Erdogan contra Shimon Peres em Davos – Bravo Erdogan! Chama-se a isto coragem e ética!

Este artigo foi publicado em cinco dias and tagged . Bookmark the permalink.

64 respostas a Erdogan contra Shimon Peres em Davos – Bravo Erdogan! Chama-se a isto coragem e ética!

  1. ezequiel diz:

    dizia não haver «nem judeus nem gregos»

    pois, diz isto ao Hamas…

  2. tribunus diz:

    Cito: Central Asia watch

    “Boa noite, caro tribunus. Todos temos imensas fontes.
    Temos é posições políticas muito diferentes.”

    Boa tarde cara(o) Central Asia watch. Pois eu, no caso em pauta, tenho apenas uma política e uma fonte: O fim do imenso e longo sofrimento de um POVO, o POVO Palestiniano!

    Conhecido que é “esse imenso e longo sofrimento”, e reconhecendo que “esse imenso e longo sofrimento” é o efeito de políticas, estratégicas e tácticas mal avisad, primeiro dos países membros da Liga Área entre 1947 e 1973 e dos líderes o POVO palestiniano teve o infortúnio de ter tido desde então, concentro-me mais nas causas sem as contaminar por qualquer ideologia que não seja a busca de uma solução prática para a Causa da Palestina.

    Daí já haver comentadores que me gritam não ser necessário disponibilizar tantos dados. Ora, sendo ideologia um “sistema organizado e fechado de ideias que serve de base a uma luta política” ou, por sistema “fechado” que é, a causa fundamental do “imenso e longo sofrimento”, tento dar uma contribuição no sentido de abrir o ciclo vicioso “fechado” de ideias que nenhum benefício tem trazido ao POVO Palestiniano.

    Por isso, estou mais inclinado para me colocar ao lado daqueles que tiveram a coragem de romper com os dogmas religiosos que têm sacrificado o POVO Palestiniano, nomeadamente o Egipto, Jordânia, Arábia Saudita, Kuwait e outras monarquias do Golfo, sem esquecer, evidentemente, o homem que de armas na mão durante tantos anos deu a cara e arriscou a vida no teatro da resistência, de seu nome Mahmud Abbas.

    Inteligente é o homem que tem a coragem de ajustar-se a novas realidades que entende não poder alterar. Abbas é um desses homens. Mubarak e Sua Alteza “Custodian of the Two Holy Mosques” Rei Abdulla são outros dois.

    O Hamas, Hezbollah, Síria e Irão são mais do mesmo, ao perpetuarem o “sistema organizado e fechado de ideias que serve de base a uma luta política” que tanta dor tem trazido ao sacrificado POVO Palestiniano!

    Melhores cumprimentos.

  3. tribunus diz:

    Cito: o Comentário de Carlos Vidal
    Data: 2 de Fevereiro de 2009, 0:55

    caro tribunus
    Você insiste nas suas fontes, crê nelas. Eu insisto nas minhas, não saímos daqui…
    Caro Carlos Vidal,
    De facto assim é, tal como o POVO Palestiniano “não saímos daqui”!
    ____________________________________________________

    Mas há uma diferença fundamental entre as posições de Carlos Vidal e de tribunus.

    Quando se “não sai daqui”, é porque algo está errado com as políticas, estratégias e tácticas instaladas. E se ao longo de mais de 6 décadas se insiste nessas políticas, estratégias e tácticas, como os líderes palestinianos têm insistido causando ao seu POVO os maiores danos imagináveis; um deles sendo invocar um princípio corânico consagrado nos seus estatutos para escolher os mais jovens, quantas vezes ainda crianças, atar-lhes uns quilos de explosivos à cintura e mandá-los para a morte ou mandá-los lançar pedras, morteiros ou mísseis contra uma potência imensamente mais forte, sem que daí retirem qualquer benefício; antes pelo contrário, para além do desperdício inútil de vidas vão dando volume cada vez maior ao novelo de algodão trágico a que assistimos há mais de seis década.

    Há um provérbio popular chinês muito sábio que diz: “Se não mudares de rota vais esborrachar o nariz na parede que tens à tua frente”. Assim fazem os líderes palestinianos há mais de 6 décadas!
    O Carlis Vidal é obviamente um activista, cujo moto é manter activos todos os ingredientes que têm contribuído para o desastre palestiniano e, sempre que pode, adiciona-lhe mais um ingrediente que, nesta página, é caracterizado pela peça de teatro protagonizada por Edrogan em Davos, que aplaude com mil bravos. Tribunus é um “desactivista”, procura desactivar os ingredientes que têm perpetuado o conflito palestiniano-israelita que estão mais que hierarquizados.

    Carlos Vidal está com, apoia e promove aqueles que perpetuam o conflito, isto é, aqueles que não entenderam o sábio provérbio chinês acima enunciado; tribunus apoia uma solução para o conflito, entendendo que isso só é possível com uma mudança de rumo que nos desvie do parede que temos tido à nossa frente. Não será, pois, apoiando o Hamas, Hezbollah, Síria e Irão que se mudará de rumo; será com o Egipto, Arábia Saudita, Jordânia e seus aliados, porque são estes quem já demonstrou terem a inteligência e a capacidade para mudar de rumo.

    Eis, pois, a diferença nas posições de Carlos Vital e de tribunus; o Carlos Vital é por “mais do mesmo”, o tribunus é pela “mudança”…

    Cordiais saudações.

  4. tribunus diz:

    Do Comentário de Carlos Vidal
    Data: 1 de Fevereiro de 2009, 19:51

    Cito de Carlos Vital: “… defensor que sou do que alguns chamam a «hipótese comunista»”.

    Ó Carlos Vital, finalmente começa a perceber-se o objectivo deste blog. Quem cunhou a «hipótese comunista», ou pelo menos a promove, não foi Alain Badiou? Um homem que não esconde o seu estatuto de extrema esquerda, tendo participado activamente em grupos radicais comunistas e maoistas? Por outras palavras, um homem de origem marroquina, naturalizado francês, que utiliza a liberdade democrática europeia para a desestabilizar por dentro? Tudo tão fácil na França, não é? Por que se Badiou defendesse o que defende no seu país natal – Marrocos – já tinha sido executado há muito tempo! Tal como Syed Qutb foi executado no Egipto.

    Não é Badiou reconhecidamente conotado com o movimento antisemita? Não foi a acusação que lhe foi feita por Jean-Claude Milner e muitos outros intelectuais, após a publicação de “Circonstances 3: Portées du mot ‘juif'”? Que fez correr páginas e páginas em Le Monde?

    Ai algures Carlos Vital reclama ser um ícone da cultura. Mal ficaria, porém, se recusasse aos comentadores deste seu blog serem também credores de alguma cultura. Mas de uma cultura que salvaguarda o “pensar pela nossa própria cabeça” e não uma cultura de “seguidismo” cego do pensamento de terceiros.

    Tenho de concluir, pois, que este seu blog tem por objectivo a propaganda ideológico-partidária, que segue sem questionar, e não o livre debate. Ou se diz “amén” ou se vê mudado o arquivo e a página.

    É pertinente a pergunta de traveller
    Data: 1 de Fevereiro de 2009, 14:09

    “Para quase terminar, e assumindo que já viu o video do MEMRITV, com que parte do assunto é que se identifica??

  5. Carlos Vidal diz:

    tribunus

    Pode e deve obrigar-me (mas essa é a obrigação de todos nós) a desejar um fim para aquele terrível conflito.
    Não pode obrigar-me nem esperar que eu faça da história, e da situação presente, a mesma leitura que o meu caro amigo, e aqui contendor, faz.

    Sobre Alain Badiou. É um filósofo comunista e defensor daquilo que eu posso chamar a emergência inadiável do novo ou do inédito.
    Na arte, na ciência, no amor e na política.
    Aprecia Mao como aprecia a invenção da tragédia por Ésquilo e o dodecafonismo por Schoenberg.
    À emergência inadiável e incontida do novo ou do inédito ele chama de acontecimento. O acontecimento constitui uma verdade. É a filosofia menos dogmática que se possa imaginar, porque não define uma verdade pela sua suposta «essência», mas por aquilo que acontece (eixo acontecimento-verdade).
    Circonstances 3 é um livro complexo, nada tem a ver nem com anti-semitismo, nem com anti-sionismo. É um livro que procura combater a sacralização de qualquer predicado identitário. Procura combater a sacralização, por exemplo, do predicado «judeu». Mas não aceita a sacralização de qualquer outro predicado. Vê na sacralização de toda e qualquer identidade a origem dos conflitos entre povos (no que nós dois, caro tribunus, facilmente concordamos).

    Quanto a ser marroquino, isso já evidencia uma sugestão rácica da sua parte, caro amigo: como sabe, intelectuais franceses como Albert Camus, Jacques Derrida e o próprio Badiou, não nasceram no hexágono. Não percebo esse argumento.

  6. traveller diz:

    Diz o caro Vidal.

    “(i) Em primeiro lugar, não respondo nem aceito a forma desta sua pergunta:
    «Que move CV a ter posições tão extremistas para com Israel e os judeus?»
    Quando muito, caro traveller, poderia perguntar-me:
    «Que move CV a ter posições tão extremistas para com Israel?»
    FIM DA PERGUNTA – percebe onde quero chegar não é verdade?”

    Certamente que tem todo o direito de não gostar das minhas perguntas e de, logicamente, propor outras formas de as fazer.
    Dito isto, e PERCEBENDO perfeitamente onde o CV quer chegar, então responda á pergunta que você mesmo fêz: «Que move CV a ter posições tão extremistas para com Israel?». Será certamente uma resposta interessante e desconfio que poderá abrir mais uma janela para se entender os seus propositos.

    Na segunda parte, creia que dispenso uma chamada á sua “superior autoridade” no campo cultural porque não me conhece e, daí, não saber qual a minha bagagem (seja ela qual for) nesse campo. Fiquemos assim como que…. na área mais política para não nos distrairmos do assunto.

    Nesse sentido e falando das tais opções politicas, o CV faz as que muito bem entende, e está no seu direito democrático de optar pela “hipotese comunista” como lhe chama. Fico satisfeito por ser uma “hipotese”, ficando desta maneira a porta aberta para um outro alinhamento se a “hipotese” se mostrar impraticavel. O seu futuro se encarregará disso. Se não cristalizar, claro…..

    Acerca do vídeo, fico com a impressão que o CV procura usar uma táctica muito portuguesa “dar-lhe a volta por cima”…. ao descrever o mullah como “louco” e, portanto, não merecedor de critica. Tal como se o que viu fosse um caso isolado e não parte de um todo que é corrente no mundo islamo-fascista como visto, por exemplo, nas manifestações contra os cartoons, Papa, etc. etc.

    E já agora, deixe que lhe diga que o “louco” não nega o Holocausto!!! Antes pelo contrário, o justifica….

    Já imaginou o que aconteceria se um outro “louco” fizesse um video com teor semelhante a clamar para o exterminio dos muçulmanos?

    Respondo á sua ultima pergunta com outra: “Qual é a sua posição de critica POLITICA para com o Estado de Israel?”.

    A capa de anti-sionista esconde muitas vêzes um anti-semitismo doentio que só se satisfará com a erradicação dos Judeus, pois enquanto houver um haverá sempre a desconfiança de que é sionista.

    Ainda gostava que comentasse o teor do video.

    PS – Não se admire se eu demorar a responder a uma eventual resposta sua a este post. O meu nick diz tudo…

  7. Carlos Vidal diz:

    traveller,
    Vou ser sintético:
    a minha posição política e extremista, como lhe chama, contra o estado de Israel funda-se numa ideia e na história recente: Israel é um estado colonialista que resultou de uma migração descoordenada de colonos judaicos, migração e deslocamento massiva para uma terra habitada por outros, migração massiva que destruiu uma sociedade existente no tempo, nesse tempo: a sociedade plestiniana, destruída que foi na sua estrutura, funcionamento, formas de vivência e susbsistência (por exemplo, a rede de estradas entre colonatos, sobretudo na Cisjordânia, inviabilizou a vida agrícola das populações locais e inviabiliza, daqui para a frente, um condigno estado palestiniano).
    O vídeo; caro traveller, o vídeo é relevante e sintomático do sentir da chamada «rua árabe». Ele é oriundo do Egipto, e, sabemos isso perfeitamente, poderia ser obtido ou filmado em certas mesquitas de Londres. Nem era preciso ir ao Egipto. Que quer que lhe diga quando ouço um religioso muçulmano dizer que o Holocausto deveria ter sido realizado pelos árabes para ter sido ainda mais justo. Nada relativiza tais declarações. É, na retórica inflamada, um seguidor de Bin Laden e de outros que tais. Mas todos eles são fanáticos (ou pior, muito pior) que capitalizam em seu proveito um descontentamento, umas vezes genuíno, outras difuso (que é o pior).
    Por fim, que quer que lhe diga mais? Quer que lhe diga que os árabes são intrinsecamente inferiores a nós (ocidentais, europeus, americanos) e, ao terem descoberto essa intrínseca inferioridade, a frustração “biológica” fez-lhes detestarem-nos tanto que recorrem à retórica inflamada/assassina para recuperarem dessa inferioridade de reflexo civilizacional? Quer ir por aqui? Então, eu não vou por aí, como dizia o poeta. Prefiro ir por vias políticas e perceber o que leva à tranformação de uma questão política em retórica religiosa. Ou seja, que problema político aqui existe que faz com que estes clérigos o capitalizem a seu favor nos seu sermões, misturando política e religião para fomentar ódio nas massas, que o aceitam e desenvolvem? Qual é a especificidade destes problemas políticos contemporâneos? É por aqui que eu vou. E pouco mais tenho a acrescentar.

  8. tribunus diz:

    As alianças impossíveis no Médio Oriente também acontecem, quando os países se sentem ameaçados!

    Como surpreendentemente acontecem as alianças “impossíveis” entre uma certa esquerda europeia – que se afirma secular – com as força aliadas ao Irão – Hamas, Hezbollah (e Turquia?), mal-grado ser o Irão a única República Islâmica no mundo, tendo por constituição a Lei Islâmica, e cujo objectivo é destruir os regimes seculares em todo o Mundo Árabe e Islâmico, para substitui-los por regimes assentes na Lei Islâmica (Shar’ia). E, depois, entrar pelo mundo adentro:

    “We don’t shy away from declaring that Islam is ready to rule the world” – Mahmoud Ahmadinejad, Jan 10, 2006 – http://www.iran-e-sabz.org/statements/speech.html.

    É óbvio desta notícia fresca publicada hoje em Al-Jazzera – uma cadeia de televisão árabe curiosamente com sede em Dubai e propriedade do governo do Qatar que alinha com o eixo Hamas, Hezbollah, Irão e Síria – que está instalada uma aliança tácita entre os nove países árabes reunidos em Abu Dhabi e Israel como resposta à expansão da influência do Irão na região e, eventualmente, como contrapeso às ambições nucleares persas. Nada como a percepção da presença de um inimigo comum – neste caso um Irão nuclear – para unir antigos inimigos que se sentem sob a mesma ameaça.

    De notar um pormenor curioso: o jornalista tem o cuidado de no último parágrafo desvalorizar a expansão da influência persa na região, remetendo-a à “imaginação” americano-israelita. É que naquelas paragens a cabeça de jornalistas descuidados tem por hábito “saltar-lhe” do pescoço…

    Mas vamos ao artigo in Al-Jazeera 3 de Fevereiro de 2006.

    Conversações árabes concentram-se nos palestinianos

    Ministros dos Negócios Estrangeiros de nove países árabes estão reunidos em Abu Dhabi, para conversações sobre a fractura entre as facções palestinianas, Fatah e Hamas.

    Egipto, Jordânia e Arábia Saudita têm manifestado o seu apoio a Mahmoud Abbas, o presidente palestiniano e líder da Fatah, o principal rival do Hamas.

    A reunião desta terça-feira vem na sequência do encontro em Teerão de Khaled Meshaal, o líder exilado do Hamas, com o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad.

    Nas últimas semanas, os três países têm-se distanciado de reuniões com a presença do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, em protesto contra o apoio do Irão a grupos armados como o Hamas e o Hezbollah.

    Influências árabes

    Marwan Bishara, analista político sénior da Al Jazeera, disse que as conversações em Abu Dhabi, mostram como a paisagem árabe está a ser “reconfigurada”.

    “Há influências externas, sejam elas americanas, europeias, turcas ou iranianas, que estão a contribuir para aumentar a pressão sobre o mundo árabe”, disse ele na terça-feira.

    “Há aqueles que apoiam uma “acomodação” com Israel e os Estados Unidos, e aqueles apoiam a resistência à ocupação israelita e à influência americana na região.”

    As conversações de Abu Dhabi realizam-se num cenário de persistentes diferenças entre o Hamas e Fatah, com os dois partidos palestinianos mais afastados que nunca quanto à formação de um governo de unidade nacional.

    Meshaal, líder do Hamas exilado na Síria, afirmou no início desta semana que a Organização de Libertação da Palestina, que é aceite internacionalmente como a única voz legítima do povo palestiniano, está obsoleta e deve ser substituída.

    Mas Abbas, cujo movimento Fatah tem o apoio de Israel, dos EUA e, consequentemente, do Quarteto, afirmou que não negociará com qualquer grupo que não reconheça a legitimidade da OLP.

    Apoio ao Hamas

    O apoio do Irão ao Hamas demonstra quanto o estado Xiita procura distanciar-se de países como Egipto, Arábia Saudita e Jordânia, Bishara disse.

    “Desde a invasão e ocupação americana do Afeganistão e do Iraque, o Irão tem-se sentido cercado por bases americanas, bem como a ameaça de uma tentativa americana de mudança do seu regime”, Bishara disse.

    “Os países árabes que hospedaram bases americanas têm apoiado a mudança de regime no Irão. Como consequência o Irão contra-atacou utilizando todos os instrumentos possíveis para expandir a sua influência por toda a região.”

    O facto de que grupos como o Hamas sejam aderentes do Islão Sunita não impediu que o Irão formasse alianças com eles, Bishara disse.

    “Os grupos sunitas que o Irão está a apoiar têm raízes nos chamados grupos da Irmandade Islâmica que surgiram na década de 1930. Esses grupos não encaram favoravelmente o Islão Xiita como visão religiosa. Contudo o Irão apoia-os, não por motivos religiosos, mas por razões geoestratégicas políticas “.

    “Falar da expansão Xiita é mais visão americano-israelita das coisas, do que a realidade na região”, disse ele.

    Fonte: Al-Jazeera e Agências

    tribunus

  9. Carlos Vidal diz:

    Não duvido das ambições de alguns sectores do islamismo.
    Mas vou mais além de uma elementar islamofobia.

    O radicalismo religioso é aplaudido por certos sectores de certas sociedades (do Egipto ao Paquistão), porque há razões políticas para tal. Depois, há quem faça luta política com causas políticas (Arafat, Edward Said, Mustafá Barghouti) e há quem se aproveite, para o campo da religião, de causas que são, repito, POLÍTICAS.

    Mas, caro tribunus, vejo que não pegou em duas questões importantes também, e que lançou: acusou Alain Badiou de muitas coisas, provavelmente sem conhecer bem a sua obra. Não me parece correcto.
    Depois, também de modo infeliz, chamou-lhe «marroquino».
    Não percebi.
    Eu, pelo que conheço e admiro da cultura francesa, habituei-me a chamar escritores franceses a Aimé Césaire, Albert Camus, Derrida ou o próprio Badiou, etc.

    Por mim, despeço-me deste post, esperando sinceramente, caro tribunus, encontrá-lo brevemente noutra calma e civilizada discussão, como todas as outras que temos mantido.

  10. tribunus diz:

    Disse Carlos Vidal a ezequiel 3 de Fevereiro de 2009, 12:43

    “ a minha posição política e extremista, como lhe chama, contra o estado de Israel funda-se numa ideia e na história recente: Israel é um estado colonialista que resultou de uma migração descoordenada de colonos judaicos, migração e deslocamento massiva para uma terra habitada por outros”.

    Caro Carlos Vidal,

    O primeiro reparo é que a história não é exactamente uma novela servida em fascículos, tão pouco pode ser a história de ontem ser analisada por padrões de hoje. A história é um todo e como tal tem de ser analisada em enquadramento com a conjuntura e o espírito de cada época a que se refere.

    Em segundo lugar, não é legítimo passar por cima do facto de que o povo Judeus originou no Médio Oriente, donde foi expulso a espaços regulares desde a destruição dos dois reinos Judaicos em 722 a.C. (reino de Israel conquistado pelos assírios) e 587 a.C. (reino da Judeia conquistado pela Babilónia). Resumidamente, seguiram-se as seguintes expulsões e/ou matanças dos Judeus, incluindo os já em Diáspora:
    135 B.C – Antiochus Epiphanes desecrates Second Jewish Temple; leading to Hasmonean Revolt against Rome.
    70 A.D. – Titus took Jerusalem – second revolt. Over one million Jews killed.
    136 A.D. – 580,000 men destroyed, 985 towns destroyed – third revolt.
    415 A.D. – Bishop Severus BURNED THE SYNAGOGUE IN THE VILLAGE OF MAGONA. BISHOP OF ALEXANDRIA, ST. CYRIL EXPELLED JEWS FROM ALEXANDRIA.
    717 A.D. – Jews had to wear special yellow garb. Originated in Islam.
    1012 A.D. – Emperor Henry II of Germany expels Jews from Mainz, the beginning of persecutions against Jews in Germany.
    1096 A.D. – First Crusade. Crusaders massacre the Jews of the Rhineland.
    1190 A.D. – Massacre of Jews in England.
    1215 A.D. – The Jewish badge introduced.
    1290 A.D. – Jews expelled from England.
    1298 A.D. – Massacre of thousands in Germany, in 146 localities.
    1306 A.D. – Expulsion from France.
    1389 A.D. – MASSACRES in Bohemia, Spain.
    1421 A.D. – 270 JEWS BURNED AT THE STAKE. In the 14th and 15th centuries the Inquisition was more intense because the Church and State joined forces. Just being Jewish guaranteed persecution
    1480 A.D. – Inquisition in Spain – Jews and Christians burned at the stake.
    1483 A.D. – EXPULSIONS from Warsaw, Sicily, Lithuania.
    1492 A.D. – ALL JEWS EXPELLED FROM SPAIN.
    1498 A.D ALL JEWS EXPELLED FROM PORTUGAL.
    1506 A.D. – Murders in Lisbon – 4000, “conversos”, men, women, and children thrown from windows to street mobs below, due to preaching by Dominicans against the Jews.
    1510 A.D. – JEWS EXPELLED from Brandenburg, Germany.
    1516 A.D. – Venice initiates the ghetto, the first in Christian Europe.
    1569 A.D. – POPE PIUS V ordered all Jews out of the Papal states.
    1593 A.D. – EXPULSIONS from Italy and Bavaria.
    1614 A.D. – JEWS attacked and driven out of Frankfurt, Germany.
    1624 A.D. – GHETTO established in Ferrara, Italy.
    1648 A.D. – Leader of the Cossacks, in the Ukraine massacres 100,000 Jews and destroyed 300 communities.
    1655 A.D. – Massacres of Jews in war against Sweden & Russia by Poland.
    1715 A.D. – POPE PIUS VI issues edict against Jews.
    1768 A.D. – 20,000 Jews in Poland killed.
    1805 A.D. – MASSACRE of Jews in Algeria.
    1879 A.D. – Word anti-Semitism comes into existence.
    1881 A.D. – POGROMS BEGAN. The word is of Russian origin. It designates attack, accompanied by destruction, looting of property, murder, rape. There were three major outbreaks in Russia. The word designates more particularly the attacks carried out by the Christian population. Each pogrom surpassed the other in savagery.
    KIEV, ODESSA; Here murder of whole families was a common occurrence. Partial data are available for 530 communities in which 887 major pogroms and 349 minor pogroms occurred. There were 60,000 dead and several times that many were wounded.
    1882 A.D. – FIRST ANTI-JEWISH CONGRESS HELD. In Dresden, Germany.
    1903 A.D. – APPEARANCE of a new issue of the PROTOCOLS OF THE ELDERS OF ZION. In Russia.
    This spectre of a worldwide Jewish conspiracy aiming at reducing the Gentiles to slavery or extermination loomed up in the medieval Christian imagination and grew out of legends about well poisonings and plague spreading. It was concocted in Paris by an unknown author working for the Russian secret police. It was an alleged conference of the leaders of World Jewry. It was translated into all the world languages. In 1963 a Spanish edition was published. During World War II, the Protocols of the elders of Zion became an implicit justification for the GENOCIDE of the Jews and Nazi propaganda relied on them until the last days of the Third Reich. Smaller pamphlets of it have been distributed in B.C. 1983 published in California… Required reading in most Arab countries, in schools, to this day.
    1905 A.D. – Russian pogroms continue. Also in Morocco, Ukraine, 300 dead.
    1919 A.D. – 3000 Jews killed in Hungarian pogroms.
    1920 A.D. – Appearance of ADOLPH HITLER.
    1925 A.D. – MEIN KAMPH appears. Hitler’s Plan published in Germany.
    1933 A.D. – HITLER appointed chancellor in Germany.
    1935 A.D. – Hitler writes his Nuremberg Laws which lead to his Final Solution.
    1938 A.D. – Burning in AUSTRIA & GERMANY of Synagogues. Jews sent to concentration camps. Beginnings of the Holocaust.
    1939 A.D. – Germany overruns Poland.
    1940 A.D. – Gassing, shootings in Polish Ghettos (Jewish).
    1941 A.D. – EXPULSION of Jews from the German Reich to Poland. Riots against Jews in Iraq.
    1942 A.D. – Mass transports of Jews to Belgium & Holland.
    1944 A.D. – EXTERMINATION OF HUNGARIAN JEWS.
    1945 A.D. – HOLOCAUST Final Count: 6,000,000 Jews slaughtered.
    Ninguém melhor que o representante da União Soviética Andrei Gomyko na sua alocução à Assembleia Geral das Nações Unidas em 14 de Maio de 1947 explicou a situação dos Judeus Europeus no pós-guerra. Dou a palavra a Gromyko:

    “Durante a última Guerra, o Povo Judaico passou por uma dor sem par e excepcional sofrimento. Se nenhum exagero, não se encontram palavras para descrever esta dor e sofrimento. É difícil expressá-los por meio de estatísticas a seco perante a agressão fascista sobre as vítimas Judaicas. Os Judeus nos territórios onde as hostes hitlerianas impuseram o seu reino foram sujeitas a uma quase completa alienação física. O número total dos membros da população Judaica que pereceu às mãos dos seus carrascos nazis é estimado em aproximadamente seis milhões. Apenas um milhão e meio de Judeus sobreviveu à guerra na Europa Ocidental.

    Mas estas estatísticas, pese embora darem uma ideia do número de vítimas entre a população Judaica, não dão nenhuma ideia das dificuldades em que grande número de Judeus se encontrou depois da Guerra.

    Um infindável número de sobreviventes Judeus na Europa foi despojado dos seus países, casas e meios de subsistência. Centenas de milhar de Judeus deambulam por vários países da Europa em busca de meios de subsistência e de abrigo. Grande número de Judeus estão acampamentos para desalojados e ainda passam enormes privações. A nossa atenção para essas privações foi-nos alertada pela Agência Judaica, que ouvimos durante a reunião da Primeira Comissão.

    É muito pertinente perguntar se as Nações Unidas, face à situação difícil em que se encontram centenas de milhares de sobreviventes da população Judaica, pode deixar de mostrar interesse por essa terrível situação dessa gente, arrancada dos seus países e despojada das suas casas. As Nações Unidas não podem e não devem olhar esta situação com indiferença, dado que essa atitude é incompatível com os altos princípios proclamados na sua Carta, os quais garantem a defesa dos direitos humanos, sem olhar à da raça, religião ou sexo. É altura de ajudar-se esta gente, não por palavras, mas por obras. É essencial que se mostre preocupação pelas necessidades urgentes de um povo que foi submetido a grande sofrimento como resultado da Guerra iniciada pela Alemanha hitleriana. Esta é uma obrigação das Nações Unidas.”
    Fonte: http://domino.un.org/UNISPAL.NSF/0/d41260f1132ad6be052566190059e5f0?OpenDocument

    Meu caro Carlos Vidal, a migração judaica para a Palestina foi o resultado do anti-semitismo europeu (Europa Ocidental e Oriental) que ora se vê ressuscitado com o eufemismo “anti-sionismo” ou simplemente “anti-Israel”, como o CV o põe; portanto das restrições que forçam os Judeus a viver em guetos nos países Europeus, dos progons e extermínios do povo Judaico da Europa, cujo expoente máximo foi o Holocausto, onde foram friamente executados mais Judeus do que hoje existem em Israel! Os Judeus que aportam à Palestina não eram migrantes voluntários no senso que se lhe quer dar, eram REFUGIADOS obrigados a fugir do anti-semitismo europeu! Uma página NEGRA na história da Europa!

    Se eu fosse um fanático religioso diria que os Judeus mesmo assim terem-se multiplicado foi um “milagre”!

    Só que desde 1948 os Judeus de Israel puseram as 4 ao chão e gritaram: BASTA! Exterminar Judeus, como aconteceu ao longo de milhares de anos, deixou de ser a empresa fácil que outrora foi…

    Em terceiro lugar, o estado Judaico que as Nações Unidas se propunha criar em 1947 abrangia os 407.000 Árabes que lá viviam e as Nações Unidas não tinham nenhuma ideia de os deslocar para outro lado (vide http://domino.un.org/UNISPAL.NSF/a06f2943c226015c85256c40005d359c/7f0af2bd897689b785256c330061d253!OpenDocument). Os árabes é que rejeitaram a proposta e partiram para a guerra! (Vide mapa – http://domino.un.org/UNISPAL.NSF/a06f2943c226015c85256c40005d359c/7f0af2bd897689b785256c330061d253!OpenDocument). Malgrado esta resolução:

    A/RES/107 (S-1)
    15 May 1947
    ________________________________________
    107 (S-1). Threat or use of force

    The General Assembly

    Calls upon all Governments and peoples, and particularly upon the inhabitants of Palestine, to refrain, pending action by the General Assembly on the report of the Special Committee on Palestine, from the threat or use of force or any other action which might create an atmosphere prejudicial to an early settlement of the question of Palestine.

    E de novo Gromyko:
    Soviet delegate Andrei Gromyko told the Security Council, May 29, 1948:

    “This is not the first time that the Arab states, which organized the invasion of Palestine, have ignored a decision of the Security Council or of the General Assembly. The USSR delegation deems it essential that the council should state its opinion more clearly and more firmly with regard to this attitude of the Arab states toward decisions of the Security Council” – Security Council Official Records, SA/Agenda/77, (May 29, 1948), p. 2.

    Da guerra iniciada pelos Árabes resultou a ocupação de terras. É o que acontece nas guerras.

    tribunus

    P.S. Penitencio-me por contribuir com factos e dados (preferivelmente dos arquivos públicos da ONU) e não com “ideias” soltas.

  11. tribunus diz:

    Cito-o Caro Carlos Vidal 3 de Fevereiro de 2009, 17:22,

    “Mas, caro tribunus, vejo que não pegou em duas questões importantes também, e que lançou: acusou Alain Badiou de muitas coisas, provavelmente sem conhecer bem a sua obra. Não me parece correcto.”

    Está a fazer leituras demasiadamente diagonais e, talvez por isso, põe palavras suas no que escrevo. O que escrevi foi isto:

    “Não foi a acusação que lhe foi feita por Jean-Claude Milner e muitos outros intelectuais… ?”

    A presunção de que não conheço o suficiente do perfil e obra de Alain Badiou é presunção sua. Naturalmente não é pessoa que me apaixone. Eu sou um realista, não um idealista no que se refere à “Hipótese Comunista”. Mal seria se nada tivesse aprendido dos 70 anos da tentativa frustrada de praticar o comunismo na ex-União Soviética e seus aliados; e também não tivesse reparado que em todo o lado onde a teoria foi ou está a ser posta em prática (restam 5 países ou talvez 4, uma vez que a China já está noutra onda) os povos estão cada vez mais miseráveis. Até na miséria há que saber escolher a menor!

    Também fez uma leitura apressada da menção que fiz à naturalidade de Badiou, porque a tirou de contexto para poder inferir que sou racista e não estou tão certo da sua inocência. O que escrevi foi:

    “…um homem de origem marroquina, naturalizado francês, que utiliza a liberdade democrática europeia para a desestabilizar por dentro?”

    Portanto, referia-me à “liberdade democrática europeia para a desestabilizar por dentro”, o que não poderia fazer em Marrocos, como muito bem sabe. Parafraseando o Carlos Vidal “Não me parece correcto”. Concentremo-nos na mensagem… Ou, como se diz em inglês, “let’s not lose our bearings”.

    Tão pouco apelidei Badiou de “marroquino”. O que escrevi foi

    “… um homem de origem marroquina…”, que de facto é, tanto quanto eu sou de origem portuguesa e estou noutras paragens. O interessante é que o Carlos Vidal ache que o termo “marroquino” seja racista! É caso para dizer que o racismo “in the eyes of the beholder”…

    tribunus

  12. Carlos Vidal diz:

    Disse que terminava a minha participação nos comentários deste post, mas adio isso por mais um comentário, este, esperando encontrá-lo em breve, caro tribunus, quem sabe se para falar da crítica de Badiou aos predicados identitários (tema premente, caro tribunus, como é premente o tema da origem da sacralização do predicado «judeu», tal como usado na Europa-EUA ao longo de todo o século XX, e sobretudo depois da II Guerra: outra conversa, desde já agendada).

    Por agora apenas uma questão; cito-o:
    «Meu caro Carlos Vidal, a migração judaica para a Palestina foi o resultado do anti-semitismo europeu (Europa Ocidental e Oriental) que ora se vê ressuscitado com o eufemismo “anti-sionismo” ou simplemente “anti-Israel” (…)! Os Judeus que aportam à Palestina não eram migrantes voluntários no senso que se lhe quer dar, eram REFUGIADOS obrigados a fugir do anti-semitismo europeu! Uma página NEGRA na história da Europa!»

    Nada a objectar que foi uma das páginas mais negras da história da Europa do século XX (ou desde muito antes, pois foi o caso Dreyfus, no século XIX, que inspirou o sionismo de Herzl, contudo muito diferente do sionismo de Begin, Shamir e Sharon ou Livni).

    Mas a pergunta que se impõe é a seguinte, que o meu amigo nunca, mas mesmo nunca a fez: que culpa tiveram os palestinianos desse anti-semitismo assassino euro-nazi para sobre eles ter recaído essa migração, que foi mais do que isso por certo, foi uma fuga em massa, certamente. Desesperada para os judeus e desesperante para os palestinianos.

    Porque é que os árabes-palestinianos tiveram de sustentar essa migração ou fuga descoordenada?
    Que fizeram os palestinianos aos judeus na II Guerra?
    Porque pagam por aquilo que os europeus e nazis fizeram?

    Esta é a pergunta que nunca vi ninguém responder.

    Agora sim, deselho-lhe boa noite, e prometo voltar para discutirmos a sacralização identitária em geral e «judaica» em particular, que é o tema de Circonstances 3.
    Creia-me com a máxima consideração.

  13. tribunus diz:

    Comentário de Carlos Vidal
    Data: 3 de Fevereiro de 2009, 21:47
    Cito-o: “Mas a pergunta que se impõe é a seguinte, que o meu amigo nunca, mas mesmo nunca a fez: que culpa tiveram os palestinianos desse anti-semitismo assassino euro-nazi para sobre eles ter recaído essa migração, que foi mais do que isso por certo, foi uma fuga em massa, certamente. Desesperada para os judeus e desesperante para os palestinianos.
    Porque é que os árabes-palestinianos tiveram de sustentar essa migração ou fuga descoordenada?
    Que fizeram os palestinianos aos judeus na II Guerra?
    Porque pagam por aquilo que os europeus e nazis fizeram?”

    Meu Caro Carlos Vidal,
    Quero reiterar a elegância que empresta aos seus posts, pelo menos para comigo, embora veja que mantém idêntico nível mesmo quando um ou outro envereda pela canelada ao mensageiro.

    Disto isto, será que o meu amigo com a pergunta enunciada não me está a dizer que tem a “cabeça feita – perdoe-me o brasileirismo -, por favor não me incomode com os factos”?

    Obriga-me, portanto, a repetir os factos:

    1. O povo Judeu originou há 5.770 (completados ao anoitecer de 1 de Outubro de 2008) no que hoje se chama de Palestina, portanto, uma origem que vai a 3.761 anos a.C.. A primeira referência escrita a Árabes (palavra derivada do acádio – cuneiforme) é da autoria do rei assírio Shalmaneser III e data do ano 689 a.C. (aqui http://oi.uchicago.edu/i/prism.jpg), isto é, cerca de 3 milénios depois da primeira referência aos Judeus;
    2. As perseguições antisemitas ao logo de vai para 6.000 anos já foram listadas;
    3. Recorro às palavras de Andrei Gromyko em nome da União Soviética –( fonte http://domino.un.org/UNISPAL.NSF/0/d41260f1132ad6be052566190059e5f0?OpenDocument) :
    Um infindável número de sobreviventes Judeus na Europa foi despojado dos seus países, casas e meios de subsistência. Centenas de milhar de Judeus deambulam por vários países da Europa em busca de meios de subsistência e de abrigo. Grande número de Judeus estão acampamentos para desalojados e ainda passam enormes privações. A nossa atenção para essas privações foi-nos alertada pela Agência Judaica, que ouvimos durante a reunião da Primeira Comissão.
    Ora, meu caro Carlos Vidal, se em 1947 “Centenas de milhar de Judeus deambulam por vários países da Europa”;
    Ainda Gromyko: “The fact that no western European State has been able to ensure the defence of the elementary rights of the Jewish people, and to safeguard it against the violence of the fascist executioners, explains the aspirations of the Jews to establish their own State. It would be unjust not to take this into consideration and to deny the right of the Jewish people to realize this aspiration. It would be unjustifiable to deny this right to the Jewish people, particularly in view of all it has undergone during the Second World War. Consequently, the study of this aspect of the problem and the preparation of relevant proposals must constitute an important task of the special committee”;
    Sendo que ninguém os queria, o Carlos Vidal deixáva-os à deriva até hoje? Não me diga que os mandava para o Uganda, Angola ou Namíbia, como chegou a ser sugerido à época, porque apenas e tão só deslocava o problema da Palestina geograficamente! Havia que colocá-los onde eles próprios se pudessem defender. Foi isso que os nossos avós europeus fizeram!
    4. Mas fizeram-no com a intenção e o cuidado de não deslocar os povos “arabizados” e “islamizados” da Palestina (então um total de 1.845.000 habitantes, Judeus inclu+idos e hoje são cerca de 12 milhões), por via da expansão árabo-muçulmana vinda da Península Arábica. Os povos “arabizados” e “islamizados” da Palestina não aceitaram viver lado a lado com os Judeus e partiram para a guerra em 15 de Maio de 1948 nestes termos:
    “Azzam Pasha, secretário-geral da Liga Árabe, anunciou: “Esta será uma guerra de extermínio e um sério massacre…”

    O que se seguiu:

    Por várias razões, entre elas o medo, 656 mil árabes fugiram do território de Israel depois de 1947-48, tendo ficado em Israel 156.000 árabes. Mas houve também 800 mil judeus que, entre 1948 e 1967, tiveram de fugir dos países árabes onde tinham as suas comunidades havia mais de dois milénios, refugiando-se em Israel.

    O Governo israelita integrou todos os refugiados judeus. Os Governos árabes criaram campos para instalação dos respectivos refugiados, de modo a que as suas carências se agravassem em termos explosivos. A Rádio Cairo anunciou: “Os refugiados são o armamento dos árabes e do nacionalismo árabe.”

    Em 1949, com base no armistício celebrado, Israel tentou um acordo sobre as fronteiras. Os árabes voltaram a recusar.

    De 1948 a 1956, foram assassinados mais de 1300 israelitas, o que explica o rigor crescente das retaliações contra as bases terroristas.

    Em 1950, os árabes rejeitaram mais uma vez o plano da ONU quanto a uma reinstalação. Nem o discutiram.

    A partir de 1955, Nasser quis estrangular Israel, impedindo-lhe o acesso ao Canal de Suez e ao golfo de Ácaba. A crise do Suez, em 1956, acabou pela retirada inglória das tropas anglo-francesas e pela tomada do Sinai e de Gaza por Israel, que veio a aceitar sair do Sinai desde que o Egipto não o militarizasse e a ONU lá colocasse uma força-tampão.

    Em 1967, Nasser mandou sair a ONU, que obedeceu, e invadiu o Sinai. Todos se lembram dos milhares de botas que os egípcios deixaram no deserto, fulminantemente derrotados pela reacção de Israel que então tomou Jerusalém, a margem esquerda do Jordão, o Golan e o Sinai. Foi a Guerra dos Seis Dias.

    Em 1973, Sadat atacou de surpresa. Foi o Yom Kippur. Mas Israel também chegou triunfante ao cessar-fogo de 24 de Outubro.

    No mesmo ano, a subida do petróleo permitiu financiar a compra de armamento e o terrorismo árabe.

    Em 1975, a ONU, sempre patética, equiparou o sionismo ao racismo e deu ao terrorista Yasser Arafat um estatuto de Chefe de Estado. A resolução 3379 da ONU (72 votos a favor, 35 contra, 32 abstenções) que equiparou sionismo ao racismo é única resolução da ONU a ter sido revogada até hoje, pela resolução 4686 aprovada em 16 de Dezembro de 1991 (111 votos a favor, 25 contra. 13 abstenções)

    A OLP enveredara pela acção terrorista em 1968. O terrorismo árabe dos anos 70 e 80 lutava por uma causa árabe ou palestiniana, mas não pelo Islão, e uma proporção significativa dos líderes e activistas da OLP eram cristãos (Bernard Lewis).

    Expulsa da Jordânia, a OLP fixou-se no Líbano, de onde passou a atacar os judeus. Israel invadiu o Líbano em 1982 e só parou quando o limpou da OLP. O fundamentalismo islâmico e as milícias do Hezbollah vieram depois.

    O terrorismo dos últimos anos dispensa recapitulações. O Presidente nazi do Irão continua a falar no extermínio de Israel.

    Paul Johnson observa que para os árabes não há qualquer seriedade numa negociação. Esta, para a sua mentalidade, implica uma cedência a interesses contrários e é considerada traição. Quando muito aceitam tréguas para recuperarem o fôlego e pegarem de novo em armas.

    Cordiais saudações,

    tribunus

  14. Henrique Trindade diz:

    Ora aí está como um árabe classifica o Carlos Vidal e seus seguidores:


    http://farm1.static.flickr.com/253/3264428320_ed33afe764_o.jpg

    Defendendo Terror

    ORIGINAL: Defending Terror
    in http://www.alarabiya.net/views/2009/02/07/65947.html

    07/02/2009
    POR:
    Abdul Rahman Al-Rashed, Director-Geral Al -Arabiya television.

    TRADUÇÃO: Tribunus

    Há sete anos atrás, muitos escritores e jornalistas na nossa região defendiam e toleravam os ataques destrutivos lançados pela Al-Qaeda, e no processo consideravam qualquer crítica feita à rede terrorista como um apoio à política externa dos EUA, sem fazerem qualquer destrinça entre o que era defesa racional e o que era exploração política. Esses escritores não tinham consciência do facto de que a organização Al-Qaeda era uma ameaça maior para eles do que para qualquer entidade estrangeira. Pouco tempo depois, o grupo mostrou a suas verdadeiras cores jihadistas em Riade, Dammam, Meca, Medina, Saná e Amam.

    A história repetiu-se na sequência da invasão dos EUA ao Iraque, quando os nossos escritores confundiram a rejeição a uma ocupação – uma lógica e justificada postura política -, com a exaltação de ataques suicidas. Celebram estes ataques, descrevendo-os como actos dignos de martirológio. Como resultado, milhares de jovens sauditas e outros árabes pegaram em armas e demandaram As-Samawah, Al-Anbar e Bagdade. No entanto, muitos deles foram caindo pelo caminho nas malhas de unidades de inteligência árabes hostis, que acabaram por usá-los ao serviço dos seus próprios interesses.

    Durante a guerra de Israel contra o Hezbollah deu-se a mesma confusão novamente e, mais recentemente, aquando da ofensiva israelita contra o Hamas. Mesquitas, colunas de jornais e fóruns de discussão, todos se mobilizaram num esforço para exacerbar e reactivar o espírito da Jihad Islâmica, no que poderia ser descrito como uma recorrente confusão entre a natural rejeição do ataque israelita e o envolvimento num campo político dirigido pelo Irão, que utiliza as causas palestinianas e árabes para atingir seus objectivos.

    Estes objectivos não têm nada a ver com confronto com Israel. Os alvos são de facto países como a Arábia Saudita, Egipto e Jordânia, entre outros. O Irão emprega meios de propaganda contra Israel para difundir a chamada para a Jihad.

    Esta semana, uma nova lista de terroristas procurados foi divulgada pelas autoridades sauditas, com nomes e acompanhada de fotos de jovens sauditas ingénuos que se passaram para o santuário da à Al-Qaeda, nas montanhas do Iémen para abraçar a Jihad, enquanto outros foram para o Paquistão e alguns recrutados e transferidos para o Irão, a força motriz por detrás do crescente caos na região. Esses novos marginais e terroristas são, de facto, as vítimas dos convites à Jihad, sob o manto de enfrentar Israel. A mentira de libertar Jerusalém através de Riade e do Cairo.

    Infelizmente, esses intelectuais foram confundidos pela situação, não conseguindo diferenciar entre a rejeição da agressão israelita e dar apoio aos grupos leais ao Irão, que desenvolve uma operação política e mediática com uma agenda clara.

    Existe um mundo de diferença entre libertar a Palestina e destrui-la; entre estabelecer um Estado palestiniano e dividi-lo. Além disso, existe uma diferença notória entre o apoio inequívoco à resistência e dividi-la em organizações e governos.

    O que o Irão fez em colaboração com Israel é o que nos levou à vergonhosa situação em que nos vemos hoje. Uma situação defendida pelos jornalistas e meios de comunicação oficiais que não sabem distinguir entre o apoio aos lesados e o apoiando ao golpe iraniano.

    Não precisamos de provas adicionais, por que temos vindo a assistir a uma série de situações repetitivas ao longo de um espaço de oito anos e as consequências destrutivas são do conhecimento de todos.

    Vimos como os convites para defender a Al-Qaeda, levaram ao fortalecimento da sua rede através de fundos, armas e meios humanos. E depois de sua derrota no Iraque o mesmo erro foi feito levando ao alerta das forças de segurança ao aperceberem-se que o Iraque era um campo de formação e treino da juventude árabe que depois era reenviada aos seus países de origens para aí realizar operações.

    O que nos levou hoje a entender, quando vemos uma nova lista de jovens envolvidos em actividades terroristas, que vão cumprir a sua formação nas montanhas do Iémen, Paquistão e Irão. Todos eles foram enganados pelos fanáticos convites para a Jihad na Palestina e no Líbano. Há um ditado que diz: “De boas intenções está o inferno cheio”.

Os comentários estão fechados.