concordaria com tudo o que escreve se não fosse um texto eivado de ironia e, atrevo–me a dizer, de profunda inveja pela obra que ali está.
Não percebo como é possível tratar desta maneira alguém que tem feito tanto pelo nosso país. Um português dos grandes, só comparável a um D. Afonso Henriques, a um D. João I, ao Infante D. Henrique e a poucos mais desses eleitos. Alguém que só não tem reservado um lugar no Panteão Nacional, desde já, por profunda injustiça.
Acaso ignoram que o primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates Pinto de Sousa, acaba de ser eleito um dos homens mais elegantes da Europa?
Acaso ignoram que o primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates Pinto de Sousa, veste Armani?
Acaso ignoram que o triângulo Rapoula – Valhelhas – Covadoude tem todas as potencialidades para se tornar num caso sério no panorama turístico português?
(A propósito, sugiro a criação do projecto turístico “Triângulo Monumental Rapoula – Valhelhas – Covadoude”. Tratar-se-ia de uma linha férrea turística, em forma de triângulo (mais ou menos…), que ligaria aquelas três terras e que teriam o seu ponto alto na visita às habitações em boa hora projectadas por José Sócrates Pinto de Sousa, primeiro-ministro de Portugal)
Não, V. Exas não ignoram nada disto. Mas preferem ignorar. Porque não dão valor a quem merece e porque não vos interessa dar esse valor.
Do «5 Dias», já espero tudo. E a seguir, vão gozar com quem? Com a senhora Ministra da Educação, essa santa senhora que pôs os professores na ordem?

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

12 respostas a O Triângulo Monumental Rapoula – Valhelhas – Covadoude

  1. Ricardo. Escreve sobre sexo.

  2. Post do Ezequiel: http://5dias.net/2008/09/24/etlanuitfinniecommeca/#comments tem a ver com o post do zenuno. É mto interessant, espreita y vai ver o resto ao youtube. y roi-te de inveja de não morares em LX.

  3. Carlos Fernandes diz:

    Eu, que não sou de direita nem de esquerda (nuns temas sou de esquerda, noutros de direita), sou do centro ( talvez, feitas as contas, mais centro-esquerda que centro-direita), penso ser isento quando comento que uma bela casa é uma bela casa, não importa se o autor é do partido a ou b.

    Agora a inveja é muito feia, isso é, daí que estou roído de inveja de não ter uma casa daquelas …(calma: faltam 5 palavras para acabar!) na Lapa ou nas Larangeiras.

  4. LAM diz:

    Digamos, um Triângulo DE Bermudas.

    (As coisas não desaparecem, mas lá que cheirar mal, cheiram.)

  5. Carlos Vidal diz:

    Penitencio-me, dando razão total ao meu colega Ricardo.
    E não brinco: nenhum país da Europa (e do mundo) tem um primeiro-ministro que projecta casas, que assume que as desenhou, que as imaginou, que lhes deu significação e criou harmonia habitada. A significação está toda à vista: veja-se nesta casa, a primeira do filminho, como nem escapa a subtileza do corpo saliente (com varanda e encimado por triângulo em forma de “frontão”), a subtileza deste corpo, veja-se – está do lado esquerdo do observador: o nosso primeiro-ministro é um esquerdista irredutível e passa essa mensagem para as suas casas, os seus projectos. Agora reparem nisto de outro modo: Loyd-Wright chegou a primeiro-ministro? Carrilho da Graça chegou sequer a ministro?
    Não.
    Ter casas do primeiro-ministro, que é um projectista, e não organizar um circuito de culto é um puro disparate e um desperdício de uma originalidade portuguesa: nascemos como país de desenhadores.

    Alguma vez um Zapatero se sentou a um estirador? Alguma vez esse espanhol experimentou, por um um momento, o instante da criação?
    Um fulgor demiurgico?
    A materialização de um pressentimento de formas?
    Ora bem, então calem-se.

  6. CV.
    Y as tuas pinturas? Vá, vai lá criar … q eu quero ir a uma expo’tua em breve. Deixa lá o estiloso do JS nas modas dele, q é moço sem interesse.

  7. Eu diria mais, um pormenor não citado; aquela chaminé encapuçado por cobertura circular em equilíbrio de peso visual às duas janelinhas no “frontão” dá uma elevação sonhadora e etérea que arranca a massa arquitectónica do chão. É pena a antena de televisão estar um pouco inclinada para a direita…mas isso é um extra arquitectónico.

  8. LAM diz:

    Penso que pela 1ª vez, rendo-me a um comentário de CV.
    Toda a razão e propriedade.
    Quem nos ouvir parece que temos Camões, Marquês do Pombal, Sizas Vieiras a dar cum pau.
    Não temo-si-os! E quando temo-si-os tratámo-lo-si-os assim? Não os venará-mo-lo-zi-os como merecem? Não mereçam-li-os os maiores encómios em vez das dúvidas e suspeições com que avalia-m-os o seu desempenho.
    Cum carágo. O homem até deu em 1º ministro, por alguma coisa há-de ser.

  9. Por caso o alçado de uma das casas é bem interessante. a segunda ou terceira, creio.
    Uma pala, cobre uma varanda, resultante do recuo da fachada, define o remate superior do edifício com grande intencionalidade, conferindo unidade a uma fachada muito compremitda com as solicitações do programa.
    O embasamento adapta-se subtilmente às diferenças da rua, onde, quase irónicamente, surge uma pequena arcada.
    Bastante o feliz contraste na proporção dos vãos.
    Em suma, apurado sentido de composição, sem no entanto cair no academismo pueril, onde o acidente dissonante, mais uma vez consequência do programa, é introduzido com naturalidade.
    Um alçado que remete para alguns projectos do siza, ainda que o amarelo quase bege seja um pouco antipático. Mas isso já deve ter sido uma adulteração posterior do proprietário.
    O rapaz tinha potencial. mas infelizmente meteu-se nas jotas e deu no que deu. Antes se tivesse metido nas drogas e hoje podia ser alguém.

  10. Já agora, o fracasso artístico do nosso primeiro só abona a seu favor. Grandes estadistas também foram artistas, ainda que frustrados- Hitler, Churchill, Estaline, Mao, Ronald Reagan ,Manuel Alegre,etc.
    No entanto, consta que apesar de tudo, as pinturas do churchill são melhores que os poemas do alegre.
    Será que o vidal nos poderá esclarecer?

  11. Pingback: João Marcelino entrevista José Sócrates na TSF | Aventar

  12. Pingback: A estética segundo Eduardo de Pitta | Aventar

Os comentários estão fechados.