Existe heteronímia sem heterodoxia? Nunca se sabe (uma adivinha, vá lá leitores)

allan-pompei
No reino da heteronímia deveria existir um mínimo de heterodoxia. É um princípio geral. Deveria, mas em certos reinos não há, não só às vezes como nunca há nem haverá – em certos reinos e reinados, claro está!
Ora bem, qual é o BLOGUE (qual é ele) em que um líder parece dirigir mais de dez carneiros, mas pode não ser nada disso e ser apenas o espaço de um pseudo-líder com mais de dez heterónimos? O leitor pergunta e bem: então se nesse BLOGUE, ou ORGÃO DE OPINIÃO, há um líder e mais de dez heterónimos, porque é que os textos lidos, graças ou piadas (ou temas de piadinhas e da sabujice entre os “cómicos” de serviço) são todos completamente iguais? Para que é, nesse caso, a heteronímia?? Diz ainda o leitor: não é essa a definição a que me habituei de heteronímia, sobretudo desde que foi inventada por um português. Não sei se foi se não. Ou foi, e se assim foi também podemos inventar uma heteronímia-clonagem (coisa absurda, mas efectiva na blogosfera-estratosfera decadente).
Vejamos. Se dez escravos fazem de eco de um só mando recto, mais impressivamente afinadinhos do que uma excelente Sinfónica, isso, se calhar, não é um reino heteronímico. Trata-se de um pequeno exército canino (mais ou menos como nas fotos). Falam dez a mesma coisa, ou falam dez falando um só?
allan-mcc1

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21 respostas a Existe heteronímia sem heterodoxia? Nunca se sabe (uma adivinha, vá lá leitores)

  1. miguel dias diz:

    Uma pergunta, a instalação de cima é de um artista chinês?
    E como se chama?

  2. Carlos Vidal diz:

    O artista é o mesmo nas duas instalações: Allan McCollum, americano. McCollum jé expôs cá (fotografia), é uma revelação americano dos 80s, tempo de uma objectualidade que falava de matéria, produção de massa, kitsch, indiferenciação, luxo, logro, simulacro. etc. Steinbach, Bickerton, Jeff Koons, etc.
    Os “Cães de Pompeia” são mesmo obtidos de um molde realizado a partir de um animal de Pompeia. A obra é de 1991 (fibra de vidro).
    A foto de baixo é “Over Ten Thousand Individual Works” título irónico, faz refência à massificação e ao “Individual”.
    São pequenas cápsulas de plástico. 1987.
    Allan McCollum, reter (pode valer a pena).

  3. miguel dias diz:

    Obrigado.
    Uma sugestão: ponha sempre legendas, para não ter que fazer figura de urso e poder aprender alguma coisa nesta espelunca.

  4. CV
    O teu comentário ao Mdias dava um excelente post. Porque é que chateias tanto os sa(n)grados-jugulados ????
    Eu acho um ultraje ao País! É como se o Sócrates fosse Eu! Achas que o Carlyli é Santinho?? Eu cá acho qe ele gosta de jogar y teve uma fezada com qualquer coisa favorável …
    Bem. Faz mais post como o comment … que o pessoal precisa mesmo de Ilustração …
    vale

  5. miguel dias diz:

    A propósito.
    Não há por aqui uma certa obsessão um pouco doentia num tema recorrente.
    Há tanto blog por aí para o amigo implicar, mas só um lhe ocupa o verbo. Vá ao Blasfémias ao 31, ao moribundo abrupto, ao insurgente. Bem sei que tacticamente estes, neste momento não lhe convêm. Mas pode experimentas o Causa Nossa, há aqui tanto para esmifrar. O que é o jugulares lhe fizeram? O problema não pode ser só ideológico.
    Tanto quanto sei, é homem de muitos recursos, espercialmente na dialéctica do insulto, custa-me vê-los assim desperdiçados

  6. Carlos Vidal diz:

    caro miguel
    Gostei dessa do moribundo “abrupto”. É uma verdade, é um sonífero dos piores, ou melhores – depende do ponto de vista.
    Quanto ao blogue a que eu me refiro:
    Tem a certeza que não é o Blasfémias?

  7. miguel dias diz:

    Os Blasfemos são liberais, ortodoxamente heterodoxos.
    Tenho a certeza que não é.

  8. almajecta diz:

    Confessa Carlos, inimigo, inimigo a sério é o de Coimbra Heterodoxa. In doxa est paradoxa. É um pouco aborrecido, não tribunalício mas tímido, passado para a situação e sem nenhum sentido de humor .
    Portanto, prefere não.
    Os outros como manobra de diversão para te aplacar a ira e o furor revolucionário tambem não me parecem mal, tu é mais Porto alfobre Ortodoxo por vias da muralha Fernandina.
    Havia-os e bons, mas já fecharam, acham tudo isto a coloaca central da representação Democrática Parlamentarista.
    Imagina um ponto no espaço e posta.

  9. Carlos Vidal diz:

    Miguel Dias, se calhar é o “País Relativo”.

  10. Carlos Vidal diz:

    Grande Jecta, já imaginei o ponto no espaço e postei.
    Método Monge e já está.
    ( Vou ao Nina só na sexta [isto é para despistar] .)

  11. almajecta diz:

    Dá aí um abraço ao camarada da missão protestante bakongo. Boa noite.

  12. Eh pá, 10 clones do líder? Se não fossem o António Figueira e o Luís Rainha eu diria que se trata do 5Dias…

  13. almajecta diz:

    Carlos, eu sei como a vida podia ter lances de contentar a fantasia. Quantas vezes, em histórias imaginadas, eu levo posto o fito numa caverna onde os meus personagens vão cair; e já perto, já com eles à borda do despenhadeiro, sustenho-me, chamo-os, acaricio-os, salvo-os e dou-lhes glória, em vez do inferno que lhes fora talhado! Como eu fico então contente de mim, e o leitor contente deles! só nestes conflitos é que eu avalio os tesouros da imaginação, e o segundo fiat de mundos morais que a magnanimidade me concede.

  14. Carlos Vidal diz:

    Ó grande Alma, como é que eu posso salvar quem já está perdido?
    Como os cães de Pompeia, aliás.

  15. almajecta diz:

    o demónio foge dos anémicos e cloróticos; despreza-os quando os reduz a isso; daí os santos e as santas.

  16. Carlos Vidal diz:

    Por isso é que eu leio e estou do lado de Cristo.

    Além do mais, vê-se que este McCollum é um dos teus artistas dilectos.

  17. ezequiel diz:

    Começo a imaginar o Carlos com recortes do jugular emplastrados nas paredes da sua casa….porque não fazes uma instalação intitulada “Jugular Motion”

    mas também estou a tentar imaginar o Jugular sob a batuta de uma maestrina implacável…

    porque é que tu consideras o Jugular uma ameaça?? convenhamos q esta tua fixação, algo agressiva, emana de um medo latente, não é?? (tou a brincar, estou-me a borrifar para ti, para o 5, para o jugular e para a tia mercedes da covilhã….

    tanto drama por uma TRETA!

    minha nossa, onde isto chegou!!

    nem uma coisa (Carlos Psycho) nem outra (maestrina das hordas LBGTGV) , espero eu.

    can i call you Big Mother (jung), carlos???? tell me a story! come on! do you want a pillow with that couch… ah ahah ah ha ha ha ha ha haah ah h LOL 🙂

    a máxima de laing, perdura: num mundo louco, o maluco é o interprete mais racional…

    eu tb não percebo esta tua fixação com o jugular que persiste inalterada apesar de já ter sido abundantemente explicitada. (rima e tudo: é o destino a fazer das suas)

    ps:o maluco não és tu, Vidal. És surpreendentemente racional, no “bom” sentido meteorológico , claro.

  18. almajecta diz:

    O escritor sincero deve prevenir o seu leitor das estafas que lhe estão iminentes. Azul ferrete? Mau! por aqui me fecho.

  19. What?
    CV&Almajecta … os diálogos mais desconcertantes da minha vida …

  20. Carlos Vidal diz:

    Já faltava um comentário do ezequiel, fixado numa coisa que eu não disse, não comentei (melhor, não comento) nem por sombras. Aceito o texto do ezequiel (e suponho que estou a falar com o original, o “britânico”) como a sua resposta a uma espécie de adivinha para a qual não forneci pistas muito concretas.
    Já agora, a tia mercedes da covilhã é alguma coisa ao primeiro-ministro?

    Aquilo que eu gosto mais neste post são das instalações/esculturas de Allan McCollum. Só respondo por isso (pelo artista que escolhi).

    Entretanto, ó Grande Alma, boa noite para ti também.

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