Pthu!

gore
Há uns tempos, confessei algures que gosto mais de prosa em Inglês do que da traduzida cá no burgo. Logo alguns analfatontos me acusaram de falta de amor à Língua Pátria, “cagança”, etc. Nestes últimos dias, tenho relembrado as minhas razões antigas: através do livrinho acima retratado, que mão amiga teve a gentileza de me oferecer. Não é que a tradução e a revisão sejam uniformemente pavorosas. Mas são insidiosa e irritantemente intrusivas. Volta, meia volta, lá vem mais uma frase sem sentido, um parêntesis que abre e não fecha, um ponto final emigrado para parte incerta, um erro básico, uma expressão idiomática traduzida à letra. É como estar a sorver em êxtase um aveludado e sápido creme e dar com um cabelo lá escondido, colherada sim, colherada não. Arrelia, estraga o prazer da coisa e até pode desgraçar uma digestão. Neste momento, estou parado na página 171, tolhido pelas consequências do que foi por certo um dia extremamente infeliz para o tradutor. De quando em vez, apanhamos com um disco tão riscado que nos cansamos de levantar e descer o braço, em busca de uma passagem menos corroída; a sensação é similar. E se não melhora depressa, lá vou ter de acabar de ler aquilo na versão original.

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8 respostas a Pthu!

  1. Luís, mas refere-se ao livro do Gore Vidal? Isso sim seria um crime!
    Não tinha essa ideia dos nossos tradutores do inglês. Sempre parti do princípio que tínhamos óptimos tradutores…
    Cumprimentos.
    Ana

  2. É bem feito para não andar livros de reaccionários empedernidos.

  3. Caso não tenha percebido, o meu comentário era irónico.

  4. também caíste? ou melhor…fizeram-te caír. concordo, comprei e a tradução está miserável. acho que nem terminei.

  5. a.m. diz:

    Amigo Luís, peço desculpa, não pode dizer (em português…): prefiro (…) do que…
    Não é correcto.
    Ademais, dá o flanco à crítica de que lhe falta amor à língua portuguesa…
    Abc.

  6. Luis Rainha diz:

    Não peça desculpa, que tem razão. É no que dar combinar a anglofilia com um jantar bem regado.

  7. Luís e Abc, desculpem o meu perfeccionismo, mas o Luís não escreveu “prefiro … do que”, escreveu “gosto mais de … do que”. Se tivesse escrito “prefiro …” pediria a preposição “a”, certo? Mas como escreveu “gosto mais de…” não pede “de”?
    Ultimamente ando muito chata nestes pormenores.
    Cumprimentos.
    Ana

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