Recordar e discutir Ulrike Meinhof (se a democracia deixar)

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O Nuno postou aqui o trailer do filme “O Complexo Baader-Meinhof”, que talvez tenha passado despercebido. Hoje é dia da estreia lisboeta. Saiu também em inglês um conjunto de textos de Ulrike, com o belo título, “Everybody Talks About the Weather…We don’t”. Mas hoje, e não só em Portugal, frases como esta ganham uma actualidade curiosa (na contracapa do livro):

«Protesto é quando digo que não gosto disto. Resistência é quando ponho um fim àquilo de que não gosto. Protesto é quando digo que recuso ser espectadora disto durante mais tempo. Resistência é quando asseguro que toda a gente põe fim ao seu papel de espectador».

Claro que conto voltar a Ulrike Meinhof, até porque Gerhard Richter, um artista que tenho como um dos três ou quatro mais importantes das últimas décadas, dedicou, em 1988, aos Meinhof uma impressionante série de pinturas, a famosa “October 18, 1977”.

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(Richter)

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15 respostas a Recordar e discutir Ulrike Meinhof (se a democracia deixar)

  1. Não passou ao lado … sempre vacilei entre a simpatia y a repugnância pelo jovem burguês culto y esclarecido virar terrorista …

  2. Raquel diz:

    A democracia já deixou.
    Logo, a tua pergunta peca por ser redundante.
    Cos diachos, é só tiros nos pés.

  3. Carlos Vidal diz:

    Deixou não deixou, querida Raquel !?
    Mas você sabe que esta merda de democracia, como diria a Morgada de V., não nos deixa ir muito mais longe do que isto.
    Um post Soft, softzinho.
    À maneira da outra ou do outro: puta que os pariu!

  4. Ela era uma mulher bonita…

  5. xatoo diz:

    uma bela moçoila esta Ulrika. Assim fossem todas.
    Já estarão averiguadas as ligações das diversas facções intervenientes dos anos 70 com a Operação Gládio? na Alemanha, Espanha, Grécia e tb Portugal, claro (depois do 25A)
    óh Vidal, tu que és uma pessoa ligada às Artes, dá lá uma opinião:
    não consideras o salto em altura do Almirante Carrero Blanco como, num regresso ao figurativismo, a suprema obra de arte pós moderna? – 25 metros em altura para um fascista em real time, é obra prima, ainda não ultrapassada
    Na altura foi um gozo, mas os contratados pelo “stay behind” deram uma ajudinha up up and away
    e o que é certo é que o Artista, Pedro Ignacio Pérez Beotegui, morreu na cama, só aos 60 anos, e nem sequer estava preso,,
    http://xatoo.blogspot.com/2008/03/pedro-ignacio-prez-beotegui-60-anos.html

  6. Pedro diz:

    Baaden-Meinhof para cima destes gajos todos. Posta à vontade, Carlos.

  7. Pedro diz:

    …Baader-Meinhof, quer-se dizer.

  8. Carlos Vidal diz:

    Caríssimo xatoo,
    Peço apenas que me deixem ler os textos de Ulrike Meinhof, agora que foram passados para inglês.
    Entretanto, acho que a democracia portuguesa não me deixa dizer mais do que – sim, acho que o salto em altura de Carrero Blanco é uma obra de arte, não sei se figurativa, mas não pós-moderna, com certeza: moderna, sim, foi.

  9. “Mas você sabe que esta merda de democracia, como diria a Morgada de V., não nos deixa ir muito mais longe do que isto.
    Um post Soft, softzinho. ”

    Mas onde é que iria ir? Onde é que fica esse muito mais longe? Abrir uma sucursal da facção em território nacional?
    Contente-se com o postzinho, hard se quiser, diga lá mal do Sócrates, coma a sopinha e juizinho.
    Não se ponha com ideias que a sua arma é o teclado e a sua vida o pincel.

  10. Carlos Vidal diz:

    Miguel,
    Como sabe, eu não quero nada.
    Apenas ler os textos da Ulrike e, depois, escrever um texto (mais um) sobre Gerhard Richter.

  11. Eu pensava CV que querias ir por bombas nos Bancos 😉 … estroina-chatice … já estão todos estoirados … 😉

  12. Richter. Este sei quem é. Há uns anos atrás tive oportunidade de ver uma exposição dele em berna . Aproveitei a sua dica, e fui fazer uma visita ao site. Para além dos óleos e de algumas das fotografias pintadas, o que mais me impressionou, por defeito profissional, foram os desenhos. Magníficos. Dava um dos meus testículos, um rim e uma orelha, para saber desenhar assim, com tanta parcimónia de meios e riqueza expressiva.

  13. almajecta diz:

    o extremínio da retórica foi uma calamidade para os que pretendem comover, por aqui anda um verdugo que há-de ser punido no fim, ao mesmo tempo que a vítima, rodeada de sarafins canoros, entra na bem aventurança.

  14. Carlos Vidal diz:

    Gostaste desta homenagem, oportuna, a bela Ulrike, não foi almajecta? Diz lá, quem é a vítima e o verdugo?
    Fiquei confundido por causa do nosso Richter (não o Sviatoslav, mas o outro, de que gostas menos).

  15. Excelente filme, a não perder. Grande mulher, a Ulrike. Por muito que discorde dos métodos da RAF, não deixo de sentir uma certa admiração por quem deixa tudo para trás para lutar pelos seus ideais.

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