Minas de Urânio

Uma reportagem da televisão pública emitida ontem põe em causa a gestão dos resíduos das minas de Urânio. A França é o país que mais depende da energia nuclear e durante anos explorou mais de 200 minas para alimentar a indústria do combustível nuclear. Só recentemente com o aumento da consciência ecológica se começou a dar atenção aos efeitos das radiações de baixa intensidade, há 20 anos atrás a preocupação era sobretudo com os resíduos das centrais. Um relatório recente mostra que durante anos as gangas das minas e os resíduos do processo de enriquecimento foram utilizados como materiais de construção, nomeadamente para construir aterros.

Em Portugal tivemos também a nossa mina de Urânio na Urgeiriça, será que estas questões estão a ser bem tratadas?

Hoje em dia sabe-se bastante mais sobre os perigos desses resíduos, nomeadamente em relação ao Radon, um gás raro radioactivo de alta densidade que tem tendência a acumular-se nas caves e zonas fechadas e que é responsável de cancros do pulmão. O que mostra a reportagem é que não existe nenhum inventário sério das utilizações dos resíduos em construções, a empresa que explorou as minas (AREVA ex-COGEMA) limita-se a minimizar o problema dizendo que as doses são ínfimas, entretanto algumas associações têm descoberto as mais diversas construções, incluindo ginásios, habitações etc, edificadas em cima de aterros de resíduos radioactivos.

Mais informações num artigo do Monde.

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5 respostas a Minas de Urânio

  1. Quando a população de Canas de Senhorim (aquela freguesia que quer ser concelho) entra pelas instalações da mina, carrega sacos e sacos de ganga radioactiva e a despeja no jardim de Belém, dá para se ter uma ideia de como está a ser tratada a questão radioactiva.

    O problema do Radão não tem a ver com as minas de Urânio abandonadas. O Radão Gás liberta-se sobretudo do Granito. Por isso onde está uma construção de granito existe Radão e a única coisa que há a fazer é – Arejar a casa.

  2. fernando antolin diz:

    Nem em sonhos…

  3. Pedro Ferreira diz:

    Caro Luís Bonifácio, obrigado pelo seu comentário e pelas informações sobre as minas de Urânio em Portugal.
    Um pequeno esclarecimento sobre o Radon (eu prefiro esta ortografia a Radão ou ao Radônio dos brasileiros): na emissão sobre as minas em Franca é citado o problema da emissão de Radon nas construções edificadas por cima de aterros com gangas de minas:
    “des situations préoccupantes : utilisation de stériles radioactifs comme remblais dans des zones fréquentées par le public ; fuites dans l’environnement de radioéléments issus des résidus ; construction sur des zones “réhabilitées” de bâtiments qui se révèlent contaminés au radon” (extraído do artigo do Monde citado no meu artigo).

  4. Rui Alves diz:

    Durante a segunda guerra, america levou toneladas de urânio da europa, principalmente França, mas foram toneladas e toneladas, sem comprar nem pedir, nem como oferta da casa.
    Quantas misérias com urânio roubado, guerras provocadas e atómicos clarões, com urânio roubado. Gerador de guerras, investidor e roubador de negruras.

  5. Rui Alves diz:

    O 11 de setembro foi outro projeto manhattan um jogo de xadrez com um xeque-mate ao petróleo do iraque. Afinal já aconteceram outros como o 11 de setembro no chile e arábia, nesses os culpados estão tão ocultos como os que levaram peões contra as gémeas. Mas a banca americana foi banca rica nas ruinas das guerras que acendeu e fez provocar nas nações: deixa-os destruirem-se uns aos outros, que depois investimos somas astronómicas na sua reconstrução e que rica falsa banca. O resto dá para um filme do tamanho do mundo em duzentos anos de história macabra, sangrenta e fasa.

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