Exemplar de raça perigosa ataca professora

Do «JN» de anteontem:

 

«Um aluno, com 10 anos, do 5º ano de uma escola em Faro agrediu à dentada uma professora, um caso que envolveu a polícia e do qual a docente pretende apresentar queixa nos próximos dias.

Em declarações à Lusa, a professora Ana Lares, docente de Inglês há 33 anos e a trabalhar no agrupamento de escolas do 1º, 2º e 3º ciclos da escola Neves Júnior, em Faro, disse ter sido mordida num braço quinta-feira, depois de um desacato provocado pelo aluno durante uma aula de estudo acompanhado.»

 

Pois, é revelador que, para algumas pessoas, isto seja uma situação perfeitamente normal, como se fosse apenas uma brincadeirinha. Se fosse um marido a morder a esposa, aí sim, já seria motivo para grandes lamentos. Não é, Ana Matos Pires? Como foi apenas uma professora, tudo na boa.

Já para a senhora ministra da Educação, este será certamente um caso isolado.

E lá vão umas centenas de agressões, só neste ano lectivo. Espero estar enganado, mas, infelizmente, suspeito que não seja a última deste ano.

 

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14 respostas a Exemplar de raça perigosa ataca professora

  1. Antónimo diz:

    Acho a notícia inadmissível e que até se relaciona com esta encontrada (sobre a CONFAP) num blogue que frequento (http://civilizacaodoespectaculo.blogspot.com/2009/02/associacao-dos-pais-meio-tempo.html). No entanto, respesco uma coisa que por aqui comentei há dias (não é que as causas não possam avançar todas ao mesmo tempo, mas em havendo prioridades….). Está ligeiramente editada.

    «Comentário de antónimo
    Data: 3 de Fevereiro de 2009, 1:56

    A crise não pára, o desemprego aumenta, a União Europeia insiste nos caminhos e políticas que aqui nos conduziram, enquanto os americanos começam a adoptar medidas keynesianas, os belezas e os bagões continuam a ir comentar economia e segurança social às televisões, jornais como o DE chamam privilégios aos direitos na saúde na função pública e continuam apostados em lançar os nus contra os rotos, durante quatro anos, o Estado esqueceu-se de avisar os bancos que tinham de devolver o IVA, em vez de fazer as contas para ver se as energéticas calculam bem os preços dos combustíveis, a Entidade da Concorrência assobia para o lado, o Banco de Portugal compra jaguares e esquece-se de multar os bancos que estão a recuperar em comissões os valores que perderem por serem forçados a deixar de aldrabar nos arrendondamentos. Os offshres aparecem envolvidos em tudo que é vigarice. E que fazem partidos como o PCP? Chamam a atenção de forma continuada e constante para estes factos, até que se tornem perfeitamente audíveis? Tentam conciliar-se com outros partidos e movimentos de esquerda portugueses ou europeus? Tentam mostrar que isto não pode continuar e que é preciso mudar completamente de vida? Juntam manifestantes para gritar contra isto? Aproveitam a maré para denunciar a imoralidade? Não. Levantam antes cabelo por o Governo querer que os professores preencham umas quatro ou cinco páginas de planos de actividades, previstos numas circulares que ninguém na classe parece ter lido mas a que chamam burocracia intolerável e fascista. É ver a história passar ao lado, é o que é!»

    • Ricardo Santos Pinto diz:

      Tudo é importante, Antónimo. A crise económica, o Freeport e as agressões aos professores. Neste blogue, fala-se de tudo. Quanto ao que diz ou não diz o PCP, o problema é deles.

  2. Antónimo diz:

    O problema é deles mas é procupante. Só Louçã abriu um bocadinho a boca sobre off-shores. No Post (Francisco Santos) mais acima volta-se à carga. As estradas de Portugal fazem inaugurações de estadão e ninguém nos partidos de esquerda abre a boca de forma audível? É inadmissível. Na situação em que se está e anda-se com almocinhos de inauguração para comitivas de dezenas e dezenas de pessoas e a esquerda, tirando nos blogues, cala-se? Eu deixava a pergunta em tudo que fosse intervenção pública.

  3. kir diz:

    Acho que o ponto aqui é que as dentadinhas (ou maesmo as dentadas, isto para não ser irónico) dos maridos ás esposas” não são noticia noticia de abertura dos telejornais

  4. Su diz:

    Penso que a denúncia pública de casos como este é importante. Por um lado revela o tipo de situação a que os professores estão sujeitos, por outro a desresponsabilização que muitos pais transmitem à prole. Ao ler a notícia percebe-se que a mãezinha deste petiz começou logo por dizer que a sua criança era perseguida!! Isto é muito mais frequente do que se possa imaginar e transversal a todas as classes sociais. Então que se faça notícia, para que crianças e pais percebam que não é admissível.

    Relativamente à picada que desfere à Ana, fartei-me de rir. Há verdades chatas de ouvir! Todo o tipo de violência é reprovável, tanto em ambiente escolar como no doméstico. O que é risível são os vários pesos e medidas usados pela blogger em causa. Haja muita pachorra para o apego às causas fracturantes….

  5. Antónimo diz:

    Em http://frenchkissin.blogspot.com/2009/02/blog-post_01.html acho que o senhor (João Morgado Fernandes) tem razão quando diz:
    «Penso que as pessoas responsáveis e respeitáveis – sejam eles empresários honestos ou simples donas de casa sensatas – não comprariam jornais nem veriam televisão em Portugal, se alguma vez tivessem a oportunidade de conversar durante meia hora com duas ou três pessoas das que fazem as notícias.»

    Merece leituras, e sem juízos de valor.

  6. Não achas que estás a exagerar por causa de uma criança de 10 anos que mordeu uma professora no braço? Aí há uns 10 anos a minha mãe acompanhava um miúdo que volta e meia trouxe uma faca para “abrir a barriguinha ” de uma professora grávida a qual adorava e tinha ciumes. Outro tentou obrigar a uma prof a “chupá-lo”. E isto não se compara com o que fazem uns aos outros.
    Há coisas culturais estruturais que são antigas , entranhadas e resolvem-se muito devagar. Penso que esta questão da violencia na escola (não digo “contra professores” porque acho sinceramente que não é significativa) é uma destas. Não acho preocupante.

    A propósito, conheces o Vento Sueste?

    • Ricardo Santos Pinto diz:

      Ó João, então achas que não é significativo um professor levar na cara todos os dias? Sim, porque a média é exactamente essa: uma agressão por dia. Certamente achas mais normal do que um jornalista levar na cara diariamente apenas por tentar fazer o seu trabalho.
      Pois, não achas preocupante porque não és tu que lidas diariamente com marginais, que é o que são alguns desses alunos que batem em professores.

  7. mf7 diz:

    Tem toda a razão, caro Ricardo Santos Pinto, é um caso gravíssimo!

    Tão grave que, tenho a certeza, iremos nos próximos dias ver o Mário Nogueira e a sua FENPROF organizarem uma marcha de protesto em Lisboa, aproveitando a ocasião para deixar um abaixo assinado no Min. Educação, como protesto contra a falta de segurança que há nas escolas.

    É que se trata de um problema quase tão sério como tentar que os professores sejam avaliados. De certeza não ficarão em silêncio e vão apresentar uma posição de força, à semelhança do que fizeram aquando do “caso Carolina Michaelis”.

  8. Maria Velho diz:

    ontem um “menino” de 23 anos passou por mim no corredor e disse que me comia toda. toda! acha que devo ir à sic, à tvi, ao DN, ao MP ou a queixa fica por aqui mesmo? RSP há que ser comedido, diferenciar violência de actos infantis. ou está mesmo convencido que esta criança vai virar um psicopata por causa do que fez?

    • Ricardo Santos Pinto diz:

      Maria Velho,

      Entre uma «boca» mal-educada e uma agressão à dentada, vai uma certa diferença, penso eu. Fui comedido, não fiz grande estardalhaço, o «post» é dos mais pequenos que escrevi. Dei-lhe a importância que acho que devia ter.
      Não me parece que o puto se vá tornar psicopata pelo que fez. Já o que se disse sobre a educação dele me deixa mais assustado.

  9. Só me pergunto isto: que raio de país e de sociedade chega ao ponto em que um miúdo de 10 anos morde num professor? Tenho vergonha.

  10. O Puto estava com raiva benigna …

  11. Luis Moreira diz:

    Maria Velho, que diabo o “menino” não está assim tão perdido…eu nunca o disse mas pensei o mesmo muitas vezes!

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