Pthu!

gore
Há uns tempos, confessei algures que gosto mais de prosa em Inglês do que da traduzida cá no burgo. Logo alguns analfatontos me acusaram de falta de amor à Língua Pátria, “cagança”, etc. Nestes últimos dias, tenho relembrado as minhas razões antigas: através do livrinho acima retratado, que mão amiga teve a gentileza de me oferecer. Não é que a tradução e a revisão sejam uniformemente pavorosas. Mas são insidiosa e irritantemente intrusivas. Volta, meia volta, lá vem mais uma frase sem sentido, um parêntesis que abre e não fecha, um ponto final emigrado para parte incerta, um erro básico, uma expressão idiomática traduzida à letra. É como estar a sorver em êxtase um aveludado e sápido creme e dar com um cabelo lá escondido, colherada sim, colherada não. Arrelia, estraga o prazer da coisa e até pode desgraçar uma digestão. Neste momento, estou parado na página 171, tolhido pelas consequências do que foi por certo um dia extremamente infeliz para o tradutor. De quando em vez, apanhamos com um disco tão riscado que nos cansamos de levantar e descer o braço, em busca de uma passagem menos corroída; a sensação é similar. E se não melhora depressa, lá vou ter de acabar de ler aquilo na versão original.

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