Ainda a propósito de Eluana


Soube do caso pelo «post» «Bem que podiam, lá no Vaticano, olhar para as próprias mãos», do Luís Rainha.
Para quem, como eu, tem uma filha pequenina, a notícia é emocionante. Tragicamente emocionante. E para quem, como eu, se coloca na posição daquele corajoso pai, só apetece mandar o Vaticano à merda. Assim mesmo. Com todas as letras. E não digo mais porque esta casa não é só minha.
Quem é o Vaticano para chamar assassino seja a quem for?

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3 respostas a Ainda a propósito de Eluana

  1. Ora, temos que ter um bocadinho de “tolerância com as pessoazinhas do Vaticano, afinal são assim como as pessoazinhas que jogam no Euromilhões … Têm sempre aquela esperança que a sorte lhes vá bater à porta … Y as pessoaszinhas do Vaticano têm a convicção se faz de conta “não se colocar a aposta” não se vai entrar no Reino do Senhor. Certo, certo é que a gente: chapeú… tb n sabe, né (!), para os contrariarmos … Y assim, se esgrima a vida. “Mar adendro, mar adentro.”
    Acho q tb me emocionava se o Pai n quisesse desligar a máquina com a convicção q a miúda iria recuperar do coma por algum milagre mágico.

    …………
    Estamos num patamar Fausto da Questão. Ou seja: negociar o nosso projecto além vida nesta. Eu traduzo: Disponíveis para despachar o corpo y os acessórios ( o espírito y alma y coisas assim) – pois. pois. pois é(!) a vida é que não é mesmo coisa nossa, é coisa emprestada sabemos lá porquê … parece ( Parece, mas não é!) da gente. Agora: ou negociamos com os concessionários de D/deus espalhados pelo mundo Ou com o Estado. O Estado já sabemos que só trata de garantir as coisas do corpo. Logo: é assim: a resistência à dor de cada um é que vai comandar, independentemente do tradicional costume milenar ou de Legislação que garanta acesso ao fim do sofrimento de forma clinicamente indolor …

  2. Carlos Fernandes diz:

    Bem, discordo deste post, e discordo da maneira tendenciosa como a imprensa tem tratado este caso, o facto é que como se costuma dizer, enquanto há vida há esperança. Já aconteceram recuperações espectaculares de pessoas em coma há longo tempo. Conheço um caso concreto de um vizinho meu, do meu prédio, que teve um acidente de moto e ficou em coma longos meses, hoje está bem ,trabalha e é independente, mas tem problemas de saúde, problemas esses advindos de má neligência médica enquanto esteve em coma.
    E nessa altura, não fosse a defesa da mãe, e teria havido médicos a querer desligar as máquinas, dado para alguns “não valer a pena”. Claro que, se fosse eu ou a maioria das pessoas, que estivesse no lugar dele hoje já teria uma conversa individual cara-a-cara com esses médicos e teria que me conter muito para não lhes partir os dentes um a um…

    Enquanto há vida há esperança!

  3. De Puta Madre,

    Juntas tanta coisa no mesmo comentário que torna-se difícil. Mas é isso tudo: Mar Adentro, Mar Adentro… E eu também ficaria emocionado, fosse qual fosse a decisão do pai.

    Carlos Fernandes,

    A tua opinião (e a minha) poderiam levar-nos muito longe. Defendo que, se a própria pessoa não pode decidir, porque está em coma, devem ser os parentes directos a poder fazê-lo. Neste caso, o pai, que, acredita, é o que mais sofre com a perda da filha (a segunda perda). E não te esqueças que a rapariga está em coma há 17 anos – é mesmo irreversível.
    Seja como for, nunca o Vaticano teria direito a dizer seja o que for. Eles querem lá saber dela para alguma coisa!

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