Andam a fumar umas coisas estranhas naquele cachimbo

«Aqui está um exemplo de como a legalização do aborto não fez desaparecer o problema do aborto clandestino, como mentirosamente era afirmado pelo SIM durante a campanha do último referendo.» Li esta tirada e fiquei convencido de que tinha sido publicado um qualquer estudo a demonstrar que o aborto clandestino aumentou. Qual quê. Afinal, a notícia citada era a propósito da “clínica” que, sem licenças nem condições, efectuava IVGs a mulheres que (maioritariamente, pelo menos) lá caíam na crença de estarem a confiar num estabelecimento médico legítimo. Como se pode ler com alguma clareza: «a polícia está convencida que as mulheres recorriam ao trabalho da falsa médica sem conhecer realmente a verdade dos factos. E desconhecendo até o facto de ali se realizarem abortos sem existir qualquer licenciamento».
Há uns anos, o aborto clandestino era uma chaga que forçava as mulheres que não queriam levar a termo as suas gravidezes a arriscar a vida, a liberdade e a dignidade. Esta história sórdida é apenas um caso de fraude e cupidez: gente que aproveitou a legalização do aborto para ganhar umas coroas à custa da segurança alheia.
Usar tal episódio para refutar as razões que levaram à vitória do “sim” é mais ou menos como escrever que não devia haver Igreja, uma vez que foram apanhados alguns falsos padres. Isto sim pode merecer o estranho advérbio “mentirosamente”.

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4 respostas a Andam a fumar umas coisas estranhas naquele cachimbo

  1. Spartakus diz:

    Sorry Luis. No aborto, legal ou ilegal, tudo é sórdido. Prendam essas, mesmo assim, e deitem fora a chave. Ou, dente por dente, enforquem-nas. Estamos a falar de Vida, no limite. Inocente. Com ou sem atenuantes, percebendo aqui, aceitando ali. ( Não julgando? ). Mas eu até nem sou contra a pena de morte. Logo,

    Bom dia,

  2. Luis Rainha diz:

    Nada disso tem muito a ver com a falsificação em apreço.

  3. Spartakus diz:

    Tem, tem…negócios de morte são sempre propícios a esterco desse. ( Só não tem a ver com o Referendo em si mesmo, tout court ). A porcaria não acaba por decreto-

  4. M. Abrantes diz:

    Nesta matéria o país já decidiu. Aos fumadores desse cachimbo só lhes resta mesmo bufar.

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