Quem faz mais de conta, afinal?

Fernanda Câncio e Mário Crespo entenderam emitir algo parecido com opiniões acerca da atmosfera pestífera que envolve a nossa vida política. A primeira vê em José Sócrates um oprimido Alfred Dreyfus dos tempos modernos: acossado por uma sonora matilha que se «compraz em funcionar como guarda avançada dessa instrumentalização da verdade» (seja lá isto o que for). O segundo colige uma série de pequenas sujidades para compor os indícios de um grande fresco de corrupção e nepotismo – revelando en passant pormenores de uma conversa privada que terá mantido com um ministro.
Nada disto é jornalismo. Nada disto passa de opiniões, articuladas sobre pouco mais do que crenças pessoais e suspeitas várias. Nada disto chega para marcar um grande momento nas letras pátrias. Dois jornalistas entretidos a opinar; nada de mais, certo?
Não. Para Fernanda Câncio, o que o outro fez basta para questionar a sua integridade profissional: «façamos de conta que mário crespo é jornalista». Mas porquê? Está visto que publicar opiniões ou de palpites sobre casos ainda por desvelar não é interdito a detentores dessa carteira profissional. Que pecado tão hediondo terá então cometido Mário Crespo? Andará a ser pago pelas tais “campanhas negras”? Terá deixado que motivações privadas e/ou secretas o arrastassem para uma cruzada utilitária? Mistério.

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5 respostas a Quem faz mais de conta, afinal?

  1. Vasco diz:

    Luís,

    Eu sei que esta discussão vem com imenso lastro, mas parece-te normal o Mário Crespo revelar as conversas telefónicas que o ministro teve com ele? Ou a conversa é um assunto para se resolver em tribunal (o que manifestamente não foi o caso) ou estamos no domínio da falha deontológica (e da simples falta de educação). Não me pronuncio sobre o resto.

  2. Luis Rainha diz:

    Claro que não. E tratei de o explicitar. De resto, nem sequer tenho boa ideia do homem enquanto jornalista. Mas, neste caso, não me parece que se tenha portado pior do que a sua antagonista.

  3. LR… a picardia já vem dos casamentos gay …

  4. Luis Rainha diz:

    Sei bem disso. Mas continua a ser um caso de the pot calling the kettle black.

  5. Maria Bolacha diz:

    F. Câncio aderiu (há muito tempo) à lei do “quem se mete connosco”.
    O que é pena porque retira-lhe a isenção necessária para a sua profissão.
    Assim quando lemos artigos de qualquer jornalista, podemos concordar ou não mas respeitamos ( na maioria dos casos).
    No caso de F. Câncio as opiniões são tão previsiveis, tão forçadas e tão monocordicas que é de admirar ela ainda não ser porta voz do PS…ou do PM.

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