enquanto folgam as costas

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Enquanto, por cá (e só agora?!):

O Banco de Portugal (BdP) e o Conselho Nacional de Supervisão de Auditoria (CNSA) vão questionar a BDO – empresa responsável pela auditoria externa às contas do Banco Português de Negócios (BPN) entre 2003 o o final de 2008 -, assim como o fiscal único da instituição, sobre o facto de não terem obrigado o BPN a contabilizar algumas das imparidades agora descobertas pela auditoria extraordinária da Deloitte. 

Nos Estados Unidos, a semana passada, uma decisão do Tribunal do Distrito Sul de Nova Iorque, acabou de indeferir, em favor dos autores de uma class action desencadeada por investidores defraudados em acções da colapsada Parmalat Finanziaria, uma moção apresentada em conjunto pela filial norte-americana da Deloitte e pela sociedade-mãe suíça cuja pretensão era, resguardando-se na estrutura em árvore do grupo de sociedades Deloitte, obstar à co-responsabilização destas pelos danos causados aos investidores, limitando as responsabilidades à Deloitte & Touche S.p.A. (Deloitte Itália). Levaram sopa do tal sistema de common law que, segundo ouvimos dizer nos últimos dias, é muito pouco garantístico, porque nele tudo é muita oralidade e muito pouca formalidade. Vê-se. À forma, preferem a substância. 

Aguardo, com curiosidade, o que o nosso civilizadíssimo, formalíssimo e eficiente sistema judicial – do Ministério Público aos tribunais cíveis – terá para oferecer, no futuro, de imputação de responsabilidades e de reparação aos nossos investidores defraudados nas manhosas negociatas da oligarquia lusitana! E aguardo, obviamente, sentado.

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3 respostas a enquanto folgam as costas

  1. Sebastian diz:

    Mas você está a comparar a américa, pátria do liberalismo, com o portugal socialista!!? É o mesmo que comparar um ferrari com um trabant. Está tudo louco!

  2. R. diz:

    “civilizadíssimo, formalíssimo e eficiente sistema judicial “.

    É isso mesmo! 🙂

  3. JOSÉ diz:

    O problema mais grave ainda é o Millennium BCP…
    Este é que nos destrói…
    Está completamente oco por dentro e seus principais accionistas “tesos” com seus créditos descapitalizados…
    O BCP tornou-se um arrastão. A sua desvalorização em Bolsa tornou dezenas de empresas e investidores reféns de bancos que lhes fiaram crédito para investir no Millennium. Joe Berardo, Manuel Fino, Teixeira Duarte, Filipe de Bottom, João Pereira Coutinho, João Rendeiro e outros notáveis investidores ficaram hipotecados. A maioria já reestruturou as suas dívidas, ganhando fôlego com carências do pagamento das dívidas. Mas isso é um socorro, não é uma solução.
    O BCP já enviou a sua defesa para a CMVM, que acusa a instituição de, entre outras coisas, ter prestado falsa informação e de ter usado offshores para compra de acções próprias BCP sem comunicar às autoridades.
    bcpcrime.blogspot.com

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