Convenção do Bloco de Esquerda

Na boa tradição da esquerda portuguesa competir-me-ia, por estes dias, escrever sobre uma ou outra intervenção mais disparatada de dirigentes do BE, sobre as suas experiências de governo autárquico, sobre frases que constam da moção global, sobre as declarações sectárias e anti-comunistas proferidas etc, etc, etc… Mas não o farei.
Independentemente de tudo o que me separa do BE, reconheço que também passa pela maioria das pessoas que o constituem (de dirigentes a eleitores), a possibilidade de construção de uma alternativa política de esquerda e de ruptura com o sistema actual.

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3 respostas a Convenção do Bloco de Esquerda

  1. Carlos Fonseca diz:

    Caro Tiago Saraiva,

    Sou de esquerda e não filiado em qualquer partido da área – o PS não entra nestas contas.
    Como sabemos, a acção política efectiva do governo tem sido muito sinuosa e desconcertante. Por vezes demasiado obscena. Iniciou-se com acções de aplicação de teorias neoliberais puras: o desenfreado JUGULAR do interesse público (privatizações de sectores e empresas estratégicas, encerramento de serviços públicos de educação e saúde,…), prosseguindo com a actual acção multicolorida (mexida nas Leis do Trabalho no sentido do agravamento dos direitos dos trabalhadores – uma oferenda à direita – e com o surto de legislação favorável à vida em comum de homosexuais – a tal marca da ‘esquerda progressista’, segundo José S. Pinto de Sousa (confesso que não sou homofóbico, mas o Governo permitir-se, nas circunstâncias aludidas, empreender a defesa dos interesses dos homosexuais com as justificações adiantadas pelo PM é tão demagógico como anunciar que “os portugueses no próximo ano – 2009 – viverão melhor, graças à quebra da Euribor, dos combustíveis e da inflação). Para mais de 500.000 de portugueses desempregados, então, os benefícios gerados por essas “vantagens” são praticamente infinitos.
    O conjunto de razões descritas, e ainda por outras mais substanciais que ficam por aduzir, justificam que o actual debate entre forças de esquerda (PS excluído) não deve focar-se críticas ao BE, ao PCP e a cidadãos não filiados mas indentificados com os valores e referências da esquerda. Todos se devem empenhar em impedir a maioria absoluta do PS.
    A pobreza, o desemprego e a crise mundial cujas responsabilidades se repartem por muitos dirigentes mundiais, incluindo os afectos à I.S. como o “nosso” p. Sócrates, esses factores, sublinho redundantemente, é que devem ser o foco do combate actual das mulheres e homens de esquerda. Ao dar prioridade às intra-divergências de menor significância, é garantir á direita e à falsa esquerda (PS) as condições de impunidade para agirem em socorro a magnatas do BPN, do BPP e talvez de algum ‘centro logístico’ a licenciar perto do Samouco, porque isto agora para campos de “golfo”, como diz o outro, está mau. Há muito que o Basílio não vende um PIN nesse mercado.
    Tiago, de tudo o que escrevi, apenas pequena parte representa uma ligeira divergência com o seu texto. Acho que o objectivo principal da esquerda é claro, convergente e abrangente.

  2. Tiago Mota Saraiva diz:

    Carlos, concordo com quase tudo o que escreve.
    O “quase”, apenas deixa de fora esta frase: “Todos se devem empenhar em impedir a maioria absoluta do PS.”
    Mobilizemo-nos sim, para construir uma alternativa social e política, que destrua todas as maiorias do bloco central.
    Um abraço

  3. Carlos Fonseca diz:

    Tiago,

    Tem razão. Quando a emoção faz submergir a razão, perde-se a clarividência. Foi o que me sucedeu.

    Um abraço,

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