E no entanto é tão simples

João Pinto e Castro continua sem entender bem como é que Francisco Louçã resolveria a crise do BPN. Depois de colocar 3 hipóteses a leste, acaba por concluir: «O meu prognóstico é que o Bloco optará antes por convocar uma manifestação de protesto contra os banqueiros.» Como é fácil desligar o sonotone e fazer de conta que os outros é que não se explicam bem. Ainda há minutos vi o homem na RTP 1 a explicar outra vez a sua sugestão: que se tivesse nacionalizado todo o (lucrativo) grupo SLN, que cresceu à sombra do BPN, e não apenas o banco, em cuja cave os buracos parecem não ter fim. Pode ser má ou boa solução, mas existe, ao contrário do que finge JPC. Se calhar não era difícil prestar alguma atenção; mas tem muito mais pilhéria encerrar a prosa com um arrebatado e soberbo «Que falta de paciência para aturar garotos.»

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10 respostas a E no entanto é tão simples

  1. LAM diz:

    Tanta vassalagem ao 1º por aquelas bandas já cheira mal.
    Agora até a canalhada quer dar lições e, como dizem, “explicar”.
    Esse então fala sobre tudo e mais alguma coisa sem ter a mínima noção do que vai debitando. Post após post.
    O gajo, dizem, é o Nuno Rogeiro da bloga. Vai dar cromo, aguardem.

  2. Jeronimo diz:

    O “lucrativo” grupo SLN ? Você não sabe do que está a falar ! Nem Louçã sabe. Aliás, desafio alguém, fora do círculo de Oliveira e Costa, que fale com conhecimento de causa sobre o BPN e a SLN. Eu para mim tenho um palpie que aquilo é outro buraco tão grande ou maior que o próprio banco. Esteja atento aos próximos passos de Cadilhe para o perceber …

  3. Luis Moreira diz:

    Jerónimo, o que você aqui deixa dito atropela completamente o que JPC escreve.Efectivamente, os 1.800 milhões são perdas que os activos do banco não conseguem pagar.Como os accionistas sabiam muito bem o buraco que lá existia, não quiseram meter lá a massa.Restava uma de duas soluções.Ou o banco falia ou o Estado metia lá a massa.A nossa! Porque se o banco tivesse hipóteses de sobrevivência os accionistas aumentavam o capital ou o banco obtinha um empréstimo, que foi o que Cadilhe tentou junto do Estado sem resultado! Aqui, sim, um empréstimo muito menor que os tais 1.800 Milhões.Vá lá saber-se porquê a nacionalização! Medo?

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  5. Jeronimo diz:

    Luís Moreira, você está a falar do BPN. Eu estava a referir-me ao mito disparatado de que a SLN é apetecível e lucrativa.
    Quanto ao BPN, o que é que acha que aconteceria se o Estado emprestasse 700 milhões a Cadilhe, praticamente sem garantias, e se viesse a descobrira mais tarde que o buraco era de 1800 milhões ?
    O BPN falia na mesma e os 700M tinham ido para a fogueira.

  6. Luis Rainha diz:

    Jerónimo,
    Antes de mais desculpe, acho que lhe apaguei um comentário por engano, julgando que estava duplicado.

    Agora, explique-me lá porque é que Cadilhe colocou no mercado cerca de 30 participações, da Partinvest SGPS à Real Seguros, passando pela Cimentos Nacional e Estrangeiros e pelo Grupo Português de Saúde. Se tudo era claramente lixo, seria por certo invendável, certo?
    Ora o que transparece é o contrário do que afirma: o BPN era usado como cash cow para uma série de empresas que iam engordando à custa do buraco cada vez maior do banco. Que agora o Estado fique com o osso, sem cuidar de recuperar a carne, parece algo esquisito.

    De qualquer forma, isso é indiferente para o fulcro da discussão, pois a questão é saber se Louçã apresentou ou não uma resposta alternativa à crise do BPN (eu escrevi «Pode ser má ou boa solução»).

  7. Jeronimo diz:

    Luís Rainha, você chegou lá da forma mais directa. Quantas desses activos ele conseguiu vender ? Nem a Real Seguros ele conseguiu. É certo que a forma disparatada de vender em leilão (não percebo como é que figuras como o Cadilhes são eternamente vistas como génios da gestão apesar dos disparates básicos que fazem) não ajuda a trair investidores, mas a realidade é essa mesmo. Se ninguém compra aquilo, como é que se pode considerar valioso ? E acha que se fosse muito lucrativo não haveria interessados ?

  8. Luis Rainha diz:

    Jerónimo,
    O facto de não as ter vendido neste curto tempo pode só provar que os tempos andam mal para vendas. É como com os quadros do Miró: oitenta e tal obras do mesmo artista não se colocam à venda de uma vez. O que não quer dizer que não tenham valor; a liquidez é que não abunda hoje em dia.
    De qualquer forma, se o buraco no BPN surge sobretudo por causa das empresas do grupo, será de esperar que muito desse capital ainda seja recup
    erável, mesmo que só a médio prazo. Agora deixar o restante grupo de fora da nacionalização é garantia e que tal não ocorrerá.

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