Qualquer dia ainda bloqueio esta merda toda.

O gmail, para quem usa outros sistemas de webmail menos espectaculares, tem várias coisas que o tornam superior ao cabrão do hotmail e do yahoo (embora eu não me meta nessas merdas). Por exemplo, quando uma gaja envia um mail aos filhos da puta da CP a queixar-se do serviço no Alfa Pendular, o gmail arquiva as simpáticas e apologéticas respostas num grupo com o mesmo titulo. Esta merda é uma revolução para uma gaja que anda muito cansada, como eu. Em vez de perder preciosos segundos do Federer na Eurosport à procura do mail em que a CP se oferece para nos enviar para o caralho em primeira classe, a custo zero para o utente, e toda a amorosa correspondência que se segue, uma gaja encontra tudo o que precisa debaixo do titulo “Sois uns filhos da puta”. Ficam assim uma espécie de maços de mails associados, atados com uma fitinha (uso esta imagem para quem pensa que a internet serve para escrever merdas titilantes à secretaria de mamas grandes do 2oº piso, e não para a) procurar fotografias do Federer; b) ler o António Figueira ; c) reler o António Figueira, porque esses têm os miolos tão fodidos que não percebem o caralho duma metáfora). Outra funcionalidade que faz do gmail um sistema espectacular é que quando chega uma resposta aos mails enviados, aparece uma mensagem no canto inferior direito a perguntar, delicadamente: “New message from CP: update conversation?”. Uma gaja muito ocupada a ler anúncios to enlarge your penis ou abrir uma conta num banco nigeriano é assim avisada de que chegou nova resposta da CP e pode preparar-se para passar do venal insulto para os mails-bomba informáticos. Ora eu aguardo com muita expectativa os mails da CP, porque, para além de serem muito bons dentro do género burocrático vai-te-foder-minha-filha-da-puta, uma gaja como eu tem poucas coisas que lhe tragam, não direi alegrias, porque estou para além dessa merda, mas uma discreta aceleração dos batimentos cardíacos como a que a Meg Ryan simulava no “You’ve got mail!” (mas sem querer copular com a CP).  O gmail (não sei se já disse que é um sistema de mail espectacular) só tem um defeito (além de me foder os cornos com publicidade): é que quando vem um mail novo sem ser em resposta aos meus, não avisa de quem é no canto inferior direito nem em caralho de lado nenhum. Uma gaja fica em suspense quando vê aquele 1zinho a tremeluzir como um pirilampo na puta da Inbox. Chega um mail que não se sabe de quem caralho é: imaginem, se tiverem sensibilidade para isso, as palpitações da Meg Ryan pensando que tem novo mail do Tom Hanks, as mãos húmidas, o peito arfante, e outros sinais vitais que não descrevo aqui porque este blog não serve, ao contrário do que pensam muitos dos seus leitores, para vir pràqui bater pivias. Imaginem que clicam na Inbox e que em vez do Tom Hanks é outra vez um cabrão dum mail com a corrente do Dalai Lama. Isto é um estupor dum anti-climax simultâneo para mim e para a Meg Ryan, caralhos ma fodam, para mais facilmente resolúvel se os gajos do gmail parassem de olhar dois minutos para a quotação das acções do Google e fizessem a merda dum caralho de dois minutos de programação. Apetece-me bloquear o acesso a esta merda toda e passar a receber só mails do Tom Hanks.
Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

39 respostas a Qualquer dia ainda bloqueio esta merda toda.

  1. Pedro diz:

    Andas enrolada com o maradona?

    E sim, também fui tocado pela graça do gmail, louvado seja.

  2. rms diz:

    É o que se chama entrar de chancas…

  3. ezequiel diz:

    não sei porquê mas esta forma de escrever parece-me familiar….:)

    Morgada, já tens em mim um leitor assíduo, por toutatis!!

  4. Pedro diz:

    Estivestes bem, ó Morgada. Não percebi nada, mas dá um som do caraças! Já pensaste em representar ao vivo esse monólogo à Becket?

  5. Carlos Vidal diz:

    O melhor texto de estreia de qualquer blogue existente.

  6. Que vernáculo! És do Norte?

    • Ricardo Santos Pinto diz:

      Olha que caralho, ó João Henriques, só as pessoas do norte é que dizem palavrões?
      Até me fizeste falar mal.

  7. fodassss, que grande merda, Caralho!

    mas o gmail é bom… deixei de usar pen-drives por exemplo…

  8. Nuno Cruz diz:

    Fica provado: o Maradona fez escola.

  9. F-se! Tirando os palavrões é mesmo conversa para perder tempo … pelos elogios este pessoal é taralhoco.

  10. Pedro diz:

    Ó João Henriques, cavernáculo és tu! As meninas do Norte também têm sentimentos!

  11. rms diz:

    Ó Ricardo Santos Pinto, sejamos claros. Para escrever assim não precisa de ser do norte, mas se a autora falar como escreve, com sotaque nortenho tem, digamos, outra classe.

    Nós – os do norte – dizemos palavrões bem melhor do que qualquer pessoa a sul do Mondego…

  12. Raquel diz:

    Uns palavrõezinhos e prontos, já está, comédia à la minute. Repito que aqui afirmei anteriormente: são mesmo mediocres, irra. O que é que é que faz deste post o melhor “primeiro” jamais postado em qualquer blog?? Vulgar e fácil.

  13. Joana diz:

    Assim à primeira vista, dir-se-ia que apenas o público feminino não gostou daquele que é um dos textos mais brilhantes que já li. Uma entrada directa para o Top5, fosse isto o Top+.
    É o que eu digo, as gajas são todas umas cabras. Incluindo aquela de Fátima.

  14. /me diz:

    Rms, suspeito que o Norte a que te referes não vá até ao Mondego, mas fique bem mais acima. Não é grande tradição das pessoas do centro do país dizer palavrões… Claro que podem dizer, mas com o à vontade das pessoas do Norte (mesmo das pessoas de Lisboa, mesmo sendo outro campeonato) parece-me que não.

  15. helderega diz:

    Um post chatiiiiiinho…, em suma, uma valente merda!

    Mas já vi que se postasse sobre o ritual de acasalamento do tentilhão, mas com muitas asneiras pelo meio iria ter sucesso com esta malta. Não é que tenha algo contra as asneiras, antes pelo contrário, têm um efeito libertador.

    Já agora, sotaque nortenho, classe? é das coisinhas mais irritantes que existem!

  16. rms diz:

    ok, /you, talvez entre Aveiro e Braga talvez seja mais preciso.

    helderega tens é imbeija…

  17. Lord diz:

    Falas bem mas não me convences caralho. Usa esses palavrões todos quando falares de política e faço-te uma vénia (mas é que assim tb eu)

  18. helderega diz:

    Conheço pessoas que foram estudar e trabalhar para o norte e ao fim de 15 dias já estavam a falar com pronúncia do norte. Passo-me!

    Alguns autóctones também fazem questão de acentuar a pronúncia. O que os motiva é o mesmo que motiva os emigrantes a falarem francês entre si!

  19. Ricardo Guerra diz:

    É fácil imitar-se o Maradona, mas conseguem copiar-lhe a inteligência?

  20. rms diz:

    Concordo helderega, é aquele microship que aqui no Porto colocamos nas cabeças vazias de quem nos visita. E essa compararação com os emigrantes franceses é das melhores que já ouvi. Até porque também por cá temos as francesinhas – as verdadeiras.

    Ricardo Guerra, porque num post se escreve foda-se, caralho e puta tem forçosamente de ser uma imitação de alguém?

  21. LAM diz:

    Não comento.
    A minha personalidade e nacionalidade portuense não me permite comentar posts com linguagem menos própria. Principalmente quando tirando essa linguagem que me corta a alma, não há lá mais nada.
    Como alguém atrás já comentou, essa é uma das diferenças do vernáculo do Porto em relação a outras zonas no País. Caralho ou foda-se no Porto são vírgulas, não são a história que se está a contar.
    Ora foda-se.

  22. Noia diz:

    Só falta um ” fazer gargarejos com a menstruação da tua mãe”. Ou seja, uma seca que deixou o pessoal a fazer gargarejos.

  23. Ricardo Santos Pinto diz:

    Ó rms, também sou do norte. Do Porto, carago.

  24. Ricardo Santos Pinto diz:

    Helderega,

    Mais irritante do que a pronúncia do Porto só mesmo a de Lisboa. Ou achas que em Lisboa não têm pronúncia?

  25. rms diz:

    Em suma, sou de Leça da Palmeira, nascido e criado, e adoro o meu sotaque, bem como o vernáculo que uso, que é meu e muito nosso, como disse o LAM ali em cima.

    “Aqui no Porto, o insulto assume uma beleza democrática considerável. Qualquer gajo que não abrande num sinal de aproximação de estrada com prioridade é um filho da puta; se conduzir um topo de gama ainda melhor, porque é um chulo filho da puta, cujo pai é o tio.

    Levamos tudo isto no melhor espírito democrático. Nuns dias são eles os filhos da puta, no dia seguinte sou eu. Acho que aqui ganhamos fígados para aguentar estas coisas.Eu já insultei tantas vezes tanta gente, até a mim, que não há texto legível que aguente tanto palavrão e tantos destinatários. Mas também já fui insultado. Também insultei enquanto manifestante, mas também já fui insultado enquanto manifestante.

    Também já insultei figuras públicas, desde políticos, artistas, actores, actrizes, futebolistas, escritores, comentadores, tudo. Mas mesmo tudo. E não me considero por isso menos democrata. Pode ser difícil de perceber, mas, mesmo assim, tenho respeito pelas instituições e pelas pessoas. O insulto é quase uma interjeição, ainda mais numa manifestação, seja ela política, desportiva, tantas…”

  26. LAM diz:

    O que eu acho é que a caralhada num texto não é para qualquer um.
    Há quem saiba usar isso de forma brilhante (o Maradona é um exemplo paradigmático de mestria no seu uso apesar de ter o defeito, porque é um defeito, de não ser do Porto o que à partida lhe podia tirar espontaneidade), e quem não saiba usar exactamente por essa falta de espontaneidade, ou conhecimento dessa espontaneidade.
    É o que acontece quando se ouvem alfacinhas por exemplo a dizer umas asneirolas. Isto pode ser errado e admito que o seja, mas a sensação que fica a um ouvinte nortenho é de uma coisa forçada, não genuina, ofensiva até, coisa que a caralhada do Porto não é.
    Não perceberam patavina pois não? que se foda, adiante.

  27. HelderEga diz:

    Eu concordo com o LAM quando diz que a caralhada não é para qualquer um. Outro caso paradigmático é o do Pipi.

    Ricardo: eu expliquei-me mal. Não é a pronúncia que é irritante, mas sim alguns pronunciadores.

  28. Morgada de V. diz:

    Obrigada a todos: teria vindo mais cedo agradecer a simpatia não fosse o morgadio estar sem banda larga. Ezequiel, temo vir a desiludi-lo: esta maradonice era apenas um one-day-stand, e não espero reincidir na prolixa caralhada (excepto se o helderega continuar a insultar as gentes do Norte, porque, como sabe quem me conhece, sou uma gaja sem ABS). Carlos Vidal, se me deixar, no próximo imito-o a si, parece-lhe bem? Vai ser o melhor segundo post jamais publicado na blogosfera (we aim high). Noia, pessoalmente dou-me bem com o Tantum verde, mas não me meto nos elixires de ninguém. Ricardo Guerra, apesar de não ter a pretensão de ser a fã número 1 do maradona (toda a gente sabe que o maior admirador vivo, morto ou por nascer desse grande blogger é o Vasco Barreto do jugular, with Rogério Casanova a close second), aprecio-o o suficiente para me chatear que apague aquela merda toda, crime que está para a blogosfera lusa como a destruição dos budas de Bamiyan para o património da humanidade. Saiba por isso que se tentei imitá-lo com os meus parcos talentos foi no espírito da imitatio Christi, para elevação das minhas sinapses, e não para melindrar esse grande senhor da lusosfera. Hèlas, Pedro, a minha paixão pelo maradona é on ne peut plus platónica – com grande pena minha, claro, que sonho com jantares de abrótea congelada à luz tremelicante de velas (maradona, se me estás a ler, o meu número de telefone vem na lista, under M.). Obrigada novamente.

    m. de V.

    P.S. Ah, e não é preciso um relatório da OCDE para concluir que essa geografia não chega aos calcanhares finlandeses. Fala-se em Norte e os comentadores praticam a redutio ad Invicta, manobra que deixa de fora o Minho, o Alto Douro e as vastas extensões do Reino Maravilhoso, cada qual com sua mui rica e nobre colecção de pronúncias irritantes. Com todo o respeito, vão para fora cá dentro, sim?

  29. HelderEga diz:

    Já vi que não tens ABS. E como é que estamos de air bags?

  30. LAM diz:

    “Fala-se em Norte e os comentadores praticam a redutio ad Invicta, manobra que deixa de fora o Minho, o Alto Douro e as vastas extensões do Reino”

    Morgadinha, filha: a caralhologia apontava para aí. Se falassemos (erótica a puta da palavra) de morcelas então viriam as Beiras e Trás os Montes à baila. Norte também mas outros azimutes. (essa de Alto Douro, desculpa, é de quem só conhece a geografia dos livros. Tem paciência mas é mesmo assim.)

    Outra coisa e o mais importante:
    Não vás jantar com esse tal de Maradona. A abrótea, cadávere até dizer chega, é pacífica. Mas o azeite, pá, o azeite…o gajo enche aquela merda de azeite. E levas com uma mine. Sagres. E a couve flor comprada num antiquário, amarela. barhh!! cuida-te.

  31. Francisco Santos diz:

    belo começo Morgada

  32. Morgada de V. diz:

    Isso, Helderega, acelere a fundo para o comentariozinho soez, olhe que não se aguenta nas curvas. Lam, pareceu-me que estava a gozar com o Alto Douro, e não devia: salta à vista que essa sua geografia não vai além do Bolhão. Depois, em peixeirada, estamos conversados: pensar que me movem quaisquer azeites ou acompanhamentos é laborar num equívoco tremendo, que ignora e ofende todas as minhas qualidades extrínsecas. O Lam tem de perceber que o meu interesse pelo maradona é, na essência e talvez na totalidade, de ordem intelectual, e que só tenho apetite por abróteas com qualidades bio-mecânicas e percursos de vida extraordinários. Estou noutro patamar, meu, estou mais além. Francisco, thank you kindly, também apreciei a sua denúncia da província, andava a pedi-las. E agora desculpem-me mas tenho de ir ali tirar o Tio Vania da forca.

  33. A menina não copula com a cp.
    Mas olhe que a cp anda a copular consigo.

  34. “When Harry met Sally”. Com Billy Crystal.
    (este blogue está cada vez pior)

  35. Citadina diz:

    Os meus parabéns, este é possivelmente o post menos chato que o 5 Dias já teve, não que o 5 Dias seja chato, mas digamos que anda com uma linha editorial um bocado monótona, de tão noticiosa barra opiniosa ou sem a barra mesmo. Isto quanto à forma.
    Quanto ao conteúdo, o gmail é, de facto, the best, nem adianta discutir com ninguém sobre isto, e os gajos da CP uns filhos da puta, também do conhecimento geral, que, por isso, merecem este post pelo cú acima.
    Cumprimentos desta sua (já) fã.

  36. Pingback: cinco dias » A Morgada de V. e eu

Os comentários estão fechados.